O Ceará é o maior exportador brasileiro de pescados e também ocupa posição de destaque nacional na produção e comercialização de lagosta. Cerca de 60% de toda a lagosta capturada no Brasil vem do Estado, segundo informações apresentadas pelo setor. Parte dessa produção abastece supermercados, hotéis, restaurantes e feiras cearenses, enquanto outra parcela segue para outros estados e para o mercado internacional.
Por trás do pescado que chega à mesa existe uma cadeia produtiva que começa no mar ou nos viveiros e envolve pescadores, produtores, indústrias, trabalhadores do processamento, empresas de transporte e estabelecimentos comerciais. No Ceará, esse conjunto de atividades transforma os recursos pesqueiros em produtos destinados tanto ao consumo interno quanto à exportação.
O processo inclui etapas como corte, congelamento, fracionamento e embalagem. Depois de industrializado, o pescado pode seguir para supermercados, hotéis e restaurantes ou ser transportado para outros mercados. A atividade também coloca o Ceará em uma posição relevante no comércio de produtos do mar.
O empresário Oziná Costa explica que a indústria recebe diferentes espécies e realiza o processamento antes da distribuição. “A gente compra o produto do mar. E aqui a gente processa, produz e embala pra mandar pra hotéis, restaurantes e principalmente supermercados”, afirma.
Entre as espécies trabalhadas estão tilápia, salmão, pescada-amarela, pescada-colmina, beijupirá e galo-do-alto. A variedade mostra como a cadeia não está restrita à lagosta e ao camarão, embora esses dois produtos tenham forte importância econômica para o Estado.
Ceará se destaca na produção de lagosta
A lagosta é um dos principais símbolos da produção pesqueira cearense e tem forte presença tanto no mercado interno quanto nas exportações. De acordo com os dados apresentados pelo setor, o Brasil possui uma cota de captura de 6.192 toneladas, enquanto o Ceará produz aproximadamente 3 mil toneladas.
A participação do Estado é significativa dentro do volume nacional. Cerca de seis em cada dez toneladas de lagosta capturadas no país têm origem no Ceará, considerando a estimativa de 60% apresentada durante a reportagem.
A atividade também envolve uma característica importante: a participação de pequenas embarcações. Segundo as informações apresentadas, entre 80% e 90% das embarcações utilizadas na captura da lagosta são paquetes e jangadas.
A realidade contrasta com a percepção de que a pesca de lagosta seria realizada predominantemente por grandes embarcações. “Quando você fala da captura da lagosta, às vezes a pessoa pensa: são grandes embarcações. Não. 80 a 90% das embarcações são os paquetes, são jangadas também que capturam essa lagosta”, explica o setor.
A presença dessas pequenas embarcações demonstra a dimensão da cadeia produtiva ligada à pesca e a importância da atividade para comunidades que dependem diretamente dos recursos do mar.
Pescado produzido no Ceará abastece mercado interno e exterior
Embora parte da produção seja destinada ao mercado internacional, nem todo o pescado produzido ou capturado no Ceará deixa o Estado. Uma parcela é comercializada localmente e chega diretamente aos consumidores por meio de supermercados, hotéis, restaurantes e feiras.
Essa circulação cria uma cadeia econômica que vai muito além da atividade realizada no mar. Depois da captura ou da produção em viveiros, o pescado precisa ser beneficiado, armazenado, transportado e comercializado.
O processamento é uma das etapas que agrega valor ao produto. É nesse momento que o pescado recebe cortes específicos, passa por congelamento, é fracionado e embalado para chegar ao consumidor ou ao comprador em outras regiões.
O Porto de Fortaleza também aparece nesse circuito como ponto de saída de produtos destinados a outros países. A estrutura logística permite que pescados processados no Ceará alcancem mercados localizados fora do Estado.
A atividade, portanto, conecta diferentes setores da economia. O pescador está na origem da cadeia, mas o produto depende de uma sequência de outras atividades até chegar à mesa ou ao mercado internacional.
Camarão importado aumenta concorrência para produtores
Apesar da força do Ceará na produção e exportação de pescados, o setor enfrenta desafios. Um deles é a concorrência com produtos importados, especialmente o camarão proveniente do Equador.
