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PALEONTOLOGIA

Fóssil de 115 milhões de anos batizado em homenagem a Padre Cícero será devolvido ao Ceará

Espécie de pequeno crustáceo viveu na Bacia do Araripe durante o Cretáceo e representa o primeiro registro confirmado da família Archaeoniscidae na Formação Crato

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Fóssil de 115 milhões de anos batizado em homenagem a Padre Cícero será devolvido ao Ceará
Fóssil do Crato foi nomeado em homenagem ao Padre Cícero. Foto: Divulgação

Um fóssil de aproximadamente 115 milhões de anos, originário da Bacia do Araripe, no Ceará, será devolvido ao Brasil depois de ser localizado em uma coleção paleontológica nos Estados Unidos. O exemplar pertence a uma nova espécie de pequeno crustáceo, batizada de Cicero spectabilis, em homenagem ao Padre Cícero. Após a repatriação, o material será destinado ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens (MPPCN), ligado à Universidade Regional do Cariri (Urca).

A descoberta tem importância científica porque o Cicero spectabilis representa o primeiro registro confirmado da família Archaeoniscidae na Formação Crato. O estudo também amplia o conhecimento sobre a distribuição desses crustáceos em ambientes lacustres de Gondwana durante o Cretáceo Inferior.

Leia também: Seca avança no Ceará e atinge 89% do território em setembro

Fóssil foi localizado em coleção nos Estados Unidos

O exemplar foi localizado em uma coleção paleontológica da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. A identificação do material começou em setembro de 2023, depois que o pesquisador Arthur Anker informou ao professor Daniel Lima, da Urca, sobre a existência de um fóssil proveniente do Cariri naquele acervo.

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Ao entrar em contato com a instituição norte-americana, os pesquisadores confirmaram a origem do material. O exemplar havia sido doado à coleção anos antes.

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A partir da identificação, começou o processo para que o fóssil retornasse ao Brasil. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, a devolução avançou de forma amigável entre as instituições envolvidas.

O exemplar deverá ser incorporado ao acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, depois da conclusão dos procedimentos necessários para a repatriação.

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Novo gênero recebeu nome em homenagem a Padre Cícero

O nome científico da espécie estabelece uma relação direta com a história do Cariri.

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O gênero Cicero foi escolhido em homenagem a Padre Cícero Romão Batista, uma das figuras mais conhecidas da região. A referência aparece no nome do novo crustáceo descrito pelos pesquisadores.

Já spectabilis é um termo de origem latina que pode ser associado a algo notável ou extraordinário.

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O fóssil é pequeno, mas apresenta características anatômicas que permitiram aos pesquisadores diferenciá-lo de outros isópodes conhecidos. A espécie possui estruturas observadas nas antenas, no corpo e na região posterior que foram importantes para sua identificação.

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Cicero spectabilis viveu há cerca de 115 milhões de anos

O animal viveu durante o Cretáceo Inferior, mais especificamente no Aptiano, há aproximadamente 115 milhões de anos.

Naquele período, a região que hoje corresponde ao Cariri apresentava um sistema de lagos muito diferente da paisagem atual. A Formação Crato, na Bacia do Araripe, preserva registros de organismos que viveram nesses ambientes.

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O Cicero spectabilis pertence ao grupo dos isópodes, crustáceos que atualmente podem ser encontrados tanto em ambientes aquáticos quanto terrestres.

De acordo com a interpretação apresentada no estudo, o animal tinha hábito bentônico e estava associado ao fundo de ambientes aquáticos de baixa energia. O exemplar foi preservado em calcários laminados da Formação Crato, conhecida pela conservação excepcional de fósseis do Cretáceo.

Descoberta amplia conhecimento sobre os isópodes

A principal relevância científica da espécie está relacionada à família Archaeoniscidae.

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O Cicero spectabilis representa o primeiro registro confirmado da família na Formação Crato. A descoberta também amplia a distribuição paleogeográfica conhecida desses organismos para ambientes lacustres de Gondwana.

O achado ajuda os pesquisadores a compreender melhor a distribuição de grupos de crustáceos durante o Cretáceo Inferior, período marcado por importantes transformações geológicas.

A presença do animal na Bacia do Araripe também reforça a possibilidade de que diferentes linhagens de isópodes tenham ocupado ambientes não marinhos em diferentes regiões de Gondwana.

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Fóssil será destinado ao museu da Urca

Depois da devolução ao Brasil, o exemplar será destinado ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri.

A instituição é vinculada à Universidade Regional do Cariri e tem papel importante na preservação e no estudo do patrimônio paleontológico da região.

A chegada do fóssil ao acervo permitirá que o material continue disponível para pesquisas científicas e para atividades de divulgação da paleontologia no Cariri.

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O retorno também tem importância patrimonial porque mantém na região de origem um exemplar relacionado à história geológica da Bacia do Araripe.

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