A Justiça condenou dois homens pela morte de Sulamiranda Matias de Góes, irmã da ex-vereadora de Fortaleza Débora Soft. Lucas Paiva da Silva, conhecido como “Toti”, recebeu pena de 40 anos, 4 meses e 5 dias de reclusão, enquanto Alan Lima Portela, o “Biruta”, foi sentenciado a 59 anos, 5 meses e 18 dias de prisão.
A decisão foi proferida na quinta-feira (17), pela 6ª Vara do Tribunal do Júri de Fortaleza, após denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE). Além da morte de Sulamiranda, os dois foram condenados por integrar organização criminosa.
O crime ocorreu na tarde de 30 de julho de 2025, no bairro Quintino Cunha, em Fortaleza. De acordo com os autos citados pelo MPCE, Lucas não aceitava o fim do relacionamento com a vítima, que era marcado por episódios de brigas e agressões.
Justiça condena dois homens pela morte de Sulamiranda
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu três qualificadoras relacionadas ao crime: motivo torpe, execução na presença do filho da vítima e utilização de meio que dificultou a defesa de Sulamiranda.
A pena de Lucas foi aumentada em razão da condição de líder de organização criminosa. Já Alan teve a punição elevada por ser considerado multirreincidente, ou seja, por possuir condenações anteriores por outros crimes.
Segundo os autos, os dois homens entraram na residência de Sulamiranda no dia do crime. Ela estava no imóvel acompanhada do filho, de 10 anos.
Ainda de acordo com o processo, a vítima foi levada por uma mulher não identificada para o andar superior da residência. Na sequência, Alan efetuou os disparos que provocaram a morte.
Crime ocorreu no Quintino Cunha em julho de 2025
O assassinato aconteceu em 30 de julho de 2025, na região conhecida como Comunidade das Malvinas, no bairro Quintino Cunha, em Fortaleza.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil apontaram Lucas Paiva da Silva como responsável por encomendar o assassinato. Ele era ex-companheiro de Sulamiranda e já havia sido preso em flagrante poucos dias depois do crime.
O caso foi tratado pela investigação como feminicídio. A 6ª Delegacia de Homicídios ficou responsável pela apuração do assassinato.
A condenação posterior confirmou, na esfera judicial, as acusações apresentadas pelo Ministério Público contra Lucas e Alan. A sentença também considerou a participação dos dois em organização criminosa.
Executor foi preso duas semanas após o assassinato
Alan Lima Portela foi preso em 14 de agosto de 2025 por equipes da Polícia Civil do Ceará, por meio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Ele foi localizado em uma área rural de Pindoretama, durante uma operação relacionada à investigação da morte de Sulamiranda. Na ocasião, a Polícia Civil apontava Alan como o executor do assassinato.
A prisão ocorreu cerca de duas semanas depois do crime. Lucas, apontado como mandante, já estava preso desde os dias seguintes ao homicídio.
Na época, o DHPP informou que a prisão de Alan encerrava a etapa de localização dos envolvidos diretamente apontados pela investigação. A delegacia também afirmou que o esclarecimento do caso tinha importância para os familiares da vítima e destacou a atuação policial no enfrentamento aos crimes contra mulheres.
Polícia encontrou armas durante prisão de suspeito
Durante a ação que resultou na prisão de Alan, outro homem também foi detido em flagrante. Henrique Silveira Matos estava com armas e materiais utilizados para a fabricação de armamentos.
Segundo as informações divulgadas pela Polícia Civil na época, foram apreendidas uma pistola, uma escopeta calibre 12 de fabricação artesanal, munições de diferentes calibres e equipamentos utilizados para a montagem de armas caseiras.
Henrique passou a responder por posse e fabricação ilegal de armas, com base no Estatuto do Desarmamento.
A investigação sobre a morte de Sulamiranda seguiu com a identificação dos envolvidos e, posteriormente, chegou ao julgamento dos dois acusados pela execução do crime e pela participação em organização criminosa.
Quem é Débora Soft, irmã da vítima
Sulamiranda Matias de Góes era irmã de Edviânia Matias Goes, conhecida como Débora Soft, que teve atuação na política de Fortaleza.
Débora foi eleita vereadora nas eleições municipais de 2004 pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN), com 11.590 votos válidos. Ela não tentou a reeleição em 2008.
A ex-vereadora voltou a disputar uma vaga na Câmara Municipal em 2012, desta vez filiada ao Partido Social Cristão (PSC). Naquele pleito, recebeu 365 votos para vereadora.
Durante a campanha, Débora também utilizou o slogan “Débora Soft, a Danada” e voltou a empregar a frase “vote com prazer”.
Em 2014, ela concorreu ao cargo de deputada estadual pelo PTN e recebeu 41 votos. Dois anos depois, tentou novamente disputar uma vaga de vereadora, mas teve a candidatura indeferida.




