Uma baleia-jubarte macho, com aproximadamente 15 metros de comprimento, segue encalhada na Praia de Redonda, em Icapuí, no litoral do Ceará, após ser encontrada morta nesta sexta-feira (18). A presença do animal havia sido comunicada à Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis) na tarde de quinta-feira (17), quando a baleia ainda estava à deriva no mar, a cerca de três quilômetros da costa.
Após chegar ao local, a equipe do Programa de Mamíferos Marinhos da Aquasis realizou uma avaliação da carcaça. O animal já apresentava um elevado estado de decomposição, o que limita a possibilidade de identificar imediatamente as circunstâncias da morte.
Mesmo diante dessa condição, os profissionais conseguiram realizar a biometria e algumas coletas de material para análises posteriores. A avaliação confirmou que se tratava de um macho com cerca de 15 metros de comprimento.
O caso chamou a atenção de moradores e frequentadores da Praia de Redonda, especialmente pela dimensão do animal. A Aquasis, no entanto, reforçou que a curiosidade não deve levar as pessoas a entrar na água nas proximidades da carcaça ou tocar na baleia.
Baleia-jubarte encalhada foi encontrada em estado avançado de decomposição
Arthur, integrante do Programa de Mamíferos Marinhos da Aquasis, explicou que a equipe precisou aguardar condições adequadas da maré para fazer a avaliação da carcaça.
"Infelizmente, ela já se encontra em um elevado estado de decomposição. Mesmo assim, foram feitas algumas coletas para análises posteriores e também foi feita a biometria", afirmou.
A partir das medições realizadas pelos técnicos, foi constatado que o animal tinha aproximadamente 15 metros de comprimento. A identificação também confirmou o sexo masculino.
O estado de decomposição é um dos fatores que dificultam a análise das causas que levaram à morte do animal. Por isso, os materiais coletados deverão ser submetidos a análises posteriores, que podem contribuir para a investigação do caso.
Neste momento, a causa da morte não foi informada.
A carcaça permanece na região da Praia de Redonda, e os próximos procedimentos dependem de orientações dos órgãos responsáveis. Segundo a Aquasis, ainda será necessário aguardar as informações das autoridades competentes para definir como será realizado o descarte da carcaça.
Aquasis alerta para risco de aproximação da carcaça
Apesar de a baleia estar morta, a recomendação da Aquasis é que a população não se aproxime do animal. A orientação vale especialmente para quem estiver na praia ou tiver acesso à água nas proximidades da carcaça.
Arthur destacou que não é possível saber, neste momento, o que provocou a morte da baleia e que o processo de decomposição pode liberar secreções no ambiente.
"Não se aproximar, a gente pede para as pessoas não encostarem no animal, não ficarem na água próximo dele, porque a gente não sabe do que esse animal morreu", orientou o integrante da equipe.
Segundo ele, também existe a possibilidade de o animal liberar substâncias na água durante a decomposição. Por isso, o contato direto deve ser evitado.
"E aí também ele pode estar expelindo secreções na água e isso pode ser perigoso para quem estiver próximo", acrescentou.
A orientação é observar o animal à distância e evitar qualquer tentativa de tocar, subir na carcaça ou entrar no mar nas proximidades.
A recomendação é importante também porque encalhes de grandes mamíferos marinhos despertam naturalmente a curiosidade de moradores, turistas e pessoas que circulam pela faixa de areia. A dimensão da baleia pode fazer com que o público se aproxime para fotografar ou observar o animal.
A equipe de educação socioambiental da Aquasis também esteve na área para orientar as pessoas sobre o ocorrido.
"Ninguém deve, de maneira nenhuma, se aproximar e muito menos encostar", reforçou Arthur.
O que a Aquasis fez após encontrar a baleia em Icapuí
O acompanhamento do caso começou ainda na quinta-feira (17), quando a presença da baleia foi comunicada à Aquasis. Naquele momento, o animal estava à deriva no mar, aproximadamente três quilômetros distante da costa.
O pescador Jailson José também registrou a presença da baleia. Ele percebeu o animal de longe e utilizou uma embarcação artesanal para se aproximar e verificar a situação.
Com a chegada da equipe especializada à Praia de Redonda, os profissionais fizeram a avaliação da carcaça e aguardaram as condições da maré para realizar os procedimentos necessários.
A biometria permitiu confirmar o tamanho aproximado de 15 metros. Além disso, foram realizadas coletas de material para análises posteriores, mesmo com o avançado processo de decomposição.
O trabalho é importante porque informações obtidas a partir de animais encontrados mortos podem contribuir para o monitoramento da fauna marinha e para a compreensão das causas de mortalidade de mamíferos marinhos.
Neste caso específico, entretanto, ainda não há uma conclusão sobre a causa da morte.
Os procedimentos seguintes também não foram definidos pela Aquasis de forma isolada. A instituição informou que aguarda orientações dos órgãos responsáveis para saber como será conduzida a destinação da carcaça.
Como comunicar o encalhe de mamíferos marinhos no Ceará
A Aquasis orienta que a população comunique à instituição sempre que encontrar mamíferos marinhos vivos ou mortos no litoral cearense.
A comunicação permite que equipes especializadas sejam acionadas para avaliar a situação e definir os procedimentos adequados para cada ocorrência.
Os contatos disponibilizados pela organização são:
- Telefone e WhatsApp: (85) 99800-0109
- Telefone: (85) 3113-2137
A recomendação é informar a localização do animal e, principalmente, evitar o contato físico enquanto aguarda a orientação dos profissionais.
A atuação da Aquasis é voltada à pesquisa e à conservação dos ecossistemas aquáticos. A organização foi fundada em Fortaleza há 30 anos por estudantes e professores universitários da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Ao longo de sua trajetória, a entidade desenvolveu trabalhos relacionados à conservação de espécies ameaçadas de extinção e recebeu reconhecimentos nacionais e internacionais por suas ações.
Entre os prêmios está o Prêmio Nacional da Biodiversidade, concedido pelo Ministério do Meio Ambiente em 2017. A instituição também recebeu, em 2010, o Future for Nature Award, concedido pela Future for Nature Foundation, organização sediada na Holanda.
O caso da baleia-jubarte encontrada em Icapuí passa agora para uma nova etapa. Depois das primeiras avaliações e coletas realizadas pela equipe especializada, a definição sobre a destinação da carcaça deverá ocorrer a partir das orientações dos órgãos responsáveis.
Enquanto isso, a principal recomendação para quem estiver na Praia de Redonda é manter distância do animal. A Aquasis reforça que a observação deve ser feita sem contato com a carcaça e sem permanência na água próxima à baleia.
VEJA FOTOS DA BALEIA-JUBARTE ENCALHADA EM ICAPUÍ/CE:








