A Polícia Civil do Ceará não identificou, nas imagens de segurança analisadas no condomínio onde Isabelle Caracristi morreu, movimentação de outra pessoa acompanhando a estudante até o rooftop, área na cobertura do prédio. A informação foi apresentada nesta quarta-feira (23) pelo delegado-geral da Polícia Civil, Márcio Gutiérrez, durante coletiva sobre o andamento da investigação.
As equipes analisaram imagens de diferentes áreas do prédio, incluindo corredores e elevadores. Segundo o delegado-geral, não foi encontrada, nas gravações disponíveis, movimentação que indicasse a presença de outra pessoa seguindo Isabelle até o local de onde ocorreu a queda.
A informação, no entanto, não significa que exista uma gravação do que aconteceu dentro do rooftop. O perito-geral da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), Júlio Torres, afirmou que o espaço não possui e nunca possuiu câmeras de segurança. Por isso, não há registro em vídeo do momento exato em que Isabelle deixou o rooftop.
Polícia não identificou outra pessoa acompanhando Isabelle até o rooftop
Durante a coletiva, Márcio Gutiérrez explicou que a Polícia Civil reuniu as imagens disponíveis no condomínio e analisou a movimentação nos ambientes monitorados.
Segundo ele, as equipes verificaram os registros dos elevadores, corredores e demais áreas que possuíam câmeras. A análise não identificou outra pessoa acompanhando Isabelle em direção ao rooftop.
O delegado-geral afirmou ainda que a investigação não terminou a análise de todos os elementos relacionados ao condomínio. Além das imagens, os investigadores avaliam conversas, aparelhos eletrônicos e outras informações obtidas durante as diligências.
A Polícia Civil também busca reconstruir o que aconteceu depois que Isabelle chegou ao rooftop. Segundo Gutiérrez, a estudante permaneceu por determinado período no local e continuou se comunicando com outras pessoas por meio de ligações e mensagens. O conteúdo dessas interações não foi divulgado para não prejudicar a investigação.
Rooftop não tinha câmera de segurança
A ausência de câmeras no rooftop é um dos pontos importantes para delimitar o que pode ser comprovado diretamente pelas imagens.
Júlio Torres afirmou que o local nunca teve equipamento de monitoramento. Segundo o perito-geral, existem, porém, câmeras em outros pontos do condomínio que registraram a trajetória do corpo durante a queda.
Essas imagens foram utilizadas pela perícia para analisar a dinâmica da precipitação. Conforme o laudo apresentado pelas autoridades, a queda ocorreu de forma voluntária e em posição vertical.
O perito informou ainda que a análise permitiu calcular a velocidade e o tempo aproximado da queda. Segundo ele, o intervalo entre o início da precipitação e o contato com o solo foi de aproximadamente três segundos.
Questionado sobre a possibilidade de outra pessoa ter subido ao rooftop durante o período em que Isabelle permaneceu no local, Júlio Torres afirmou que a perícia não possui, até o momento, elemento que ateste essa presença.
Perícia aponta precipitação voluntária
A perícia criminal apontou que Isabelle sofreu uma precipitação voluntária. A conclusão está relacionada à dinâmica da queda e não encerra a investigação sobre as circunstâncias que antecederam a morte.
Durante a coletiva, Júlio Torres explicou que os registros obtidos por uma das câmeras do condomínio contribuíram para a análise da trajetória. Segundo ele, durante a queda, o corpo atingiu um gradil existente no local, provocando uma lesão grave na perna.
A perícia médico-legal também avaliou outras possibilidades relacionadas à morte. O exame não identificou lesões no pescoço ou nos braços que indicassem agressões anteriores à queda, segundo o perito-geral.
As lesões encontradas foram relacionadas ao impacto do corpo contra o solo. Exames toxicológicos e de álcool também tiveram resultados negativos, conforme informado pela Pefoce.
