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LITERATURA

8ª Roda da Cidade promove conversa sobre emoções, transformações e a presença de Fortaleza no livro “Nunca Gostei do Mar”

Encontro no Grupo Cidade de Comunicação contou com a presença da escritora Rhaina Ellery e mediação de Rafael Caneca e Nara Barreto; debate abordou a construção do livro e as diferentes experiências dos leitores

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8ª Roda da Cidade promove conversa sobre emoções, transformações e a presença de Fortaleza no livro “Nunca Gostei do Mar”
Roda da Cidade reúne autora, leitores e colaboradores do Grupo Cidade para dialogar sobre livro “Nunca Gostei do Mar”. Fotos: Eduarda Rodrigues

A Roda da Cidade reuniu, nesta terça-feira (29), leitores, mediadores e a escritora Rhaina Ellery para uma conversa sobre Nunca Gostei do Mar, no Grupo Cidade de Comunicação. A 8ª edição do encontro colocou em discussão a construção da obra, os personagens, os vínculos presentes na narrativa e, principalmente, a maneira como cada leitor se relaciona com a história.

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A conversa foi mediada pelo escritor, servidor público e curador literário cearense Rafael Caneca e pela psicóloga Nara Barreto, que contribuíram para o debate a partir de diferentes perspectivas. Enquanto Rafael compartilhou a experiência de leitura e a identificação provocada pela narrativa, Nara analisou os personagens e seus processos de transformação sob o olhar da psicologia.

Roda da Cidade promove encontro com Rhaina Ellery

A presença de Rhaina Ellery permitiu que os participantes conhecessem um pouco mais do processo por trás de Nunca Gostei do Mar. A autora falou sobre as escolhas que deram forma à narrativa e sobre a importância de Fortaleza para a construção da história.

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Segundo Rhaina, a relação com a capital cearense esteve presente desde o início da escrita. Ela contou que começou a trabalhar no livro cerca de dois anos antes das comemorações pelos 300 anos de Fortaleza e que, por isso, era importante que a cidade tivesse uma presença efetiva na obra.

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“Então, para mim, era importante que Fortaleza respirasse dentro do livro”, afirmou a escritora.

A autora explicou ainda que possui uma relação forte com as cidades que aparecem em seus livros. Em sua primeira obra, Curitiba é o cenário da narrativa. Para Nunca Gostei do Mar, o desafio foi representar Fortaleza por meio da literatura.

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Rhaina contou que tomou como referência uma ideia atribuída por ela a um escritor de quem gosta: “A Mozós, que é um escritor que eu gosto muito, disse que Escrever um romance é como construir Paris com palitos. Então, eu tentei, dessa vez, construir Fortaleza com palitos.”

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Fortaleza ganha papel central em “Nunca Gostei do Mar”

Mais do que servir como pano de fundo para os acontecimentos, Fortaleza ocupa uma posição central na narrativa, segundo a própria autora. A cidade aparece na obra a partir de diferentes características, incluindo seus problemas, contradições e também os aspectos que fazem parte da experiência de viver na capital.

“É uma história em que Fortaleza, sobretudo, é o personagem. Então, ele também é complexo, fala das complexidades da cidade”, explicou Rhaina.

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A escritora afirmou ainda que essa representação não procura apresentar uma Fortaleza idealizada. A cidade entra na narrativa com suas diferentes faces e experiências.

“Fortaleza entra também com os buracos, com as faltas, com os abandonos e com a beleza que é morar aqui também”, declarou.

A perspectiva apresentada por Rhaina durante a Roda da Cidade amplia a leitura do livro para além dos acontecimentos envolvendo seus personagens. A capital cearense passa a fazer parte da própria construção narrativa, com características que ajudam a estabelecer o ambiente e as relações presentes na história.

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Rafael Caneca destaca emoções provocadas pelo livro

Como mediador do encontro, Rafael Caneca também compartilhou sua experiência como leitor de Nunca Gostei do Mar. Para o escritor, servidor público e curador literário cearense, uma das características marcantes da obra é a capacidade de provocar diferentes sentimentos conforme a leitura avança.

“Eu acho que a Rainha, ela consegue despertar na gente vários sentimentos à medida que a gente vai lendo, né?”, afirmou Rafael.

Ele destacou que a narrativa não conduz o leitor por apenas uma sensação. Ao contrário, a experiência passa por momentos de surpresa, humor, identificação e emoção, criando diferentes formas de aproximação com a história.

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“A gente vai dar raiva, a gente vai... A gente ri, a gente se surpreende, a gente identifica muitos lugares aqui, a gente se emociona”, disse.

Para Rafael, essa variedade de sentimentos também está relacionada à capacidade de o leitor se reconhecer em diferentes elementos apresentados pela obra. Os lugares, os personagens e as situações contribuem para criar uma relação mais próxima entre quem lê e o universo construído por Rhaina.

“Então, eu acho que o livro, ele passa por vários momentos dele e a gente vai sendo abraçado por isso e a gente vai se identificando muito ao longo da leitura”, afirmou o mediador.

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Nara Barreto analisa transformação dos personagens

A psicóloga Nara Barreto levou para a conversa uma perspectiva relacionada ao comportamento e às transformações vividas pelos personagens. Ao analisar Nunca Gostei do Mar, ela chamou atenção para o fato de que os indivíduos apresentados na história estão em processo constante de desenvolvimento.

“Eu acho que o livro, ele é muito capaz em apresentar pra gente personagens que estão em pleno desenvolvimento”, afirmou.

Para Nara, essa característica da narrativa também permite uma reflexão sobre o próprio comportamento humano. A psicóloga destacou a ideia de que as pessoas não permanecem iguais ao longo da vida e podem descobrir aspectos de si mesmas em diferentes momentos.

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“Então, a ideia é de que nós não somos estáticos. De que a cada esquina a gente pode se encontrar com uma parte nossa que a gente nem sabia que existia”, explicou.

A análise também se relaciona ao percurso de descoberta vivido pelos personagens. Para a psicóloga, a obra trabalha justamente com essa possibilidade de mudança, em um processo no qual momentos de perda e descoberta fazem parte da experiência humana.

“Então, entre se perder e se achar, o livro fala sobre esse processo de transformação que nós, como seres humanos, estamos todos passíveis”, declarou.

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A 8ª Roda da Cidade criou, assim, um espaço de encontro entre a autora e os leitores para discutir não apenas o que acontece em Nunca Gostei do Mar, mas também as diferentes maneiras de interpretar a obra. A presença de Rhaina Ellery, mediada por Rafael Caneca e Nara Barreto, permitiu que o livro fosse abordado a partir da relação com Fortaleza, das emoções despertadas pela leitura e das transformações vividas pelos personagens.


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