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SAÚDE

Doação de órgãos: Vera Santos foi uma das primeiras transplantadas de fígado em Fortaleza

Paciente recebeu um novo fígado em 2003, tornou-se a 16ª transplantada em Fortaleza e passou a atuar em campanhas de conscientização

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Uma nova vida: Vera Santos foi uma das primeiras transplantadas de fígado em Fortaleza
Vera, em 2003, enfrentou a evolução da cirrose e a necessidade de buscar uma alternativa que ainda não estava disponível em Fortaleza. Foto: Reprodução / TV Cidade Fortaleza

Há 23 anos, Vera Santos recebeu um transplante de fígado que mudou a trajetória da própria vida. A história começou com um mal-estar, passou pela descoberta da cirrose e chegou a um momento decisivo em 2003, quando ela precisou de um novo órgão.

Meses depois, com o início dos transplantes na capital cearense, Vera conseguiu ser encaminhada para o tratamento e entrou para a história como uma das primeiras pacientes submetidas ao procedimento na cidade. Ela foi a 16ª pessoa transplantada de fígado em Fortaleza e realizou a cirurgia no Hospital Walter Cantídio.

Leia também: Justiça condena mandante e executor pela morte da irmã de Débora Soft em Fortaleza

A experiência fez com que Vera passasse a enxergar a própria história também como uma forma de mobilização. Ao lado de outros pacientes e familiares, ela participou da criação de uma associação voltada para pessoas que enfrentam doenças hepáticas e passaram por transplantes.

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Vera Santos foi uma das primeiras transplantadas de fígado em Fortaleza

Antes de o transplante acontecer, Vera enfrentou a evolução da cirrose e a necessidade de buscar uma alternativa que ainda não estava disponível em Fortaleza. Quando o procedimento passou a ser realizado na capital, ela conseguiu ser encaminhada e recebeu o novo fígado.

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O transplante ocorreu em 2003 e, desde então, a história da paciente ganhou outro significado. A gratidão pela oportunidade de continuar a vida passou a caminhar junto com o trabalho de conscientização sobre a importância da doação de órgãos.

A mobilização também levou Vera e outros pacientes e familiares a criarem a Associação Cearense de Pacientes Hepáticos e Transplantados. No início, o trabalho era realizado principalmente nas ruas, com distribuição de panfletos e campanhas próximas a hospitais.

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Com o passar do tempo, a atuação chegou a outros espaços. As ações passaram a ser realizadas também em colégios e faculdades, ampliando o diálogo sobre doação de órgãos e a importância de comunicar à família o desejo de ser doador.

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Associação amplia campanha pela doação de órgãos

Vera participa diretamente das atividades de conscientização e destaca que a associação mantém as campanhas ao longo do ano, com intensificação durante o Setembro Verde.

“A Associação Cearense de Pacientes Hepáticos e Transplantados. Hoje nós trabalhamos exatamente com isso, com campanha de doação de órgãos, de tecidos, fazendo campanha em colégio, em faculdade, e intensificamos no período de setembro, que é o Setembro Verde.”

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A atuação reúne pacientes e familiares em torno de uma causa que passou a fazer parte da vida de Vera depois do próprio transplante. A experiência pessoal ajudou a aproximá-la de outras pessoas que também vivenciaram a espera por um órgão e das famílias envolvidas nesse processo.

A história também ganhou um vínculo especial com os familiares da pessoa que fez a doação do órgão recebido por Vera. O contato entre os dois lados permaneceu ao longo dos anos e se transformou em uma relação de amizade.

Família do doador mantém relação com Vera Santos

Vera afirma que mantém uma relação próxima com a família do doador. Para ela, o gesto aconteceu em um momento de dor para os familiares, mas representou a possibilidade de continuidade da vida para quem aguardava um transplante.

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“Eu sou muito grata à família do meu doador. Que no momento de muita dor, eles disseram sim e salvaram a minha vida. Hoje tenho um contato muito bom com eles, eu chamo de meus irmãos, somos tratados por irmãos.”

A relação estabelecida após o transplante tornou-se parte importante da trajetória de Vera.

Vera defende conversa com familiares sobre doação de órgãos

Para Vera, uma das principais atitudes de quem deseja ser doador é comunicar essa decisão aos parentes. Ela destaca que a família precisa conhecer a vontade da pessoa antes que uma situação de possível doação aconteça.

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A orientação é baseada na própria experiência e na atuação desenvolvida ao longo dos anos com pacientes, familiares e campanhas de conscientização. Para ela, falar previamente sobre o assunto pode ajudar os parentes a compreenderem qual era a vontade do possível doador em um momento de dor.

“É muito importante que as pessoas que queiram ser doadoras. Que converse com a sua família para que possam dizer sim, porque o sim só quem pode dizer é a família. Então isso é muito importante, é importante que estejam sabendo disso, desse desejo dessa pessoa de ser um doador. Doar salva vidas.”

Doação de órgãos é tema de campanha no Ceará

A campanha Maria Sofia, do Grupo Cidade de Comunicação, trabalha a conscientização sobre a doação de órgãos e busca estimular o diálogo dentro das famílias. A proposta é mostrar a importância da decisão de doar e como esse gesto pode influenciar a vida de pessoas que aguardam por um transplante.

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No Ceará, foram realizados 2.102 transplantes em 2025. O número superou os 2.060 procedimentos registrados no ano anterior.

No Brasil, mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida a intenção de ser doadora, a autorização precisa ser dada pela família. Por isso, conversar sobre o assunto antes de uma situação de luto pode ajudar os parentes a conhecer a vontade do familiar.

Segundo Lucyara Catunda, integrante do Programa de Transplante Pulmonar do Hospital de Messejana, conversar previamente com os familiares sobre o desejo de ser doador pode facilitar todo o processo:

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"Os principais responsáveis pela liberação do órgão na doação, quando o paciente está em morte encefálica, é a família. O familiar mais próximo. Então, ele sabendo que você já é doador, facilita esse processo da doação, que então acontece de modo mais rápido e menos doloroso. Porque a gente sabe que é muito doloroso. Mas já sabendo, é importante essa conscientização e sensibilização da população."

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