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ELEIÇÕES

Facção cobrava até R$ 60 mil para liberar campanhas de rua em Sobral, aponta investigação

Segundo a Ficco, candidatos com mandato teriam que desembolsar R$ 60 mil, enquanto estreantes pagariam cerca de R$ 30 mil para acessar determinados territórios durante as eleições de 2024

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Facção cobrava até R$ 60 mil para liberar campanhas de rua em Sobral, aponta investigação

Uma investigação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) aponta que uma facção em Sobral teria criado uma espécie de cobrança para permitir a realização de campanhas eleitorais em determinados territórios do município durante as eleições de 2024. Segundo as autoridades, candidatos que já ocupavam cargos eletivos precisariam pagar até R$ 60 mil para ter acesso às áreas, enquanto os estreantes na disputa teriam uma cobrança de aproximadamente R$ 30 mil. As informações foram apresentadas nesta terça-feira (11), durante coletiva sobre a Operação Omertá.

Leia também: “No Ceará, a impunidade vai acabar a partir de amanhã”, diz Ciro na véspera da eleição

A investigação ganhou novo desdobramento com o cumprimento de mandados contra suspeitos de integrar o esquema. Entre os presos estão três vereadores de Sobral e outras quatro pessoas. A operação investiga a possível atuação de uma organização criminosa na política local e episódios de interferência em atividades eleitorais.

De acordo com os investigadores, o valor cobrado não seria único para todos os candidatos. A quantia variava conforme a situação política de cada postulante. Quem já possuía mandato teria uma cobrança maior, de R$ 60 mil. Para candidatos que disputavam uma eleição pela primeira vez, o valor indicado pela investigação era de R$ 30 mil.

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A prática, segundo a apuração, teria permitido ao grupo criminoso exercer influência sobre a circulação de candidatos em áreas específicas de Sobral durante o período eleitoral.

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Como funcionava a cobrança para campanhas em Sobral

A investigação conduzida pela Ficco aponta que a atuação criminosa não estaria restrita à cobrança de valores. O grupo também teria estabelecido limites para a presença de candidatos em determinados territórios durante a campanha de 2024.

O chamado “pedágio” funcionaria, conforme as informações apresentadas pelas autoridades, como uma condição para que os políticos pudessem realizar atividades de campanha nesses locais. A cobrança teria dois patamares: R$ 60 mil para detentores de mandato e cerca de R$ 30 mil para candidatos estreantes.

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O caso chama atenção porque a suspeita envolve diretamente o processo eleitoral. Em vez de a circulação de candidatos depender apenas das regras eleitorais e da organização das próprias campanhas, a investigação aponta para uma possível interferência de uma organização criminosa sobre quem poderia acessar determinadas regiões.

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A apuração começou em 2024 e avançou posteriormente com a identificação de novos elementos. As autoridades também investigam episódios em que eleitores teriam sido alvo de ameaças relacionadas à atuação política.

O promotor Igor Pinheiro, que participou da apresentação das informações, não revelou qual facção estaria por trás do esquema. Segundo ele, a decisão foi tomada para não dar maior projeção ou legitimidade ao grupo criminoso, que foi descrito como uma organização com domínio sobre determinados territórios da cidade.

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A suspeita de interferência também alcançaria o período anterior à campanha eleitoral. Segundo o Ministério Público, a investigação identificou episódios ocorridos já em 2026 envolvendo reuniões políticas que teriam sido impedidas por ameaças.

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Facção em Sobral também teria ameaçado eleitores e eventos políticos

Além da cobrança atribuída ao grupo criminoso durante as eleições de 2024, a investigação aponta que ameaças também teriam sido utilizadas para interferir em atividades políticas.

Durante a coletiva, o promotor Igor Pinheiro afirmou que existem eventos políticos previstos para 2026 que não chegaram a ser realizados depois que integrantes da organização criminosa teriam ido aos locais e ameaçado participantes e proprietários.

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Segundo o relato apresentado pelo Ministério Público, as ameaças incluíam a possibilidade de incendiar o local e matar pessoas caso as reuniões fossem realizadas. Os episódios, conforme informado pelo promotor, foram registrados em boletins de ocorrência e são alvo de investigações específicas.

O caso amplia o alcance da apuração porque indica que a suposta interferência não teria ficado limitada ao período oficial das eleições de 2024. A investigação também busca esclarecer episódios relacionados à movimentação política mais recente em Sobral.

A atuação de organizações criminosas em processos eleitorais é tratada pelas autoridades como uma forma de pressão sobre candidatos, eleitores e demais participantes da disputa. Quando uma área passa a ter circulação política condicionada à autorização de criminosos, a própria dinâmica de uma campanha pode ser afetada.

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No caso investigado em Sobral, a cobrança diferenciada conforme a condição política dos candidatos é um dos elementos apontados pela Ficco. O modelo indicado pela investigação sugere que o grupo avaliava o perfil dos interessados antes de estabelecer o valor a ser pago.

Operação Omertá prende vereadores e outros suspeitos

A Operação Omertá cumpriu, nesta terça-feira (11), mandados judiciais relacionados à investigação sobre a possível atuação criminosa nas eleições e na política de Sobral.

Ao todo, foram expedidos 25 mandados de busca e apreensão e 14 mandados de prisão. Até o momento da coletiva de imprensa, sete pessoas haviam sido presas. Entre elas estavam três vereadores do município.

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Os mandados foram autorizados pela Justiça Eleitoral a partir de pedidos apresentados conjuntamente pelo Ministério Público do Ceará, por meio do Grupo Auxiliar Eleitoral (Gael) e da 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza, e pela Ficco.

A força integrada reúne instituições como Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Penal. A operação também contou com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco Norte), do Ministério Público, e da Delegacia de Combate às Ações Criminosas Organizadas (Draco Norte), da Polícia Civil.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos aparelhos celulares, dinheiro em espécie e documentos. O material deverá ser analisado pelos investigadores e pode contribuir para esclarecer a estrutura do grupo, a eventual participação de agentes políticos e a dimensão da interferência investigada.

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A existência dos mandados de prisão, por si só, não significa condenação dos investigados. As acusações ainda são objeto de apuração pelas autoridades competentes, e os envolvidos terão direito à defesa e ao devido processo legal.

A investigação permanece em andamento para esclarecer como funcionaria a relação entre a organização criminosa e os agentes políticos, quais candidatos teriam sido submetidos às cobranças e quais outros episódios de pressão ou ameaça ocorreram durante e depois das eleições de 2024.


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