Respirar voltou a ser uma tarefa simples para Maria das Dores da Silva depois de um transplante de pulmão realizado no Hospital do Coração de Messejana, em Fortaleza. A história da paciente ilustra a importância da doação de órgãos para pessoas que convivem com doenças pulmonares graves e aguardam por uma nova oportunidade de vida.
Referência em transplante pulmonar, o Hospital de Messejana é o único das regiões Norte e Nordeste habilitado para realizar esse tipo de procedimento. Em 15 anos, a unidade realizou 35 transplantes de pulmão. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado, foram três cirurgias em 2025 e outras três até julho deste ano.
Maria das Dores deixou São Luís, no Maranhão, para buscar tratamento no Ceará após ser diagnosticada com fibrose pulmonar provocada por uma bactéria.
"Eu fui diagnosticada com febrose pulmonar, e daí eu fui correr atrás para saber qual era a causa. Disseram que era uma bactéria de passarinho. Fizeram uma biópsia e realmente foi isso. Depois que a [pandemia de] covid passou, eu dei entrada aqui no Hospital do Coração. Fui muito bem acolhida. Graças a Deus, até hoje só tenho o que agradecer. Vim pra cá faz cinco anos, fiquei um ano e oito meses na espera, mas graças a Deus foi tudo do jeito que eu pedi e veio tudo perfeito. A família disse sim", relatou Maria das Dores.
Três anos após o transplante, ela comemora a recuperação e a possibilidade de retomar atividades que antes eram impossíveis.

"Ando, como... Não posso comer tudo, mas o que é autorizado eu como. Já posso viajar, que não podia viajar. E isso é muito bom, é viver, ter uma qualidade de vida melhor. Faço meus exercícios...", afirmou.
Hospital de Messejana atende pacientes de todo o Nordeste
De acordo com a pneumologista Lucyara Catunda, integrante do Programa de Transplante Pulmonar, o hospital recebe pacientes de diferentes estados da região.
"A gente recebe pacientes receptores de pulmão de todo o Nordeste. Esses pacientes são avaliados por uma equipe multiprofissional, uma equipe que é treinada especificamente para o transplante de pulmão."
Antes de serem incluídos no programa, os pacientes passam por avaliação especializada. O transplante é indicado apenas quando todas as possibilidades terapêuticas já foram utilizadas e a doença continua evoluindo.
"São pacientes que já se submeteram a todo e qualquer tratamento clínico para aquela doença, ou tratamento cirúrgico, mas não teve resolução e a doença continuou a evoluir até chegar a um quadro de insuficiência respiratória avançada", explicou a médica.
Entre as principais indicações para o transplante estão fibrose pulmonar, fibrose cística, enfisema avançado e hipertensão pulmonar.
Doação de órgãos depende da autorização da família
Nesse contexto, destaca-se a importância da doação de órgãos para que os transplantes possam acontecer. A campanha Maria Sofia, realizada pelo Grupo Cidade de Comunicação, busca conscientizar a população sobre esse gesto.
A iniciativa leva o nome da influenciadora e estudante cearense Maria Sofia, que recebeu um transplante de fígado e, após a morte, teve o desejo de doar os órgãos respeitado pela família. A decisão ajudou a salvar a vida de quatro pessoas.
Segundo Lucyara Catunda, conversar previamente com os familiares sobre o desejo de ser doador pode facilitar todo o processo:
"Os principais responsáveis pela liberação do órgão na doação, quando o paciente está em morte encefálica, é a família. O familiar mais próximo. Então, ele sabendo que você já é doador, facilita esse processo da doação, que então acontece de modo mais rápido e menos doloroso. Porque a gente sabe que é muito doloroso. Mas já sabendo, é importante essa conscientização e sensibilização da população."
Para quem aguarda na fila por um transplante, a autorização da família representa o início de uma nova etapa de vida. Maria das Dores afirma que é um gesto capaz de transformar histórias:
"É muito importante a doação de órgãos. Salvou a minha vida. Hoje sou muito grata, respiro bem, faço as minhas coisas, não dependo de ninguém pra nada. Apesar de que tem seus limites, nem tudo a gente pode fazer, mas tá ótimo, graças a Deus."




