O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta sexta-feira (31) que o Governo Federal e o Governo do Ceará vão desenvolver o projeto de um novo Hospital Geral Dr. César Cals, em Fortaleza. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Balanço Geral Ceará, da TV Cidade Fortaleza, ao comentar os investimentos previstos para ampliar a rede pública de saúde no estado.
Segundo Padilha, além da expansão do atendimento especializado e da implantação de novos serviços, o planejamento inclui a construção de uma nova estrutura para substituir o atual Hospital César Cals. A iniciativa também contempla a ampliação da cirurgia robótica, da radioterapia e do programa Mais Médicos Especialistas.
O anúncio ocorre meses após o governador Elmano de Freitas informar que o prédio atual deverá ser demolido em razão dos danos provocados pelo incêndio registrado em novembro de 2025.
Projeto substitui plano inicial de reforma
A construção de um novo Hospital César Cals passou a ser a alternativa adotada pelo Governo do Ceará após avaliações técnicas apontarem que a estrutura atual não reúne condições para ser recuperada.
Na ocasião do anúncio, Elmano de Freitas informou que os primeiros laudos indicavam a inviabilidade de uma reforma no edifício atingido pelo incêndio. Segundo o governador, a solução deverá ser a demolição da estrutura existente para a construção de um novo equipamento de saúde.
A decisão alterou o planejamento divulgado logo após o incêndio. Inicialmente, a previsão era recuperar o prédio e retomar gradualmente as atividades da unidade. Com o avanço das análises técnicas, o governo estadual passou a defender a reconstrução completa do hospital.
Conforme informou o governador, o projeto depende da elaboração técnica, de reuniões entre a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) e a Superintendência de Obras Públicas (SOP), além da realização do processo licitatório.
Hospital é referência em atendimento materno-infantil
O Hospital Geral Dr. César Cals está entre as unidades mais tradicionais da rede pública estadual de saúde. Sua origem remonta à Maternidade Dr. João Moreira, inaugurada em 1928, na Praça da Lagoinha, em Fortaleza. Ao longo das décadas, tornou-se referência em obstetrícia, neonatologia e atendimento materno-infantil no Ceará.
Antes da suspensão das atividades, a unidade contava com mais de 290 leitos. Somente entre janeiro e setembro de 2025, foram realizados mais de 3 mil partos no hospital.
Mesmo após a interrupção dos atendimentos, o Banco de Leite Humano permaneceu em funcionamento. O serviço, existente há mais de três décadas, continua realizando coleta domiciliar e atendimento remoto para garantir assistência a recém-nascidos prematuros e de baixo peso atendidos pela rede pública.
A unidade também era responsável pela aplicação do Método Canguru, estratégia voltada ao cuidado de bebês prematuros por meio do contato direto entre os recém-nascidos e seus familiares.
Incêndio levou à suspensão das atividades
O Hospital César Cals teve o funcionamento interrompido após um incêndio registrado em 13 de novembro de 2025. Segundo a Secretaria da Saúde do Ceará, o fogo atingiu a subestação de energia elétrica do hospital. Embora as áreas assistenciais não tenham sido alcançadas pelas chamas, o incidente comprometeu o funcionamento da unidade.
Durante a operação de emergência, 117 recém-nascidos e 153 mães e acompanhantes foram transferidos para outros hospitais em uma ação que durou cerca de oito horas. Imagens da época mostraram equipes retirando bebês em incubadoras para garantir a continuidade da assistência.
De acordo com a Sesa, ninguém ficou ferido, mas o hospital permaneceu fechado por tempo indeterminado desde então.
Ministro anuncia novos investimentos na saúde do Ceará
Além do projeto para o Hospital César Cals, Alexandre Padilha informou que o Governo Federal pretende ampliar a oferta de atendimento especializado no interior do Ceará em parceria com o Estado.
Segundo o ministro, os investimentos incluem a expansão da cirurgia robótica no Sistema Único de Saúde (SUS), a instalação de novos aceleradores lineares para radioterapia em Fortaleza e, futuramente, em municípios do interior, além do fortalecimento do programa Mais Médicos Especialistas.
Padilha também destacou ações voltadas à redução das filas por consultas, exames e cirurgias eletivas, afirmando que o objetivo é aproximar os serviços especializados da população cearense e ampliar a capacidade de atendimento da rede pública.




