Sete anos após a morte da empresária Jamile Oliveira Correia, o caso Jamile ainda aguarda uma definição para chegar ao Tribunal do Júri. Aldemir Pessoa Júnior, apontado pelo Ministério Público como responsável pelo crime, nunca foi preso e ainda não foi julgado. A defesa continua recorrendo na Justiça.
A mais recente decisão que negou um recurso apresentado pela defesa aumentou a expectativa da família pela realização do julgamento. Agora, os familiares aguardam que o Judiciário cearense defina a data para que o acusado seja submetido ao júri popular.
Aurimar Chaves de Oliveira, irmão de Jamile, afirma que a sequência de recursos prolongou a espera da família por uma conclusão do processo. Ele falou sobre o tema com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza:
“A gente espera que a partir de agora ela tome outro rumo, porque até então tudo que se tenta provar contra ele não se consegue, porque a todo momento entra com um recurso. A gente pensava que esse talvez fosse o último recurso, no entanto ele já entrou com outro recurso para protelar o processo. Só para, como se diz, justificar o erro dele.”
A família espera agora que o processo avance para uma nova etapa. Para Aurimar, o tempo transcorrido desde a morte da irmã tornou ainda mais difícil a espera pela decisão judicial.
“Todo mundo fala que a Justiça é morosa e tudo, mas quando é com a gente, quando o caso acontece com a gente, aí a gente vê o que demora mesmo. Porque sete anos é muito tempo.”
Caso Jamile completa sete anos sem julgamento
Jamile morreu em agosto de 2019, após ser baleada. Na época, a ocorrência foi inicialmente registrada como uma tentativa de suicídio. A investigação conduzida pela Polícia Civil do Ceará (PCCE), porém, passou a tratar o caso como feminicídio.
Aldemir Pessoa Júnior, que era namorado da empresária e também é advogado, foi denunciado pelo Ministério Público em 2021. A denúncia atribuiu a ele os crimes de feminicídio, lesão corporal, fraude processual e porte ilegal de arma de fogo.
Desde então, a defesa apresenta recursos em instâncias superiores, enquanto o processo permanece sem uma data definida para o julgamento pelo Tribunal do Júri.
Jamile deixou um filho, que era adolescente quando perdeu a mãe. A família argumenta que a demora também afeta o filho. Aurimar conta que o sobrinho vive atualmente com uma tia e tenta retomar a rotina depois da perda:
“Ele tá com a tia dele, né? Ele tá bem melhor, ele tá conseguindo se recuperar, conseguindo se reerguer na vida, né? Porque é muito difícil. Pessoa que perde o pai e a mãe assim e tentar recomeçar, né? Porque é um recomeço, na realidade.”
A família mantém a expectativa de que o processo avance para o julgamento popular. Aurimar também afirma acreditar em uma condenação de Aldemir.
“Que ele vá a júri popular. E, ele indo, eu tenho certeza que ele vai ser preso. Entendeu? Eu acho que a justiça vai ser feita. Ele não vai escapar fácil disso. Porque a culpa é certa. A verdade é só uma, mas ela vai chegar.”
Relembre a morte de Jamile Oliveira Correia
Imagens das câmeras de segurança do prédio onde Jamile e Aldemir moravam, no bairro Meireles, em Fortaleza, registraram a chegada dos dois à garagem. As imagens mostram uma discussão entre o casal e um momento em que Aldemir dá um soco na empresária.
Depois, Jamile demora cerca de 20 minutos para entrar no elevador. Dentro do equipamento, ela retira a aliança. Em seguida, Aldemir sobe para o apartamento.
Pouco tempo depois, ocorreu o disparo no closet da empresária. Na sequência, Jamile aparece sendo carregada pelo advogado e pelo filho dela no elevador.
No dia 30 de agosto de 2019, Jamile deu entrada no Instituto Doutor José Frota (IJF) com a informação inicial de que teria tentado suicídio. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois.
As divergências identificadas durante a investigação levaram a Polícia Civil a mudar a linha do caso. Aldemir, então namorado da vítima, passou a ser apontado como principal suspeito.
Laudo analisou pistola usada no caso
Em setembro de 2019, um laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) analisou uma pistola calibre 380 relacionada à investigação.
O exame apontou que amostras do DNA de Jamile foram encontradas somente na extremidade do cano da arma. No restante da pistola, o laudo identificou material genético de Aldemir e do policial civil responsável pela apreensão do objeto.
Sete anos depois da morte da empresária, a família continua aguardando a conclusão da fase processual e a definição da data do Tribunal do Júri.




