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POLÍCIA CIVIL

João Munhoz revela à polícia o que Isabelle Caracristi contou horas antes de morrer

Em depoimento à Polícia Civil, namorado disse que recebeu mensagem em que estudante relatava não estar suportando a dor e sentir uma sensação estranha

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João Munhoz voltou ao condomínio e procurou celular de Isabelle Caracristo após a queda, diz polícia
Isabelle foi encontrada morta em um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza, na última semana. A polícia investiga a atuação de João Munhoz Neto, que era namorado dela. Foto: Reprodução

O depoimento de João Munhoz Neto à Polícia Civil trouxe detalhes sobre a última conversa que ele afirma ter tido com Isabelle Caracristi antes da morte da estudante. Segundo o relato prestado pelo namorado, enquanto ele estava em uma missa na noite de 13 de setembro, Isabelle enviou mensagens dizendo que estava com fortes dores no pescoço e, posteriormente, que não estava suportando a situação e sentia uma sensação estranha.

De acordo com o termo de declaração, João afirmou que a última mensagem foi enviada entre 19h14 e 19h16. O conteúdo, segundo ele, foi: “Realmente eu não estou aguentando. Estou sentindo uma sensação estranha”.

Leia também: Do início do namoro à tragédia: relação de João Munhoz e Isabelle Caracristi durou cerca de um mês

O depoimento foi prestado na noite de segunda-feira (21), na presença da advogada Ana Lígia Peixe Laranjeira. João apresentou à Polícia Civil o próprio celular e forneceu a senha de acesso ao aparelho. Ele foi preso preventivamente na terça-feira (22), e a prisão foi mantida após audiência de custódia.

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João relata mensagem enviada por Isabelle antes da queda

Segundo João, Isabelle havia retornado ao apartamento por volta das 17h50 do dia 13 de setembro. Ele afirmou que a recebeu com um abraço e que ela entrou no quarto para descansar.

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Ainda de acordo com o depoimento, os dois conversaram sobre a possibilidade de levá-la a um hospital por causa da dor no pescoço. João afirmou que pretendia levá-la ao atendimento médico depois que retornasse da missa.

O depoente disse que iria sozinho à Igreja de Fátima e que Isabelle permaneceria no apartamento. Segundo ele, a estudante teria perguntado quanto tempo ele demoraria, mencionado que faria bolo e ravióli e comentado que uma tia passaria pelo condomínio para entregar alguns itens.

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João afirmou que saiu de Uber e chegou à igreja por volta das 18h40. Ele relatou ter permanecido no local para participar de duas missas.

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Durante a celebração, segundo a versão apresentada à polícia, manteve contato com Isabelle em duas ocasiões. Na primeira, ela teria relatado que sentia muita dor. João disse que respondeu que a levaria ao hospital quando voltasse.

Depois, entre 19h14 e 19h16, teria recebido a mensagem sobre a sensação estranha.

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Câmeras mostram Isabelle seguindo sozinha para o rooftop

A versão apresentada por João é analisada pela Polícia Civil em conjunto com as imagens de segurança do condomínio.

Os registros já analisados mostram Isabelle chegando ao prédio no fim da tarde e, posteriormente, seguindo sozinha para o 23º andar. Uma das imagens mostra a estudante dentro do elevador, com o celular na mão, antes de chegar ao rooftop.

O local não possui câmeras de segurança. Segundo o perito-geral da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), Júlio Torres, o rooftop nunca teve equipamento de monitoramento.

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As câmeras instaladas em outros pontos do condomínio, entretanto, registraram a trajetória da queda. A perícia afirmou que esses registros ajudaram a estabelecer a dinâmica da precipitação.

Segundo Júlio Torres, o laudo criminal aponta uma precipitação voluntária, em posição vertical. A análise pericial calculou em aproximadamente três segundos o tempo da queda até o contato com o solo.

A Polícia Civil informou ainda que não identificou, nas imagens disponíveis, movimentação de outra pessoa acompanhando Isabelle até o rooftop. A ausência de câmera no próprio local, porém, impede o registro direto do que ocorreu naquele espaço.

