Os bancários do Ceará mantêm a paralisação de 24 horas prevista para esta quinta-feira (20), em meio ao impasse nas negociações da Campanha Nacional Unificada de 2026. A decisão foi aprovada em assembleia realizada na segunda-feira (17), depois que a categoria rejeitou a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). No Ceará, 98,22% dos participantes rejeitaram a proposta e 92,07% votaram a favor da paralisação, segundo o Sindicato dos Bancários do Ceará.
A mobilização ocorre em conjunto com trabalhadores de outras regiões do país. Nacionalmente, a proposta da Fenaban foi rejeitada por 97% dos bancários que participaram das assembleias, enquanto a paralisação foi aprovada em diferentes bases sindicais. Mais de 50 mil trabalhadores participaram das assembleias realizadas em todo o Brasil, de acordo com informações divulgadas pela representação sindical.
O cenário, porém, mudou parcialmente durante a oitava rodada de negociação, realizada nesta terça-feira (18). Após a rejeição da categoria, os bancos recuaram de pontos que haviam sido colocados anteriormente na mesa, entre eles a proposta de reajustes diferentes por faixas salariais e o congelamento do piso de ingresso para novos bancários. Apesar do recuo, não foi apresentado um índice de reajuste para salários e demais verbas.
Com isso, a paralisação prevista para quinta-feira continua no calendário da categoria.
O que foi discutido entre bancários e Fenaban?
A negociação faz parte da Campanha Nacional Unificada dos Bancários, que reúne reivindicações econômicas e relacionadas às condições de trabalho. A pauta foi construída ao longo do primeiro semestre e aprovada nacionalmente antes do início das rodadas com a Fenaban.
Entre as principais demandas estão aumento real dos salários, valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), reajuste dos vales alimentação e refeição e valorização do piso salarial.
A categoria também reivindica a criação de um piso específico para trabalhadores da área de tecnologia da informação, além de medidas voltadas às condições de trabalho e à redução da sobrecarga.
O combate às metas consideradas abusivas também está entre os pontos apresentados pelos trabalhadores. A pauta inclui ainda medidas relacionadas ao assédio e ao uso de sistemas tecnológicos para acompanhamento do desempenho profissional.
Outro eixo envolve igualdade de oportunidades. As reivindicações contemplam ações para ampliar a participação de mulheres, negros, indígenas, pessoas com deficiência e pessoas LGBTQIA+ no setor bancário.
No campo da tecnologia, os bancários defendem ainda iniciativas de qualificação e reserva de vagas para mulheres em áreas de tecnologia da informação.
Proposta dos bancos foi rejeitada pela categoria
A assembleia realizada no Ceará ocorreu depois de uma rodada de negociação que terminou sem acordo. Na ocasião, a Fenaban havia apresentado uma proposta que incluía o congelamento do piso de ingresso dos novos bancários e a possibilidade de aplicar reajustes diferentes conforme faixas salariais.
O modelo acabou rejeitado pelos trabalhadores. Nacionalmente, 97% dos participantes das assembleias votaram contra a proposta, de acordo com informações divulgadas pelas entidades sindicais.
Também esteve em discussão o valor dos benefícios de alimentação. Conforme relatado pelo movimento sindical, havia uma proposta de diferenciação dos valores dos vales refeição e alimentação entre trabalhadores de cidades maiores e do interior.
Esse ponto também foi retirado posteriormente da mesa, assim como a proposta de reajustes por faixas e o congelamento do piso de ingresso. O recuo ocorreu durante a nova rodada de negociação realizada na terça-feira (18).
Mesmo com a retirada desses itens, o principal impasse permaneceu: os bancos não apresentaram um índice de reajuste salarial que pudesse ser levado para avaliação da categoria. Por isso, o movimento sindical informou que a paralisação do dia 20 está mantida.
Como deve funcionar a paralisação no Ceará?
O Sindicato dos Bancários do Ceará confirmou a mobilização para quinta-feira, mas ainda não detalhou quais agências ou instituições financeiras terão o funcionamento interrompido em cada localidade.
Por isso, não é possível afirmar que todas as agências bancárias do Estado ficarão fechadas durante todo o dia. A adesão pode depender da organização do movimento em cada unidade e de novas orientações divulgadas pela entidade.
Para quem precisa resolver alguma operação presencial, a recomendação é verificar previamente o funcionamento da agência ou do banco antes de se deslocar.
A paralisação também não significa necessariamente interrupção de todos os serviços bancários. Operações realizadas por canais digitais, como aplicativos e internet banking, podem continuar disponíveis, conforme as estruturas mantidas pelas instituições.
Em situações anteriores de suspensão do atendimento presencial, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) orientou os clientes a utilizarem canais digitais e caixas de autoatendimento.
O que muda para quem precisa pagar contas?
A paralisação pode afetar principalmente quem depende de atendimento presencial nas agências. Serviços digitais e eletrônicos, por outro lado, são alternativas para operações que não exigem a presença de um funcionário.
Quem tiver conta, boleto ou outra obrigação financeira com vencimento na quinta-feira deve verificar as condições específicas do pagamento e, quando possível, utilizar os canais digitais disponibilizados pela instituição.
Atenção especial deve ser dada a pagamentos que dependam de atendimento presencial ou de procedimentos que não possam ser realizados pelos aplicativos, internet banking, caixas eletrônicos ou outros canais remotos.
As datas de vencimento não devem ser consideradas automaticamente alteradas por causa de uma paralisação. A orientação da Febraban em situações de ausência de atendimento presencial é que os clientes utilizem os meios eletrônicos disponíveis.
Negociação pode mudar cenário da paralisação
A principal variável para os próximos dias é o andamento das negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban.
A oitava rodada realizada na terça-feira (18) terminou sem que os bancos apresentassem um índice de reajuste salarial. A entidade sindical informou que a categoria seguirá mobilizada e que a paralisação desta quinta-feira está mantida.
O Sindicato dos Bancários do Ceará também passou a tratar a quinta-feira como data de mobilização da categoria. Em publicação desta quarta-feira (19), a entidade afirmou que os trabalhadores vão paralisar as atividades no dia 20.
A situação pode ter novos desdobramentos caso uma proposta seja apresentada antes da paralisação. Até o momento, porém, o indicativo divulgado pelo sindicato é de manutenção do movimento.
A campanha salarial deste ano reúne questões que vão além do reajuste dos salários. A categoria também busca alterações em benefícios, piso de ingresso, PLR, condições de trabalho, metas e políticas relacionadas à tecnologia e à igualdade profissional.
Para os clientes dos bancos no Ceará, o principal efeito imediato da mobilização deve ser a possibilidade de restrição no atendimento presencial em parte das agências nesta quinta-feira. Como o sindicato ainda não informou uma relação completa de unidades que terão as atividades interrompidas, a situação de cada agência deve ser confirmada diretamente com a instituição financeira antes do deslocamento.




