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PEFOCE

Rooftop de onde Isabelle Caracristi caiu não tinha câmera de segurança, informa perícia

Perito-geral da Pefoce afirmou que o local nunca teve equipamento; outras câmeras registraram a trajetória da queda e foram usadas para analisar a dinâmica

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Rooftop de onde Isabelle Caracristi caiu não tinha câmera de segurança, informa perícia
Isabelle foi encontrada morta em um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza, na última semana. Foto: Reprodução

O rooftop do condomínio onde Isabelle Caracristi, de 22 anos, morreu após uma queda do 23º andar não tinha câmeras de segurança para registrar o que aconteceu no local. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (23) pelo perito-geral da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), Júlio Torres, durante coletiva sobre a investigação.

Segundo o perito, o rooftop, área localizada na cobertura do prédio, nunca teve equipamento de monitoramento. As câmeras existentes em outras áreas do condomínio, porém, registraram a trajetória da queda e foram utilizadas pela perícia para analisar a dinâmica da ocorrência. O laudo criminal apontou uma precipitação voluntária de Isabelle, na posição vertical.

Leia também: João Munhoz voltou ao condomínio e procurou celular de Isabelle Caracristi após a queda, diz polícia

A ausência de câmera no rooftop significa que não existe uma gravação do momento exato em que Isabelle deixou o local. Durante a coletiva, Júlio Torres também afirmou que, até o momento, a perícia não identificou elemento que ateste que outra pessoa tenha subido ao rooftop enquanto a estudante permaneceu no espaço.

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Rooftop não tinha câmera para registrar o momento da queda

A Polícia Civil analisou as imagens disponíveis no condomínio para reconstruir a movimentação dos moradores e visitantes nos ambientes que tinham equipamentos de monitoramento.

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O delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, afirmou que as equipes verificaram imagens dos elevadores, corredores e demais áreas monitoradas. Segundo ele, não foi identificada pelas câmeras movimentação de outra pessoa acompanhando Isabelle até o rooftop.

A perícia, entretanto, fez uma distinção entre o que ocorreu no rooftop e o que pôde ser registrado por equipamentos instalados em outros pontos. A câmera utilizada na análise da queda permitiu calcular elementos da trajetória do corpo. De acordo com Júlio Torres, a queda durou aproximadamente três segundos até o contato com o solo.

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A informação sobre a falta de uma câmera no rooftop delimita o que pode ser comprovado diretamente por imagens. A investigação precisa cruzar os registros externos ao local com depoimentos, dados de aparelhos eletrônicos e os demais elementos periciais.

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Perícia aponta precipitação voluntária de Isabelle

Durante a coletiva, o perito-geral da Pefoce afirmou que o laudo criminal aponta que Isabelle teve uma precipitação voluntária a partir do rooftop.

Júlio Torres explicou que uma das câmeras existentes no condomínio ajudou a corroborar a dinâmica analisada pela perícia. Segundo ele, o corpo atingiu um gradil durante a queda, provocando uma lesão grave na perna, e os elementos encontrados permitiram aos peritos calcular a trajetória e o tempo aproximado da precipitação.

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A conclusão técnica sobre a dinâmica da queda não encerra, por si só, a investigação sobre as circunstâncias que antecederam a morte. A Polícia Civil continua analisando o que aconteceu antes de Isabelle chegar ao rooftop e se houve alguma participação de terceiros no contexto que antecedeu a queda.

Polícia ainda investiga o que aconteceu antes da queda

Márcio Gutiérrez afirmou que a Polícia Civil analisou imagens do condomínio, conversas e outras informações obtidas durante a investigação. O delegado-geral disse que Isabelle permaneceu por um período no rooftop e manteve comunicação com outras pessoas por telefone e mensagens.

Os conteúdos dessas interações não foram divulgados pelas autoridades para não comprometer a investigação.

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A Polícia Civil também apura a movimentação de João Munhoz Neto no dia da morte. Entre os pontos analisados estão os horários em que ele esteve no apartamento, quando deixou o local, onde permaneceu durante o período em que ficou fora e quando retornou ao condomínio.

A investigação também considera a possibilidade de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio. Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, essa possibilidade integra as linhas analisadas pela Polícia Civil no contexto da prisão preventiva de João.