Polícia ainda investiga o que aconteceu antes da queda
Mesmo com a conclusão pericial sobre a dinâmica da queda, a Polícia Civil mantém outras linhas de investigação.
Um dos pontos analisados é a possibilidade de eventual participação de terceiros no período que antecedeu a morte. Entre as hipóteses investigadas está a possibilidade de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio.
Márcio Gutiérrez explicou que a investigação busca esclarecer o contexto anterior à queda, incluindo a movimentação de João Munhoz Neto no condomínio, os horários em que ele esteve no apartamento, quando saiu, onde permaneceu durante o período em que ficou fora e quando retornou.
A Polícia Civil também investiga informações relacionadas ao relacionamento entre Isabelle e João. Depoimentos de familiares e testemunhas relataram comportamentos de controle e isolamento, aspectos que passaram a ser confrontados com os demais elementos reunidos no inquérito.
A análise dos celulares também integra essa apuração. Mensagens recuperadas do aparelho de Isabelle e outros dados eletrônicos estão sendo examinados pelos investigadores.
Câmera próxima ao apartamento também entrou na investigação
Outro equipamento de segurança passou a ser analisado pela Polícia Civil. De acordo com Márcio Gutiérrez, a perícia identificou, próximo à porta do apartamento onde Isabelle morava, uma estrutura que indica que pode ter existido uma câmera naquele ponto.
Ainda não foi possível determinar quando o equipamento foi retirado ou quem realizou a remoção. Segundo o delegado-geral, essa possibilidade continua sendo considerada na investigação.
O celular de Isabelle também foi submetido a exames. O aparelho sofreu danos após a queda e apresentou uma lacuna de aproximadamente 19 horas nos dados recuperados pela perícia, período que vai das primeiras horas da madrugada até o horário estimado da morte.
A ausência desses registros, isoladamente, não permite concluir que houve apagamento intencional de informações. A Polícia Civil também avalia hipóteses relacionadas a eventual obstrução da investigação ou destruição de provas.
João Munhoz Neto permanece preso preventivamente
João Munhoz Neto foi preso pela Polícia Civil na terça-feira (22), durante o avanço das investigações sobre a morte de Isabelle. Nesta quarta-feira (23), ele passou por audiência de custódia, e a prisão preventiva foi mantida.
A manutenção da prisão ocorre enquanto a investigação continua. Segundo as informações apresentadas pelas autoridades, ainda não há um indiciamento definitivo, e a Polícia Civil deverá estabelecer ao final do inquérito quais condutas eventualmente poderão ser atribuídas ao investigado.
A defesa de João contesta o envolvimento dele na morte de Isabelle e sustenta a versão de que a estudante cometeu suicídio.
Relembre o caso Isabelle Caracristi
Isabelle Caracristi tinha 22 anos, era estudante de Direito e foi encontrada morta no pátio do condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza, no dia 13 de setembro. Ela morava no local com João Munhoz Neto e familiares dele.
A ocorrência foi registrada por volta das 20h40. As imagens analisadas pela investigação mostram Isabelle seguindo sozinha para o 23º andar. João havia deixado o condomínio antes da queda e retornou posteriormente, por volta das 22h48, conforme a cronologia investigada.
Antes da morte, Isabelle também manteve contato com familiares. A mãe, Isorlanda Caracristi, relatou ter recebido da filha uma mensagem com a frase “Mãe, eu te amo”.
Outro elemento incorporado à investigação é um áudio de aproximadamente 16 minutos enviado por Isabelle ao primo Alessandro Ferreira Caracristi horas antes da morte. Segundo o depoimento do familiar, ela teria relatado uma discussão com João, mencionado ameaças e pedido que a gravação fosse entregue à polícia caso algo acontecesse com ela.
Depoimentos de familiares e outras testemunhas também passaram a integrar o inquérito. A Polícia Civil analisa relatos sobre controle, vigilância e possível violência psicológica no relacionamento.
Denúncias para a polícia
A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.