Segundo as informações apresentadas na reportagem, o país sul-americano possui uma área territorial próxima à do Ceará e uma produção de camarão estimada em cerca de 1.500 toneladas. A entrada desse produto no mercado brasileiro é apontada pelo setor como uma dificuldade para produtores locais.
O principal fator citado é a diferença de preço. “Esse camarão que vem, que é importado, ele compete, que vem com preço mais baixo. Então, isso é uma dificuldade que nós temos”, afirma o entrevistado.
A concorrência afeta diretamente a comercialização do produto produzido no Estado. Quando o pescado importado chega ao mercado com preços menores, produtores e empresas cearenses precisam disputar espaço nas prateleiras e nos estabelecimentos que comercializam o alimento.
O tema também envolve uma discussão sobre a competitividade da cadeia produtiva. Para o setor, manter a produção local exige condições que permitam aos produtores enfrentar a concorrência de mercadorias vindas de outros países.
Cadeia do pescado movimenta diferentes atividades
A importância econômica do pescado no Ceará não se limita ao valor obtido com a venda do produto final. A atividade envolve uma cadeia formada por diferentes profissionais e empresas.
A pesca e a aquicultura estão na origem da produção. Depois, entram em cena as unidades de beneficiamento, trabalhadores responsáveis pelo processamento, empresas de embalagem e transporte e os estabelecimentos que colocam o produto à disposição do consumidor.
Quando há exportação, a cadeia ainda depende da estrutura logística necessária para transportar o pescado até outros países. Dessa maneira, um produto capturado no litoral cearense pode chegar a consumidores que estão a milhares de quilômetros do Estado.
O mercado interno também possui papel importante. Supermercados, restaurantes, hotéis e feiras absorvem parte da produção e mantêm o pescado presente na alimentação cotidiana dos cearenses.
Essa diversidade de destinos ajuda a explicar por que a atividade pesqueira precisa ser analisada como uma cadeia econômica completa, e não apenas como uma atividade de captura.
Preservação do oceano é desafio para setor pesqueiro
O crescimento da atividade pesqueira e aquícola também está diretamente relacionado à conservação dos recursos naturais. Como boa parte da produção depende do mar, a preservação dos oceanos é apontada como uma condição para a continuidade da própria atividade econômica.
A preocupação está relacionada à necessidade de manter os recursos pesqueiros disponíveis e preservar o ambiente de onde vem parte importante da produção.
“A gente tem que preservar o oceano. Os oceanos, eles são frágeis, ele é vivo. Se ele adoecer, você pode ter certeza que a economia que depende dele vai adoecer também e pode até morrer”, destaca o entrevistado.
A declaração resume um dos principais desafios para o setor: conciliar produção e preservação. A pesca depende diretamente da saúde dos ecossistemas marinhos, e qualquer desequilíbrio pode afetar a disponibilidade de espécies e, consequentemente, toda a cadeia econômica construída ao redor delas.
No caso do Ceará, essa relação ganha ainda mais importância diante da relevância do Estado na produção nacional de lagosta e na exportação de pescados.
Do mar cearense para o mercado internacional
O caminho percorrido pelo pescado até chegar ao consumidor envolve uma série de etapas que muitas vezes não são percebidas por quem compra o produto pronto. Entre a captura ou criação e a chegada à mesa estão o processamento, o congelamento, a embalagem, a logística e a comercialização.
No Ceará, esse percurso pode começar em uma pequena embarcação, passar por uma indústria de beneficiamento e terminar em um supermercado, restaurante ou hotel. Em outros casos, o produto segue para outro Estado ou para o mercado internacional.
A força da cadeia também está na diversidade de espécies comercializadas. Além da lagosta e do camarão, o setor trabalha com peixes como tilápia, salmão, pescada-amarela, pescada-colmina, beijupirá e galo-do-alto.
Com o Ceará na liderança nacional das exportações de pescados e com uma participação expressiva na produção brasileira de lagosta, a atividade mantém uma conexão direta entre o litoral, a indústria, o comércio e os consumidores.
O desafio para os próximos anos passa pela manutenção dessa cadeia diante da concorrência internacional e pela preservação dos recursos naturais que sustentam a atividade. Para um setor cuja produção começa no mar, a conservação do ambiente marinho não é apenas uma questão ambiental, mas também uma condição para a continuidade da economia ligada à pesca e à aquicultura.




