Para aqueles que acompanham a National Basketball Association (NBA), é óbvio que o jogo mudou completamente em estratégia, treinamento e expectativa de jogadores já presentes na liga e para futuros profissionais. Mas o que muitos dos que começaram a acompanhar a liga americana a mais tempo ou mais recentemente reparam é uma coisa: o volume enorme de bolas de três arremessadas todas as partidas de temporada regular e playoffs.
Porém, você sabe o que, ou melhor quem é responsável por isso? O culpado tem nome e sobrenome: Stephen Curry. Que tal entender como tudo isso começou?
A adição da linha de três na NBA
A primeira liga profissional a adicionar o arco na quadra de basquete foi a ABL, American Basketball League, no ano de 1961, 18 anos antes da NBA. Quando chegou a maior liga de basquete do mundo, o nome que definiu o que seria um arremessador de elite dessa nova linha era o Celta Larry Bird, que na primeira temporada com a distância dos três pontos, acertou 40% desses arremessos. Como 3 vale mais que 2, mais jogadores começaram a arremessar para três, mas eram pouquíssimos que conseguiam sequer chegar a mesma porcentagem de Bird.
O arremessador mais consistente da liga
Foi quando, na década de 90, a escolha número 50 do segundo dia de draft da NBA, Steve Kerr, passou a fazer história nos times de estrelas graças ao que viria a ser sua marca registrada: consistência. Kerr encerrou sua carreira como jogador com a melhor porcentagem de três da história, com 45,4%, marca que até hoje nenhum jogador consegui superar. Kerr também é penta campeão enquanto jogador, tendo sido peça do tricampeonato do Chicago Bulls na segunda passagem de Michael Jordan e bicampeão pelo San Antonio Spurs de Tim Duncan. Após terminar sua carreira como jogador, Kerr recebeu um cargo como técnico principal do Golden State Warriors em 2014, com a missão de construir um elenco em torno de um jogador de tornozelos frágeis, pequeno e esguio: Stephen Curry, a sétima (7ª) escolha do draft de 2009.
Kerr, vendo que o armador de 1,88m acertava mais de 40% pra três desde que entrou na liga, mesmo que com um volume relativamente baixo, Decidiu que o time se formaria entorno dessa arma. O treinador então atuou de maneira direta a mudar o ritmo do time de São Francisco para ser focado no arremesso de três e com o passar dos anos trouxe peças complementares. as mais importantes sendo conseguir Klay Thompson, escolha 11 do draft (evento onde jogadores são escolhidos por times) de 2011; Draymond Green, a escolha 35 do draft de 2012. e a troca por Andre Iguodala Com esses quatro, mais a adição de Kevin Durant no período de 2017 a 2019, Golden State foi a 5 finais e ganhou 4 títulos.
O fenômeno Curry
Até antes da estreia de Curry em 2009-10, times da NBA arremessavam de 18 a 22 bolas de três pontos por partida. Após o fenômeno do hoje líder histórico da liga em conversão desses arremessos e suas temporadas de MVP em 2013-15 e 2015-16, além da média de 9 bolas de três arremessadas e média de 43% na carreira, os times virão que essa era a nova fórmula. Hoje, enquanto esperamos a temporada 2026-27 começar, os times da liga americana passaram a arremessar 35 a 38 three-balls (bolas de três) por partida, praticamente dobrando.
Quando consideramos que um único jogador, jogando de uma maneira que ninguém jogou antes, chegou ao topo da maior liga de basquete do mundo, é fácil entender o porquê toda a associação decidiu acompanhar o ritmo da mudança. É por conta disso que vemos hoje jogadores como Victor Wembanyama, um pivô de mais de 2,20m de altura arremessando 7 bolas de três por partida, porquê Stephen Curry passou a cobrar de toda a liga que os principais jogadores de times que buscam vencer tudo, saibam, além de suas melhores qualidades, que saibam espaçar a quadra.




