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BAIRROS DA CAPITAL

Entre o Centro e o mar, bairro Moura Brasil preserva memória e constrói novas histórias em Fortaleza

Bairro reúne memórias, tradições e iniciativas comunitárias que ajudam a construir sua identidade no litoral da capital cearense

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Entre o Centro e o mar, bairro Moura Brasil preserva memória e constrói novas histórias em Fortaleza
A história do Moura Brasil permanece presente nas casas, nas famílias e nas tradições construídas ao longo das décadas. Foto: Reprodução / TV Cidade Fortaleza

O Moura Brasil, em Fortaleza, reúne moradores que trabalham para preservar a história da comunidade e mostrar uma identidade que, segundo eles, vai além dos estigmas associados ao bairro. Entre o Centro e o mar, a região guarda memórias de diferentes gerações e também iniciativas que buscam transformar a realidade local.

A trajetória do bairro é marcada pela ocupação de famílias e trabalhadores, pela relação com o litoral e pela construção de vínculos comunitários. Aos 72 anos, Francisco das Chagas, que nasceu e foi criado no Moura Brasil, acompanhou parte dessas mudanças e mantém no bairro sua casa, sua família e sua rotina.

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Ao falar sobre a vida na comunidade, Francisco contesta a imagem de que o local seria necessariamente perigoso. Para ele, a percepção de quem não conhece o bairro pode contribuir para a construção desse estigma.

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"É muito bom [viver aqui]. É bom até demais. Melhor que outras favelas que tem por aqui. Aqui é uma das melhores. [Falam que é um bairro perigoso] porque o pessoal não conhece. O pessoal não conhece e acha que é perigoso, mas aqui não é perigoso. Aqui ninguém faz mal a ninguém. Aqui você anda à noite, passa a noite pra lá e pra cá e não tem nada e nada acontece. Agora, se vem de fora fazer maldade, aí é outra coisa. Acontece. Mas aqui é um bairro muito bom."
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História do Moura Brasil começa na década de 1930

A ocupação da área ganhou força a partir da década de 1930, quando famílias e trabalhadores passaram a ocupar espaços próximos à estação ferroviária e ao litoral.

O historiador Lucas Nogueira explica que esse processo ocorreu em um período de crise e negligência, especialmente durante a seca de 1932. Ele falou com a TV Cidade Fortaleza sobre o assunto:

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"É um bairro que leva como nome a homenagem ao médico cearense nascido em Pereiro. Só começou a ser sentido e ocupado num cenário de caos, de crise e de negligência. Eu estou falando dos anos de 1930, em especial da seca de 1932. Quando a cidade de Fortaleza tinha o Centro como parte da Belle Époque e da riqueza comercial, algumas pessoas saíam da estação ferroviária, hoje parte da Estação das Artes, anteriormente chamada de estação João Felipe, e passaram a ocupar as áreas ao redor."
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A história do Moura Brasil permanece presente nas casas, nas famílias e nas tradições construídas ao longo das décadas. Para os moradores, a identidade do bairro também é formada pelas relações entre as pessoas que vivem na comunidade.

A proximidade com a praia é outro aspecto lembrado por Francisco:

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"Ah, bom demais. Tem qualidade de vida. Porque você não vê ninguém doente, você não vê ninguém... Você vê todo mundo de saúde."
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Esporte é usado para criar oportunidades no bairro

Enquanto a memória ajuda a preservar o passado, iniciativas comunitárias buscam criar novas possibilidades para as gerações mais jovens. Há 19 anos, Wagner Menezes desenvolve atividades esportivas voltadas para crianças e adolescentes do Moura Brasil por meio da Escola de Surf do bairro.

Para ele, o projeto teve impacto na realidade da comunidade e contribuiu para reduzir situações de violência.

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"E isso mudou muito a realidade do nosso bairro, acho que diminuiu muito a violência, até porque o nosso projeto já vem há 19 anos. A gente faz uma redução de danos e é super importante ter um local como esse."

A iniciativa utiliza o esporte como uma das ferramentas de atuação dentro da comunidade. O projeto integra o conjunto de ações realizadas por moradores para criar espaços de convivência e oportunidades para crianças e adolescentes.

Memória do Moura Brasil é preservada pelos moradores

Além das atividades desenvolvidas no presente, moradores também atuam na preservação da memória do bairro. A proposta é registrar histórias que, segundo os envolvidos, permaneceram por muito tempo fora dos livros e dos registros oficiais.

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Débora Soares, diretora do Núcleo de Patrimônio Cultural do Moura Brasil (Nupac), destaca o papel dos moradores mais antigos nesse processo. Eles são responsáveis por compartilhar lembranças, fotografias e relatos sobre diferentes períodos da comunidade:

"Um protagonismo para os moradores que todos os dias estão aqui, lutando, vivendo e querendo transformar o Moura Brasil num lugar melhor. A gente tem os moradores mais antigos, que são os guardiões da memória, como a dona Lúcia, o seu Raimundo da Júlia... Eles compartilham com a gente como era o bairro antes, mostram imagens antigas. Nós, enquanto coletivo, e também todos os projetos, as lideranças que são aqui do bairro, atuam em conjunto para transformar a nossa realidade e mostrar para todo mundo quem é o Moura Brasil de verdade, as pessoas..."
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