Uma manifestação por justiça por Isabelle Caracristi reuniu professores, estudantes, servidores e integrantes da comunidade acadêmica da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) nesta terça-feira (22), em Sobral, na região norte do Ceará. O ato começou às 9h, no Pátio do Campus Betânia, em frente à Reitoria da universidade.
A mobilização teve como foco o apoio à professora Isorlanda Caracristi, mãe de Isabelle, e o pedido por esclarecimentos sobre a morte da jovem de 22 anos, encontrada morta em um condomínio na Aldeota, em Fortaleza.
Organizado pelo Sindicato dos Docentes da UVA (SINDIUVA), pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e pela comunidade acadêmica, o ato recebeu o lema “Justiça por Isabelle Caracristi”. A mobilização também abordou a defesa da vida, da segurança e dos direitos das mulheres.
Manifestação reúne comunidade da UVA por justiça para Isabelle
A manifestação teve participação de estudantes, professores, servidores e outros integrantes da universidade. A proposta era prestar solidariedade à professora Isorlanda e aos familiares de Isabelle e dar visibilidade ao caso.
O ato também colocou em discussão o enfrentamento à violência contra as mulheres, além da defesa do respeito, da segurança e da dignidade feminina.
A mobilização ocorre enquanto a família aguarda novos esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte da estudante. A investigação segue em andamento em Fortaleza.
O que se sabe sobre a morte de Isabelle Caracristi
Isabelle Caracristi tinha 22 anos e cursava Direito. Ela foi encontrada morta na noite de 13 de setembro, na área externa do condomínio onde morava na Aldeota, em Fortaleza.
O caso é investigado pela Polícia Civil do Ceará, com participação da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). Desde a localização do corpo, os investigadores realizaram diferentes diligências para tentar reconstruir os acontecimentos que antecederam a morte.
O laudo cadavérico apontou politraumatismo, com lesões compatíveis com impacto contra o solo. Exames laboratoriais não identificaram substâncias de interesse toxicológico.
Esses resultados não estabeleceram, isoladamente, como ocorreu a queda. A dinâmica da morte depende da análise conjunta dos elementos reunidos durante a investigação.
Câmeras e celulares fazem parte da investigação
As câmeras de segurança do condomínio também estão sendo analisadas pela Polícia Civil. As imagens permitiram estabelecer uma cronologia das movimentações de Isabelle e de João Munhoz Neto, namorado da estudante.
O conteúdo das gravações continua sendo confrontado com outros elementos da investigação. O objetivo é verificar se os horários e movimentos registrados são compatíveis com os vestígios encontrados.
O celular de Isabelle também passou por perícia. As informações armazenadas no aparelho estão entre os dados examinados pelos investigadores.
Além disso, quatro pessoas já haviam sido ouvidas, enquanto outras foram chamadas para prestar depoimento. A Polícia Civil também realizou novas diligências relacionadas à família de João.
João Munhoz Neto é preso
Um dos principais desdobramentos recentes do caso envolve João Munhoz Neto. A Polícia Civil pediu a prisão preventiva do namorado de Isabelle, que foi preso no mesmo dia, nesta terça-feira (22).
A mãe de João foi localizada em Cumbuco, em Caucaia, durante uma diligência que contou com mandado de busca e apreensão. Um celular e um tablet foram apreendidos para análise pericial.
Família relata possíveis episódios de violência
Durante os depoimentos e manifestações públicas sobre o caso, familiares de Isabelle também apresentaram relatos relacionados ao relacionamento da jovem.
A mãe da estudante, Isorlanda Caracristi, afirmou que percebia comportamentos que considerava controladores. Ela também relatou episódios envolvendo o cartão de crédito da filha e uma suposta intenção de colocar uma empresa no nome da estudante.
Essas informações foram apresentadas pela mãe e não constituem, por si só, conclusões da investigação sobre a morte.
As advogadas que representam a família também afirmaram que pessoas ouvidas relataram possível violência psicológica. A defesa ressaltou que os relatos ainda precisam ser analisados e confirmados antes de serem tratados como fatos estabelecidos.
A Delegacia da Mulher passou a participar das diligências, em uma atuação conjunta com outras unidades especializadas da Polícia Civil.
Denúncias para a polícia
A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.




