O sertão de Canindé, no interior do Ceará, é o cenário de uma história que mistura cultura popular, mistério e imaginário nordestino. O curta-metragem “Tramóia” começou a ser filmado nessa segunda-feira (11), na Comunidade Quilombola do Benfica, na zona rural do município. A produção é ambientada na década de 1970 e acompanha Filó, uma jovem rendeira que recebe a visita de uma entidade misteriosa chamada Breu.
Dirigido por Carla Di Bonito e escrito por Gleison Castro, o filme tem produção da Boto Films e da TZM. A proposta é construir uma narrativa ambientada no sertão a partir de elementos ligados à cultura e ao imaginário da região.
Na história, Filó se depara com Breu, que tenta comprar seus sonhos. A proposta inicialmente parece representar uma oportunidade para a personagem, mas a relação se transforma em uma armadilha. A partir desse encontro, a trama utiliza elementos simbólicos para explorar os desejos, os medos e as referências presentes no universo sertanejo.
Curta-metragem Tramóia conta história de jovem rendeira no sertão

A personagem Filó é interpretada pela atriz Ísis Dionísio. Já Enrique Patrícius dá vida a Breu, a entidade que movimenta o conflito central da história.
A presença de uma rendeira como protagonista também aproxima a narrativa de uma atividade tradicional associada à cultura nordestina. No filme, o trabalho de Filó serve como parte da construção do universo em que a história se desenvolve, em uma ambientação que remete ao sertão da década de 1970.
A produção busca trabalhar o território não apenas como pano de fundo, mas como parte da própria identidade visual da obra. A paisagem rural de Canindé e as características da comunidade onde as cenas são gravadas ajudam a construir o ambiente no qual os personagens estão inseridos.
A direção de fotografia é assinada por Thelmo Maia, responsável pela construção visual do filme ao lado da direção de Carla Di Bonito.
Filmagens de Tramóia acontecem em comunidade quilombola de Canindé
A Comunidade Quilombola do Benfica foi escolhida como uma das principais locações do curta. A área rural de Canindé passa, assim, a integrar diretamente a narrativa que será levada às telas.
Para o público local, as filmagens também representam a presença de uma produção audiovisual em uma comunidade que normalmente não aparece como cenário de grandes obras cinematográficas. A escolha da locação coloca elementos da paisagem e do território de Canindé dentro de uma produção que pretende circular posteriormente fora do Ceará.
O projeto conta com apoio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Turismo de Canindé.
Além da paisagem, a produção utiliza referências relacionadas à cultura nordestina para compor a atmosfera do filme. O objetivo narrativo é combinar aspectos reconhecíveis do sertão com elementos de fantasia e mistério, sem abandonar a relação da história com o território onde ela é filmada.
A escolha de Canindé também amplia a representação do município no audiovisual para além da imagem tradicionalmente associada ao turismo religioso. A cidade, conhecida nacionalmente pela devoção a São Francisco, passa a aparecer em uma produção cuja história está ligada à vida rural, à cultura popular e às características do sertão.

Filme ambientado nos anos 1970 mira festivais de cinema
“Tramóia” ainda está em fase de produção, e a circulação em festivais dependerá da conclusão das filmagens e das etapas posteriores, como montagem e pós-produção.
A expectativa informada pela produção é inscrever o curta em festivais nacionais e internacionais. Entre os eventos citados estão a Berlinale, em Berlim, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o Festival de Cinema de Gramado, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e o Cine Ceará.
O projeto chega às filmagens depois de uma trajetória do roteiro em eventos voltados ao audiovisual. Segundo as informações divulgadas pela produção, o texto foi premiado e selecionado em iniciativas realizadas em países como Canadá, Itália, França, Reino Unido, Japão e Emirados Árabes Unidos.
Entre os eventos mencionados estão o Toronto Talents, no Canadá, o Grande Prêmio da Itália, iniciativas ligadas a Cannes, na França, e o BAFTA Summer Fest, em Londres.
A participação nessas iniciativas ocorreu antes da transformação do roteiro em filme. Agora, a equipe inicia a etapa de gravação, que será responsável por transformar a história escrita em imagens e definir a identidade visual da produção.
O caminho até os festivais, portanto, ainda depende das próximas fases do projeto. Depois das filmagens em Canindé, o curta precisará passar pelo processo de pós-produção antes de estar pronto para ser submetido aos eventos cinematográficos.
A aposta da obra está justamente na combinação entre uma história de fantasia e mistério e um cenário profundamente associado ao imaginário nordestino. Ao utilizar uma comunidade quilombola e a paisagem rural de Canindé como parte da narrativa, “Tramóia” busca fazer do próprio território um elemento importante da experiência cinematográfica.
Caso siga para os festivais planejados, o curta poderá apresentar a diferentes públicos uma representação do sertão construída a partir de uma história ficcional, tendo o Ceará como cenário e referência cultural.
As informações sobre o andamento do projeto e os registros das filmagens são divulgados no perfil oficial do filme no Instagram, @tramoia_o_filme.




