Um fóssil de aproximadamente 115 milhões de anos, originário da Bacia do Araripe, no Ceará, será devolvido ao Brasil depois de ser localizado em uma coleção paleontológica nos Estados Unidos. O exemplar pertence a uma nova espécie de pequeno crustáceo, batizada de Cicero spectabilis, em homenagem ao Padre Cícero. Após a repatriação, o material será destinado ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens (MPPCN), ligado à Universidade Regional do Cariri (Urca).
A descoberta tem importância científica porque o Cicero spectabilis representa o primeiro registro confirmado da família Archaeoniscidae na Formação Crato. O estudo também amplia o conhecimento sobre a distribuição desses crustáceos em ambientes lacustres de Gondwana durante o Cretáceo Inferior.
Fóssil foi localizado em coleção nos Estados Unidos
O exemplar foi localizado em uma coleção paleontológica da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. A identificação do material começou em setembro de 2023, depois que o pesquisador Arthur Anker informou ao professor Daniel Lima, da Urca, sobre a existência de um fóssil proveniente do Cariri naquele acervo.
Ao entrar em contato com a instituição norte-americana, os pesquisadores confirmaram a origem do material. O exemplar havia sido doado à coleção anos antes.
A partir da identificação, começou o processo para que o fóssil retornasse ao Brasil. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, a devolução avançou de forma amigável entre as instituições envolvidas.
O exemplar deverá ser incorporado ao acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, depois da conclusão dos procedimentos necessários para a repatriação.
Novo gênero recebeu nome em homenagem a Padre Cícero
O nome científico da espécie estabelece uma relação direta com a história do Cariri.
O gênero Cicero foi escolhido em homenagem a Padre Cícero Romão Batista, uma das figuras mais conhecidas da região. A referência aparece no nome do novo crustáceo descrito pelos pesquisadores.
Já spectabilis é um termo de origem latina que pode ser associado a algo notável ou extraordinário.
O fóssil é pequeno, mas apresenta características anatômicas que permitiram aos pesquisadores diferenciá-lo de outros isópodes conhecidos. A espécie possui estruturas observadas nas antenas, no corpo e na região posterior que foram importantes para sua identificação.
Cicero spectabilis viveu há cerca de 115 milhões de anos
O animal viveu durante o Cretáceo Inferior, mais especificamente no Aptiano, há aproximadamente 115 milhões de anos.
Naquele período, a região que hoje corresponde ao Cariri apresentava um sistema de lagos muito diferente da paisagem atual. A Formação Crato, na Bacia do Araripe, preserva registros de organismos que viveram nesses ambientes.
O Cicero spectabilis pertence ao grupo dos isópodes, crustáceos que atualmente podem ser encontrados tanto em ambientes aquáticos quanto terrestres.
De acordo com a interpretação apresentada no estudo, o animal tinha hábito bentônico e estava associado ao fundo de ambientes aquáticos de baixa energia. O exemplar foi preservado em calcários laminados da Formação Crato, conhecida pela conservação excepcional de fósseis do Cretáceo.
Descoberta amplia conhecimento sobre os isópodes
A principal relevância científica da espécie está relacionada à família Archaeoniscidae.
O Cicero spectabilis representa o primeiro registro confirmado da família na Formação Crato. A descoberta também amplia a distribuição paleogeográfica conhecida desses organismos para ambientes lacustres de Gondwana.
O achado ajuda os pesquisadores a compreender melhor a distribuição de grupos de crustáceos durante o Cretáceo Inferior, período marcado por importantes transformações geológicas.
A presença do animal na Bacia do Araripe também reforça a possibilidade de que diferentes linhagens de isópodes tenham ocupado ambientes não marinhos em diferentes regiões de Gondwana.
Fóssil será destinado ao museu da Urca
Depois da devolução ao Brasil, o exemplar será destinado ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri.
A instituição é vinculada à Universidade Regional do Cariri e tem papel importante na preservação e no estudo do patrimônio paleontológico da região.
A chegada do fóssil ao acervo permitirá que o material continue disponível para pesquisas científicas e para atividades de divulgação da paleontologia no Cariri.
O retorno também tem importância patrimonial porque mantém na região de origem um exemplar relacionado à história geológica da Bacia do Araripe.