Perícia não identificou sinais de violência física

Além da dinâmica da queda, a perícia médico-legal avaliou o corpo de Isabelle em busca de elementos que pudessem indicar outras circunstâncias.

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Júlio Torres afirmou que não foram identificadas lesões no pescoço ou nos braços que, segundo a avaliação apresentada, caracterizassem agressões anteriores à queda. As lesões encontradas foram relacionadas ao impacto de alta energia contra o solo.

O perito também informou que o exame não apontou gravidez. Exames toxicológicos e de álcool tiveram resultados negativos, segundo as informações apresentadas durante a coletiva.

Dessa forma, a perícia não identificou ingestão de bebida alcoólica ou presença de drogas ou medicamentos nos exames mencionados pelo perito.

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Câmera retirada da porta do apartamento também é investigada

Outro equipamento entrou na apuração. Segundo Márcio Gutiérrez, a perícia identificou, em uma área próxima à porta do apartamento onde Isabelle morava, uma estrutura que indica que pode ter existido uma câmera naquele ponto.

A Polícia Civil ainda não conseguiu determinar quando o equipamento teria sido retirado nem quem fez a remoção. O delegado-geral afirmou que essa possibilidade não foi descartada e permanece sob análise.

A investigação também trabalha com informações obtidas de aparelhos eletrônicos. O celular de Isabelle foi danificado após a queda, e os peritos analisam os dados que puderam ser recuperados.

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Entre os elementos considerados pela Polícia Civil está uma lacuna de registros no aparelho durante parte das horas anteriores à morte. O intervalo, de aproximadamente 19 horas, vai das primeiras horas da madrugada até o horário estimado da queda. A ausência de registros, isoladamente, não permite concluir que houve apagamento intencional de informações.

A possibilidade de interferência na investigação e eventual destruição de provas também está entre os pontos que precisam ser esclarecidos.

João Munhoz Neto permanece preso preventivamente

João Munhoz Neto, de 34 anos, namorado de Isabelle, foi preso pela Polícia Civil na terça-feira (22). Nesta quarta-feira (23), ele passou por audiência de custódia, e a prisão preventiva foi mantida.

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A prisão ocorre enquanto a Polícia Civil continua investigando a morte da estudante e as circunstâncias anteriores à queda. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, ainda não há um indiciamento definitivo, e a investigação deverá definir ao final quais condutas eventualmente poderão ser atribuídas ao investigado.

A defesa de João contesta o envolvimento dele na morte de Isabelle e sustenta a versão de que a estudante teria cometido suicídio.

Relembre o caso Isabelle Caracristi

Isabelle Caracristi tinha 22 anos, era estudante de Direito e foi encontrada morta no pátio do condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza, no dia 13 de setembro. Ela morava no local com João Munhoz Neto e familiares dele.

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A ocorrência foi registrada por volta das 20h40. Imagens de segurança analisadas pela investigação mostram Isabelle chegando ao condomínio e, posteriormente, seguindo sozinha em direção ao 23º andar. João deixou o local antes da queda e retornou posteriormente, por volta das 22h48, conforme a cronologia apresentada na investigação.

O exame cadavérico apontou politraumatismo e lesões compatíveis com o impacto contra o solo. Os exames toxicológicos tiveram resultado negativo.

Antes da morte, Isabelle manteve contato com familiares. A mãe, Isorlanda Caracristi, relatou que recebeu uma mensagem da filha dizendo “Mãe, eu te amo”. A família tomou conhecimento da morte no dia seguinte.

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Outro elemento analisado pela Polícia Civil é um áudio de aproximadamente 16 minutos enviado por Isabelle ao primo Alessandro Ferreira Caracristi horas antes da morte. Segundo o depoimento do familiar, a jovem teria relatado uma discussão com João e pedido que a gravação fosse entregue à polícia caso algo acontecesse com ela.

Relatos de familiares e outras testemunhas sobre o relacionamento também foram incorporados ao inquérito. A Polícia Civil investiga informações relacionadas a controle, vigilância e possível violência psicológica, que ainda precisam ser confrontadas com os demais elementos da apuração.

Denúncias para a polícia

A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.

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