Uma testemunha que estava no condomínio na noite em que Isabelle Caracristi morreu, no bairro Aldeota, em Fortaleza, relatou com exclusividade à TV Cidade Fortaleza detalhes da movimentação no local após a queda da estudante. O depoimento descreve a chegada de João Munhoz Neto, a atuação dos peritos, a procura pelo celular de Isabelle e conversas que, segundo a testemunha, envolveram dinheiro e supostos investimentos.
Isabelle, de 22 anos, foi encontrada morta por volta das 20h40 de 13 de setembro, após cair do 23º andar do condomínio. A testemunha afirmou que inicialmente o barulho provocado pela queda foi confundido com uma batida de carro e que moradores correram para verificar o que havia acontecido.
Segundo o relato, a área onde o corpo estava só teria sido efetivamente isolada quando a perícia chegou. A testemunha também afirmou que acompanhou a movimentação das pessoas no condomínio durante as horas seguintes.
Testemunha relata chegada de João ao condomínio
De acordo com a testemunha ouvida pela TV Cidade Fortaleza, João chegou ao condomínio cerca de duas horas depois da queda. Ela afirmou que, antes dele, teria chegado ao local um homem que aparentava ser irmão ou parente de João e que também estava na missa naquele período.
A testemunha descreveu João como um homem que chegou acompanhado por outras pessoas e afirmou ter visto o grupo conversando com policiais e peritos. Segundo ela, João não teria se aproximado do corpo de Isabelle.
A testemunha também disse não saber quem era um dos homens que acompanhavam João. Ela o descreveu como alto, moreno e careca e afirmou que ele chegou de carro com o grupo.
Por se tratar de uma percepção da testemunha, a identificação dessas pessoas não é apresentada como confirmação de parentesco ou função. A Polícia Civil ainda analisa as imagens e os demais elementos capazes de reconstruir a movimentação no condomínio.
Testemunha diz ter visto procura pelo celular de Isabelle
Outro ponto destacado pela testemunha foi a procura pelo celular de Isabelle. Segundo o relato, João teria dito que o aparelho havia desaparecido e que tentou fazer uma ligação para o telefone, que estaria desligado. A testemunha afirmou ter visto pessoas próximas a João procurando pelo aparelho nas proximidades do local da queda, incluindo áreas próximas à piscina, jardim e lixeiras.
Ela também afirmou que a procura teria ocorrido por volta da meia-noite.
O celular de Isabelle está entre os elementos analisados pela investigação. O aparelho sofreu danos provocados pela queda, e os investigadores identificaram uma lacuna de aproximadamente 19 horas nos dados recuperados.
A ausência desses registros, porém, não permite concluir isoladamente que houve apagamento intencional. A Polícia Civil analisa o aparelho e os demais dados para verificar o que aconteceu com as informações armazenadas.
Relato menciona dinheiro e supostos investimentos
A testemunha também relatou ter ouvido João falar sobre problemas financeiros envolvendo Isabelle. Segundo ela, ele teria mencionado que a estudante havia perdido dinheiro em um investimento e que havia valores relacionados à mãe dela.
A testemunha citou uma quantia próxima de R$ 15 mil e afirmou que João estaria preocupado com o dinheiro perdido.
O relato tem relação com uma informação já apresentada pelo próprio João em depoimento à Polícia Civil. Segundo a versão dele, ele teria entregue R$ 14.035 a Isabelle para um suposto investimento relacionado à compra de velas. Ele afirmou ainda que a mãe da estudante teria repassado R$ 7 mil.
João declarou aos investigadores que Isabelle falava sobre possíveis retornos financeiros elevados e que teria mencionado valores que poderiam chegar a cerca de US$ 300 mil, equivalentes, segundo o relato, a aproximadamente R$ 1,5 milhão. Ele também afirmou que apagou uma imagem relacionada aos investimentos.
Essas informações constam do depoimento de João e não representam uma conclusão da Polícia Civil de que Isabelle tenha cometido fraude ou de que tenha ocorrido crime financeiro. Os relatos sobre dinheiro ainda precisam ser confrontados com documentos e outros elementos da investigação.
Testemunha questiona contato com a família de Isabelle
Outro trecho do depoimento da testemunha trata da comunicação com os familiares de Isabelle.
Ela afirmou não ter visto uma movimentação clara de pessoas ligadas a João para avisar diretamente a família da estudante sobre a morte. A testemunha também relatou ter ouvido comentários de que familiares de Isabelle não poderiam entrar no condomínio.
