O número de acidentes envolvendo serpentes atendidos pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Fortaleza (Ciatox) do Instituto Dr. José Frota (IJF) já ultrapassou, em 2026, o total registrado durante todo o ano passado. De janeiro a agosto, foram contabilizados 181 casos, contra 177 ocorrências em todo o ano de 2025.
Parte significativa dos registros deste ano ocorreu nos últimos meses do período analisado. Foram 37 casos em junho, 25 em julho e 19 em agosto.
O Ciatox do IJF funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, com atendimento presencial e teleatendimento. O serviço orienta sobre o encaminhamento adequado após acidentes com animais peçonhentos e sobre a disponibilidade de soros nas unidades de saúde.
O que fazer após uma picada de cobra
Depois de um acidente, a orientação é evitar medidas caseiras e procurar atendimento o mais rápido possível. Cortar a região atingida, tentar retirar o veneno pela boca ou fazer um torniquete não são procedimentos recomendados.
Karla Magalhães, farmacêutica do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Fortaleza (Ciatox) do IJF, explica que o contato com o serviço ajuda a identificar a unidade de saúde adequada para cada situação. Ela falou sobre o tema com a TV Cidade Fortaleza:
"Os soros antiofídicos, assim como todos os antídotos relacionados a animais peçonhentos, estão distribuídos nas macrorregiões. Então por isso que o contato com o Ciatox é importante, porque a gente tem essa informação e, de acordo onde o acidente ocorreu, a gente vai recomendar qual unidade de saúde vai ter o soro."
Em caso de picada, a região deve ser lavada e não deve receber substâncias ou produtos improvisados. Também é importante evitar movimentos desnecessários enquanto o atendimento é acionado.
A farmacêutica alerta para os riscos de fazer um torniquete ou aplicar produtos sobre o ferimento.
"Não amarre o local da picada. Isso pode concentrar o veneno e levar a perda de membros, necrosar. A gente já teve vários casos assim. Lavar o local da picada é extremamente importante, tá certo? Não colocar nada em cima da picada, borra de café, planta, nada disso, isso pode levar a infecções e muitas vezes atrasar o tratamento."
Corpo de Bombeiros registra mais de 6 mil ocorrências
O aumento dos registros não aparece apenas nos atendimentos após picadas. O Corpo de Bombeiros também contabilizou mais de seis mil ocorrências envolvendo cobras e serpentes entre janeiro e agosto de 2026.
O número representa crescimento de 15,4% em comparação com o mesmo período de 2025. As equipes são acionadas para situações de captura e resgate dos animais, inclusive quando eles aparecem próximos às residências.
Tenente Bruno Torquato, do Corpo de Bombeiros, explica os motivos que ajudam a entender a presença desses animais em áreas residenciais.
"Geralmente é em virtude da expansão urbana, da área rural que está começando a ficar mais urbanizada. E as cobras tendem a buscar abrigo e alimento nas residências."
Com a ocupação de regiões antes mais rurais, alguns animais podem chegar a áreas residenciais em busca de abrigo e alimento. Medidas simples ajudam a reduzir as possibilidades de aparecimento desses animais dentro ou nas proximidades das casas.
Entre os cuidados estão manter quintais limpos, evitar o acúmulo de entulho e lixo orgânico e vedar frestas e outros possíveis pontos de entrada.
O que fazer ao encontrar uma cobra
O cuidado começa antes de qualquer contato físico. Ao avistar uma serpente, a recomendação é manter distância, não tentar capturar o animal e evitar qualquer tentativa de matá-lo.
O Corpo de Bombeiros orienta que o local seja isolado e que a equipe seja acionada pelo telefone 193. Uma fotografia também pode ajudar na identificação da espécie, desde que seja feita sem colocar a pessoa em risco.
"Em caso de avistamento, nunca tente capturar a cobra. Afaste-se, isole o local e ligue para o Corpo de Bombeiros através do telefone 193. Se for possível e seguro, tire uma foto da cobra, para que seja utilizado o soro antiofídico correto."
A orientação é evitar qualquer aproximação para tentar identificar ou retirar a serpente. Em situações de picada, também é importante não recorrer a procedimentos caseiros e buscar orientação e atendimento de saúde.




