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MERCADO DE TRABALHO

Trabalhadores de aplicativo trabalham 5,4 horas a mais por semana, aponta IBGE

Plataformizados cumprem jornada média de 44,7 horas semanais e recebem 12% menos por hora trabalhada que os demais ocupados do setor privado

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Trabalhadores de aplicativo trabalham 5,4 horas a mais por semana, aponta IBGE


Os trabalhadores de aplicativo cumprem, em média, 44,7 horas de trabalho por semana, segundo levantamento do IBGE. A jornada é 5,4 horas maior que a registrada entre os demais trabalhadores do setor privado, que trabalham habitualmente 39,3 horas semanais em sua ocupação principal.

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Os dados fazem parte do módulo sobre trabalho em plataformas digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizado no terceiro trimestre de 2025.

A diferença chama atenção porque não aparece apenas no número de horas trabalhadas. Mesmo com uma jornada maior, os trabalhadores plataformizados tiveram rendimento mensal praticamente igual ao dos demais ocupados.

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Em 2025, o rendimento médio mensal habitual foi de R$ 3.147 para os trabalhadores de aplicativo, contra R$ 3.148 entre os não plataformizados.

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Quando o cálculo considera o tempo efetivamente dedicado ao trabalho, porém, a diferença aumenta. O ganho médio por hora dos trabalhadores de plataformas foi de R$ 16,20, enquanto os demais trabalhadores receberam R$ 18,40 por hora.

Na prática, o levantamento mostra que o trabalhador de aplicativo dedica mais tempo à atividade para obter uma renda mensal semelhante.

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Jornada dos plataformizados diminuiu desde 2022

Apesar da diferença atual, a jornada dos trabalhadores de plataformas apresentou uma redução ao longo da série histórica analisada pelo IBGE.

Em 2022, primeiro ano da série, esses profissionais trabalhavam habitualmente 46,4 horas por semana. O número caiu para 44,8 horas em 2024 e chegou a 44,7 horas em 2025.

A redução, entretanto, não eliminou a distância em relação aos trabalhadores que não utilizam plataformas digitais.

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Entre os não plataformizados, a jornada permaneceu praticamente estável no período. A média passou de 39,5 horas semanais em 2022 para 39,3 horas em 2025.

O resultado mantém uma diferença superior a cinco horas semanais entre os dois grupos.

Motoristas e motociclistas também trabalham mais por aplicativo

A diferença aparece de maneira ainda mais clara quando os dados são separados por ocupação.

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Entre os condutores de automóveis que trabalham por meio de plataformas, a jornada média chegou a 45,9 horas semanais. Entre os motoristas que exercem a atividade sem utilizar plataformas digitais, a média foi de 40,4 horas.

A diferença é de 5,5 horas por semana.

O mesmo comportamento aparece entre os motociclistas. Aqueles vinculados a aplicativos registraram média de 44,9 horas semanais, enquanto os motociclistas não plataformizados trabalharam 41,1 horas.

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Os números ajudam a dimensionar o peso da jornada nas duas atividades que concentram uma parcela importante do trabalho intermediado por plataformas digitais: transporte de passageiros e entregas.

Nesse modelo, o trabalhador tem maior autonomia para definir quando se conecta, mas a quantidade de horas dedicadas à atividade pode aumentar diante da necessidade de alcançar determinada renda.

Flexibilidade é acompanhada por incentivos financeiros

A possibilidade de escolher os horários de trabalho aparece como um dos principais atrativos do trabalho por plataformas.

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Ao mesmo tempo, o levantamento mostra que essa autonomia convive com mecanismos capazes de influenciar o período em que os profissionais permanecem conectados.

Entre os motoristas de transporte de passageiros, 56,3% afirmaram que a definição de seus turnos é fortemente influenciada por bônus, incentivos e tarifas dinâmicas.

Entre os entregadores, o percentual foi de 47,4%.

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Esses mecanismos podem estimular o trabalhador a permanecer disponível nos períodos em que há possibilidade de obter uma remuneração maior.

O dado ajuda a explicar uma característica importante desse tipo de atividade: embora o profissional tenha liberdade formal para decidir quando trabalhar, fatores econômicos podem influenciar diretamente essa escolha.

Informalidade é maior entre trabalhadores de aplicativo

Outro ponto destacado pela pesquisa é a diferença nas condições de proteção social.

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No trabalho principal, a taxa de informalidade entre os trabalhadores plataformizados chegou a 72,1%. Entre os trabalhadores não plataformizados, o índice foi de 42,7%.

A diferença supera 29 pontos percentuais.

A situação também aparece quando o levantamento analisa a contribuição previdenciária.

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Apenas 34% dos trabalhadores de aplicativo contribuíam para a Previdência Social em algum trabalho. Entre os demais trabalhadores do setor privado, o percentual chegava a 63%.

Os dados mostram que a discussão sobre o trabalho mediado por aplicativos vai além da quantidade de horas conectadas ou do valor recebido no fim do mês.

Também envolve a proteção social disponível ao trabalhador e sua relação com direitos previdenciários.

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Para quem depende da atividade como principal fonte de renda, a ausência de contribuição pode ter consequências no acesso futuro à seguridade social.

Pesquisa analisou cerca de 102,4 milhões de ocupados

O levantamento foi realizado no terceiro trimestre de 2025. A pesquisa considera a população ocupada com 14 anos ou mais de idade em todo o território nacional.

O universo analisado corresponde a aproximadamente 102,4 milhões de pessoas ocupadas. Desse total, cerca de 2 milhões atuavam por meio de plataformas de serviços, considerando o trabalho principal ou secundário.

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O estudo foi desenvolvido pelo IBGE por meio de Acordo de Cooperação Técnica com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho (MPT).

O próprio instituto classifica o módulo como uma investigação experimental. Isso significa que a metodologia permanece em avaliação e pode passar por aperfeiçoamentos nas próximas edições.


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