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João diz que não percebeu risco de suicídio

No depoimento, João afirmou que não interpretou a mensagem enviada por Isabelle como um sinal de que ela poderia tirar a própria vida.

Segundo ele, o telefone permaneceu no modo silencioso durante a missa. O depoente disse que pretendia concluir a celebração por volta das 21h ou 21h30 e, depois, retornar ao apartamento para levar Isabelle ao hospital.

João afirmou que Isabelle já havia permanecido sozinha no apartamento em outras ocasiões e que, naquele momento, não imaginou que ela estivesse em risco.

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O corpo da estudante foi encontrado por volta das 20h40, antes do horário que João afirmou ter planejado retornar.

Segundo o depoimento, ele recebeu a notícia por volta das 21h40 ou 21h45, quando o irmão, Paulo Roberto, telefonou para informar que havia ocorrido uma morte no condomínio.

João conta o que fez após saber da morte

Ainda de acordo com o depoimento, João estava na região da Igreja de Fátima quando recebeu a ligação. Ele afirmou que seguiu de Uber até a Rodoviária de Fortaleza e, posteriormente, foi buscado pelo irmão.

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O grupo chegou ao condomínio por volta das 22h, segundo a versão apresentada à polícia. João afirmou que viu o rabecão e procurou a portaria para saber quem era a vítima.

Ele relatou ter sido informado por um policial militar de que havia a possibilidade de a vítima ser alguém da residência dele.

João disse que subiu ao apartamento acompanhado por policiais e pela perícia. Segundo o depoimento, ele abriu o imóvel e colaborou com as buscas.

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O investigado afirmou que pediu que procurassem o celular de Isabelle e autorizou a verificação dos cômodos. Também declarou que evitou tocar nos objetos que estavam no apartamento.

O corpo não foi reconhecido por João. Segundo ele, o irmão realizou o reconhecimento porque não queria guardar a imagem de Isabelle morta.

Depoimento traz versão de João sobre relacionamento

No termo de declaração, João também foi questionado sobre como conheceu Isabelle e sobre o relacionamento entre os dois.

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Ele afirmou que os dois se conheceram em um escritório de correspondência jurídica onde trabalhava como gestor. Segundo sua versão, Isabelle participou de um processo seletivo e começou a trabalhar no local posteriormente.

João negou que existisse relacionamento amoroso antes da contratação. Ele disse que a aproximação aconteceu depois que Isabelle começou a trabalhar e estimou que o namoro tenha durado entre 28 e 32 dias.

O investigado também negou ter praticado assédio, agressões ou ameaças contra Isabelle.

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Ao falar sobre a convivência, João relatou que havia conflitos entre os dois e afirmou que tentava acalmar a estudante quando ela se exaltava. Essas afirmações fazem parte exclusivamente da versão apresentada por ele à Polícia Civil.

O depoimento também aborda a mudança gradual de Isabelle para o apartamento dele. Segundo João, a estudante teria sugerido permanecer no imóvel por causa da distância entre a faculdade, o trabalho e a residência onde morava com a família.

João relata questões financeiras envolvendo Isabelle

Outro trecho do depoimento trata de dinheiro e supostos investimentos.

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João afirmou ter entregue R$ 14.035 a Isabelle durante o relacionamento para aplicações que ele chamou de “velas”. Segundo ele, não sabia exatamente se a modalidade correspondia a uma pirâmide, jogo ou outro tipo de operação.

O depoente também afirmou que a própria mãe entregou dinheiro a Isabelle e que o valor inicialmente informado teria sido de R$ 2 mil, mas posteriormente chegado a R$ 7 mil.

Segundo João, Isabelle mostrava pelo celular supostos resultados dos investimentos e dizia que poderia obter retornos em poucos dias. Ele relatou ainda que, em determinado momento, ela teria informado possuir R$ 1,5 milhão e mostrado na tela um valor de US$ 300 mil.

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João disse à polícia que não sabe se os valores exibidos eram verdadeiros, falsos ou produzidos por inteligência artificial.

