Mais de 190 toneladas de resíduos foram retiradas das estruturas do sistema de esgotamento sanitário do Ceará entre janeiro e julho de 2026. O volume, acumulado em sete meses, equivale a aproximadamente 19 caminhões-caçamba cheios e já representa cerca de 65% de todo o material removido ao longo de 2025.
O levantamento considera as estruturas de tratamento de esgoto de 24 municípios atendidos pela Ambiental Ceará, parceira da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) na expansão dos serviços de esgotamento sanitário. O material encontrado inclui objetos que não deveriam ser descartados nas tubulações, como fraldas, absorventes, sacolas plásticas, brinquedos e componentes eletrônicos.
O descarte incorreto de resíduos pode fazer com que esses materiais percorram a rede até chegar às estruturas de operação. No caminho, eles podem provocar obstruções e comprometer o funcionamento de bombas e outros equipamentos utilizados no tratamento.
Mais de 190 toneladas de resíduos foram retiradas do esgoto
De janeiro a julho deste ano, foram retiradas mais de 190 toneladas de resíduos durante o processo de tratamento nas estações elevatórias de esgoto dos municípios atendidos pela Ambiental Ceará.
Para dimensionar esse volume, a quantidade corresponde aproximadamente à carga de 19 caminhões-caçamba. A comparação ajuda a mostrar a quantidade de material que chega às estruturas mesmo depois de ter sido descartado de maneira inadequada nas residências.
Em todo o ano de 2025, foram retiradas 294,68 toneladas nessas estruturas. Assim, o volume registrado nos primeiros sete meses de 2026 já equivale a aproximadamente 65% do total contabilizado no ano anterior.
A comparação, porém, considera períodos diferentes: os dados de 2026 correspondem somente aos meses de janeiro a julho, enquanto o levantamento de 2025 contempla os 12 meses do ano.
Que tipo de lixo vai parar na rede de esgoto?
Parte dos resíduos encontrados no sistema poderia ter sido descartada de outra forma. Entre os materiais citados estão fraldas, absorventes, sacolas plásticas, brinquedos e eletrônicos.
Objetos e substâncias jogados em vasos sanitários, pias e ralos podem seguir pelas tubulações junto com a água utilizada nas atividades domésticas. Quando chegam às estruturas de bombeamento e tratamento, esses materiais podem se acumular e dificultar a passagem do esgoto.
O problema não está restrito aos objetos maiores. Produtos como óleo e gordura também podem contribuir para a formação de obstruções na rede.
Por isso, o cuidado começa dentro de casa. A utilização correta das tubulações ajuda a reduzir a quantidade de resíduos que chega ao sistema e pode diminuir a necessidade de intervenções para desobstrução e manutenção.
Descarte incorreto pode provocar entupimentos e extravasamentos
O acúmulo de lixo em bombas e equipamentos pode provocar sobrecarga e interrupções no funcionamento do sistema de esgotamento sanitário. Também pode aumentar a necessidade de reparos e contribuir para ocorrências de extravasamento de esgoto.
Quando há extravasamento, o esgoto pode chegar às ruas e, em determinadas situações, às próprias residências. Além do transtorno para a população, o contato inadequado com esse material representa um problema ambiental e sanitário.
O descarte correto também tem relação com a preservação dos recursos hídricos. Evitar que resíduos e substâncias inadequadas cheguem ao sistema contribui para o funcionamento das estruturas de tratamento e ajuda a reduzir impactos sobre rios, praias e outros ambientes naturais.
O que pode e o que não pode ser jogado no esgoto?
Nem tudo que passa por uma residência deve ser direcionado às tubulações. A orientação é separar os resíduos sólidos e outros materiais para que tenham a destinação adequada.
Pode
- Água proveniente do banho;
- água utilizada na pia da cozinha;
- água da máquina de lavar;
- água da descarga do vaso sanitário.
Não pode
- Óleo de cozinha;
- gordura;
- absorventes;
- fraldas;
- preservativos;
- cotonetes;
- fio dental;
- cabelos;
- papel e embalagens;
- restos de comida;
- tecidos;
- medicamentos;
- areia;
- borra de café;
- lixo em geral.
A lista inclui materiais que podem parecer pequenos ou inofensivos quando descartados individualmente. No entanto, quando chegam em grande quantidade à rede, podem se acumular e comprometer o funcionamento das estruturas.
Como descartar corretamente o óleo de cozinha
O óleo usado na preparação de alimentos não deve ser despejado na pia ou no vaso sanitário. O produto pode aderir às tubulações e contribuir para a formação de bloqueios.
Depois de utilizado, o óleo deve ser armazenado em um recipiente fechado, como uma garrafa PET ou de vidro. O material deve ser levado posteriormente a um ponto de coleta apropriado.
A recomendação evita que o produto seja lançado diretamente na rede de esgoto e permite que tenha uma destinação adequada.
Água da chuva deve ir para a rede de esgoto?
Outro erro que pode comprometer o sistema é direcionar a água da chuva para a rede de esgoto.
Durante períodos chuvosos, uma grande quantidade de água pode chegar simultaneamente às tubulações. Quando a drenagem pluvial é conectada de maneira inadequada ao sistema de esgotamento sanitário, ocorre uma sobrecarga que pode favorecer extravasamentos.
A água recolhida pelas calhas das residências deve ser direcionada à rede de drenagem. Nos locais onde não existe sistema de drenagem disponível, a orientação apresentada no material é direcioná-la para a rua, conforme as condições do imóvel e da infraestrutura existente.
O cuidado com aquilo que é descartado nas tubulações, portanto, começa em ações simples dentro de casa. Separar o lixo, não despejar óleo na pia e evitar que objetos sejam jogados no vaso sanitário são medidas que ajudam a preservar o funcionamento da rede e a reduzir problemas provocados pelo acúmulo de resíduos.




