A Transnordestina chegou a Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará, nesta sexta-feira (14), em uma viagem simbólica que marcou a chegada da primeira locomotiva ao município. O percurso ocorreu em referência aos 237 anos de Quixeramobim e antecede a previsão de uma operação-teste no trecho para outubro.
Apesar da chegada da locomotiva, a ferrovia ainda não está autorizada a transportar cargas comercialmente até Quixeramobim. Para isso, ainda são necessárias a licença de operação do Ibama e a autorização de abertura de tráfego da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A chegada representa mais uma etapa do avanço da ferrovia no Ceará. Atualmente, a Transnordestina opera em fase de testes em um trecho entre Bela Vista do Piauí, no Piauí, e Iguatu, no Ceará. Para este ano, a previsão apresentada é de entrega de mais 120 quilômetros de trilhos no Estado.
Chegada da Transnordestina a Quixeramobim marca avanço da ferrovia no Ceará
A viagem realizada nesta sexta-feira teve caráter simbólico. Não houve transporte de cargas porque o trecho até Quixeramobim ainda não possui licença de operação.
A chegada ocorre em uma data importante para o município, que completa 237 anos. A locomotiva percorreu o trecho até o Sertão Central como parte do avanço das obras da ferrovia, mas a circulação comercial ainda depende de etapas regulatórias.
Atualmente, as licenças em vigor autorizam o transporte comercial em 679 quilômetros, entre São Miguel do Fidalgo, no Piauí, e Acopiara, no Ceará.
Para ampliar esse trecho até Quixeramobim, a concessionária TLSA precisa concluir as etapas de autorização junto aos órgãos responsáveis.
A ANTT informou que uma inspeção nos lotes 4 e 5 deverá ser realizada ainda em agosto. A vistoria servirá para verificar as condições operacionais e de segurança dos trechos.
Caso a via esteja apta para o tráfego, o processo poderá seguir para deliberação da diretoria da agência e posterior emissão da autorização formal.
Transnordestina em Quixeramobim ainda depende de licença e autorização
A chegada da locomotiva não significa que o transporte comercial de cargas já esteja liberado no município.
Um dos procedimentos pendentes é a obtenção da licença de operação junto ao Ibama. A TLSA apresentou ao órgão um pedido para mais 136,9 quilômetros de ferrovia no Ceará, abrangendo os lotes 4 a 6 e incluindo o trecho entre Quixeramobim e Quixadá.
O Ibama informou que a documentação técnica necessária para a análise do pedido ainda não foi apresentada pela empresa.
Com isso, o processo permanece pendente da documentação. Segundo o órgão, a liberação de novos trechos depende da comprovação da conclusão das obras e do cumprimento das condicionantes ambientais estabelecidas na licença de instalação.
Também será necessária a autorização da ANTT para a abertura do tráfego.
De acordo com a agência, depois da inspeção dos trechos e caso a via esteja em condições de operação, a concessionária poderá formalizar o pedido de autorização. A previsão é de que essa solicitação possa ocorrer ainda no segundo semestre de 2026.
Operação-teste da Transnordestina em Quixeramobim está prevista para outubro
A próxima etapa anunciada para o trecho é uma operação-teste. A previsão de que essa atividade ocorra em outubro foi apresentada por Ricardo Azevedo, CEO da Value Global Group, responsável pelo Porto Seco do Sertão Central.
A TLSA, concessionária da ferrovia, não informou prazo para a operação.
O teste deverá ocorrer na linha principal da ferrovia, enquanto continuam os trabalhos relacionados à infraestrutura do complexo que será instalado em Quixeramobim.
A operação experimental será um passo diferente do transporte comercial. Para que cargas sejam transportadas regularmente pelo trecho, as autorizações ambientais e regulatórias ainda precisam ser concluídas.
Porto Seco de Quixeramobim prepara estrutura para receber cargas
A chegada da Transnordestina está diretamente relacionada ao projeto do Porto Seco do Sertão Central, equipamento que será instalado em Quixeramobim e terá ligação com a ferrovia.
A preparação do terminal já envolve infraestrutura de energia e seleção de mão de obra. Segundo Ricardo Azevedo, os primeiros silos destinados ao armazenamento de grãos já foram encomendados.
O planejamento do empreendimento está dividido em três fases.
A primeira está prevista entre outubro de 2026, com a operação-teste, e julho de 2027. Nesse período, também estão previstas obras relacionadas à linha desviada, estrutura que deverá levar as cargas até o complexo. A estimativa é de 300 empregos nas obras e outros 130 na operação, entre postos diretos e indiretos.
A segunda fase deve ocorrer entre julho de 2027 e outubro de 2028. O planejamento inclui a operação da linha desviada e a implantação de silos de grãos para exportação. A expectativa é de mil empregos diretos e indiretos.
A terceira etapa está prevista entre outubro de 2028 e dezembro de 2029. O projeto inclui a construção de tanques de combustíveis, heliponto, hotel e prédio administrativo. Nessa fase, a previsão é de 1,3 mil postos de trabalho.
A área alfandegada, que deverá constituir oficialmente o porto seco, está prevista para a segunda fase do projeto.
ZPE de Quixeramobim também está prevista para o município
Outro projeto planejado para Quixeramobim é a Zona de Processamento de Exportação (ZPE), que tem investimento inicial previsto de R$ 20 milhões.
A expectativa apresentada é de que as obras da ZPE comecem até o fim deste ano.
A implantação dos projetos de infraestrutura logística e industrial ocorre paralelamente ao avanço da Transnordestina. A ferrovia é considerada uma estrutura importante para o transporte de cargas entre diferentes regiões e, no caso de Quixeramobim, deverá estar integrada ao futuro complexo logístico.
A chegada da primeira locomotiva ao município nesta sexta-feira, portanto, representa um avanço físico da ferrovia, mas ainda não significa o início da operação comercial.
O próximo passo envolve a realização das inspeções previstas pela ANTT, o cumprimento das exigências ambientais do Ibama e a obtenção das autorizações necessárias para que o trecho possa receber transporte regular de cargas.