O depoimento também registra que ele negou ter pedido o cartão de crédito de Isabelle ou sugerido a abertura de uma empresa em nome dela. Essas informações divergem de relatos apresentados anteriormente pela mãe da estudante, Isorlanda Caracristi, que havia afirmado que João teria pedido o cartão e manifestado interesse em colocar uma empresa no nome da filha.

Perícia não encontrou sinais de agressão anterior à queda

Além das imagens, a Polícia Civil e a Pefoce analisam os resultados dos exames realizados após a morte.

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O perito-geral Júlio Torres afirmou que as lesões encontradas no corpo foram compatíveis com o impacto de alta energia contra o solo. Segundo ele, não foram identificadas lesões no pescoço ou nos braços que caracterizassem agressões anteriores à queda.

Os exames toxicológicos e de álcool também tiveram resultados negativos, conforme informado pela perícia.

O exame médico-legal também descartou gravidez. A informação corrige uma declaração feita anteriormente por familiares, que haviam informado que Isabelle estaria grávida.

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A conclusão pericial sobre a dinâmica da queda, porém, não encerra a investigação sobre o contexto que antecedeu a morte.

Polícia investiga o que aconteceu antes da morte

A Polícia Civil mantém diferentes frentes de investigação para esclarecer o período anterior à queda e verificar eventual participação de terceiros.

Entre as possibilidades analisadas está eventual induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio. A representação pela prisão preventiva de João considerou essa linha investigativa.

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A Polícia também analisa os horários em que João esteve no apartamento, o momento em que deixou o condomínio, o período em que permaneceu fora e o horário de seu retorno.

Outro ponto investigado é uma câmera que teria sido instalada próxima à porta do apartamento. A perícia identificou uma estrutura que pode indicar a existência anterior de um equipamento, mas ainda não foi possível determinar quando ele foi retirado ou quem fez a remoção.

O celular de Isabelle também é submetido a análises. O aparelho foi danificado na queda, e parte dos dados foi recuperada. A investigação identificou ainda uma lacuna de aproximadamente 19 horas nos registros disponíveis, mas a ausência desses dados, isoladamente, não permite concluir que houve apagamento intencional.

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João Munhoz permanece preso preventivamente

João Munhoz Neto foi preso preventivamente pela Polícia Civil na terça-feira (22). A prisão foi mantida após a audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (23).

A prisão ocorre enquanto o inquérito continua em andamento. Conforme informado pela Polícia Civil, ainda não há um indiciamento definitivo, e a investigação deverá apontar ao final quais condutas eventualmente poderão ser atribuídas ao investigado.

A defesa de João contesta o envolvimento dele na morte de Isabelle e sustenta a versão de que a estudante teria cometido suicídio. O conteúdo do depoimento apresentado à polícia representa a versão do próprio investigado e será confrontado com os demais elementos reunidos no inquérito.

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Relembre o caso Isabelle Caracristi

Isabelle Caracristi tinha 22 anos e era estudante de Direito. Ela foi encontrada morta no pátio do condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza, no dia 13 de setembro.

A investigação aponta que ela chegou ao condomínio no fim da tarde e, posteriormente, subiu sozinha ao 23º andar. João, segundo as imagens analisadas, deixou o local antes da queda e retornou posteriormente, por volta das 22h48.

Antes da morte, Isabelle também manteve contato com familiares. A mãe, Isorlanda, relatou ter recebido uma mensagem da filha com a frase “Mãe, eu te amo”.

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A investigação também analisa um áudio de aproximadamente 16 minutos enviado por Isabelle ao primo Alessandro Ferreira Caracristi. Segundo o depoimento do familiar, ela teria relatado conflitos com João e pedido que a gravação fosse entregue à polícia caso algo acontecesse com ela.

A Polícia Civil reúne esses relatos, as imagens do condomínio, os dados dos celulares, os depoimentos e os laudos periciais para reconstruir as circunstâncias da morte.

O depoimento de João acrescenta à investigação a versão dele sobre as últimas horas de Isabelle e, principalmente, sobre a mensagem enviada entre 19h14 e 19h16. A apuração continua para confrontar esse relato com os demais elementos do inquérito.

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Denúncias para a polícia

A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.


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