O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania brasileira e criticou a influência de potências estrangeiras sobre países da América Latina durante o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22). Ao abordar a relação da região com os Estados Unidos, Lula afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
A declaração ocorreu durante o trecho do discurso dedicado à América Latina e ao Caribe. Lula afirmou que a proximidade geográfica com os Estados Unidos é uma realidade que não pode ser ignorada, mas criticou o que chamou de “recrudescimento de tentações hegemônicas”.
Na sequência, o presidente defendeu que os países da região mantenham autonomia para definir seus próprios caminhos. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”
A frase foi usada por Lula no contexto de uma defesa mais ampla da soberania dos países latino-americanos. A declaração foi registrada também por veículos que acompanharam o discurso e ganhou destaque na cobertura da participação brasileira na Assembleia Geral.
Lula fala em “tentações hegemônicas” na América Latina
Antes de mencionar o Brasil, Lula afirmou que a proximidade da América Latina e do Caribe com a “maior potência militar do mundo” é inevitável, especialmente diante do cenário internacional atual.
O presidente não citou os Estados Unidos nominalmente na frase, mas a referência foi interpretada no contexto de sua fala sobre a relação da região com a potência norte-americana. A matéria do UOL também enquadrou a declaração como um recado aos EUA.
Depois da frase sobre o Brasil, Lula afirmou que o país precisa de parceiros com uma agenda voltada ao desenvolvimento.
Ele também disse que diferenças ideológicas não devem impedir uma maior integração entre os países vizinhos.
A defesa da soberania foi, portanto, apresentada por Lula junto à defesa de maior cooperação regional.
Presidente critica ingerência externa em eleições
Na sequência, Lula levou o tema para a democracia e os processos eleitorais.
O presidente afirmou que a América Latina voltou a presenciar “ingerência externa em processos eleitorais” e criticou a divisão do mundo em zonas de influência. Segundo ele, investidas neocoloniais relacionadas a recursos estratégicos são práticas que não deveriam orientar as relações internacionais.
A fala ocorreu em um momento de atenção especial às eleições brasileiras de 2026. Mais adiante no discurso, Lula afirmou que o Brasil terá um processo eleitoral transparente e competitivo e defendeu a autonomia do sistema eleitoral brasileiro. A Folha registrou que o presidente criticou a ingerência externa sem mencionar diretamente os Estados Unidos.
Ao concluir sua fala sobre o tema, Lula afirmou que “a democracia brasileira pertence aos brasileiros” e que o país continuará sendo soberano.
Lula cita Venezuela e Nicarágua
O presidente também utilizou o trecho dedicado à soberania para mencionar situações políticas de outros países da região.
Sobre a Venezuela, Lula afirmou que o povo venezuelano deve ter o direito de definir o próprio destino.
Ao falar da Nicarágua, disse que o país não resolverá seus problemas impedindo a oposição de participar das eleições.
O Haiti também foi citado no discurso, com Lula afirmando que a crise no país continua testando os limites da indiferença da comunidade internacional.
Em relação a Cuba, o presidente criticou o embargo econômico e o que classificou como “cerco energético”, afirmando que a população cubana sofre as consequências dessas medidas.
Discurso na ONU também aborda relação com os EUA
A defesa da soberania foi apenas um dos pontos em que Lula tratou, ainda que indiretamente, da relação com os Estados Unidos.
Em outras partes do discurso, o presidente criticou o uso de tarifas como instrumento de coerção e chantagem e afirmou que o Brasil precisa de parceiros para promover o desenvolvimento.
Lula também falou sobre segurança pública e rejeitou a ideia de que o combate ao crime organizado no Brasil dependa da presença de forças militares estrangeiras. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas.”
Segundo o presidente, o caminho defendido pelo Brasil é a cooperação internacional para interromper o fluxo de armas e dinheiro que abastece organizações criminosas.
Ele afirmou ainda que apresentou pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos uma proposta relacionada ao combate à lavagem de dinheiro praticada por criminosos brasileiros no exterior.