Segundo ela, teria sido dito que a família da estudante era “cheia de confusão” e que Isabelle estaria brigada com a mãe.
Essa informação, no entanto, é exclusivamente atribuída à testemunha. Não há, no material disponibilizado para esta reportagem, confirmação oficial de que familiares de Isabelle tenham sido proibidos de entrar no condomínio ou de que a estudante estivesse afastada da mãe no momento da morte.
A própria família de Isabelle já apresentou à investigação uma versão diferente sobre a relação entre mãe e filha. Isorlanda Caracristi esteve entre as pessoas que prestaram depoimento e passou a acompanhar de perto as diligências após a morte da estudante.
Testemunha descreve comportamento de João
Durante a entrevista exclusiva à TV Cidade Fortaleza, a testemunha também falou sobre a forma como percebeu o comportamento de João naquela noite.
Ela afirmou que não percebeu, na chegada dele, uma reação emocional que esperava diante da morte de uma pessoa próxima. A testemunha descreveu sua percepção dizendo que não viu “muita tristeza” nem lágrimas.
Esse trecho corresponde à avaliação pessoal de quem estava no local e não permite estabelecer, por si só, o estado emocional de João ou tirar conclusões sobre eventual participação dele na morte.
A Polícia Civil trabalha com elementos objetivos da investigação, como perícias, imagens, mensagens, áudios e depoimentos. A prisão de João ocorreu posteriormente, dentro desse conjunto de diligências.
Perícia não encontrou câmeras no terraço
A testemunha também confirmou que não havia câmeras de segurança no terraço e nas portas corta-fogo que davam acesso à área de onde Isabelle caiu.
Esse ponto já foi informado pela perícia. Segundo o perito-geral Júlio Torres, o rooftop não possuía câmeras e nunca teve esse tipo de equipamento.
As câmeras existentes em outras áreas do condomínio foram utilizadas para reconstruir os deslocamentos e a dinâmica da queda. A Polícia Civil informou que não identificou, nas imagens disponíveis, outra pessoa acompanhando Isabelle até o local.
A ausência de câmeras no próprio terraço, entretanto, significa que não existe uma gravação direta do momento em que Isabelle esteve naquele espaço.
Investigação também analisa movimentação no condomínio
A reconstrução da noite da morte depende do cruzamento entre os depoimentos e as imagens disponíveis.
A perícia concluiu que as lesões sofridas por Isabelle são compatíveis com o impacto do corpo contra o solo. Exames toxicológicos não identificaram substâncias de interesse, e o exame pericial também descartou gravidez.
Segundo o perito-geral, não foram identificados sinais de agressões anteriores no pescoço ou nos braços. A dinâmica analisada pela perícia foi considerada compatível com uma precipitação voluntária.
A conclusão sobre a dinâmica da queda não encerra, por si só, a investigação sobre acontecimentos anteriores. A Polícia Civil também apura o que ocorreu nas horas que antecederam a morte e eventuais condutas relacionadas ao relacionamento entre Isabelle e João.
João foi preso e investigação continua
João Munhoz foi preso preventivamente na terça-feira (22), durante o avanço das investigações. A prisão foi mantida após audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (23).
A Polícia Civil investiga, entre outras hipóteses, possível induzimento ou instigação ao suicídio. Também são analisados relatos sobre a relação entre João e Isabelle, incluindo possíveis comportamentos de controle, além de informações relacionadas aos aparelhos celulares e às movimentações registradas no condomínio.
A defesa de João contesta a participação dele na morte da estudante e sustenta que não há elementos materiais que comprovem que ele tenha provocado ou contribuído para a queda.
O depoimento de João também registra que ele estava em uma missa no período anterior à queda e que recebeu mensagens de Isabelle por volta das 19h14 às 19h16. Segundo ele, uma das mensagens dizia: “Realmente eu não estou aguentando. Estou sentindo uma sensação estranha”.
Relembre a morte de Isabelle Caracristi
Isabelle Caracristi tinha 22 anos e era estudante de Direito. Ela morreu na noite de 13 de setembro, após cair do 23º andar do condomínio, na Aldeota.
Depois da morte, a Polícia Civil realizou novas diligências, ouviu familiares e testemunhas, apreendeu aparelhos eletrônicos e analisou imagens de segurança. A investigação passou a considerar diferentes informações sobre a relação de Isabelle com João e sobre os acontecimentos que antecederam a queda.
Entre os elementos analisados estão o celular de Isabelle, mensagens, áudios, imagens de câmeras e depoimentos de pessoas que estavam no condomínio naquela noite.




