O Ceará tem a maior proporção de diagnósticos tardios de câncer de mama entre os estados do Nordeste, segundo dados do Panorama do Câncer de Mama no SUS. A cobertura mamográfica no estado é de 12%.
A descoberta em estágios mais avançados pode tornar a trajetória de tratamento mais complexa. Uma dessas histórias é a de Marili Nascimento, diagnosticada aos 70 anos, depois que um nódulo na mama chegou a um tamanho significativo.
Geane Nascimento, filha de Marili, acompanhou a mãe durante o período de investigação e tratamento.
"Ela já tinha um caroço na mama bastante visível e grande. Uns oito centímetros, não lembro direitinho, mas eu procurei o posto para ter o encaminhamento para fazer a ultrassom e depois a mamografia. Fui fazendo tudo particular, mas pelo encaminhamento do posto eu vim para cá, para o ICC."
Marili passou por duas cirurgias, quimioterapia e radioterapia, além de receber suporte psicológico durante o tratamento. Seis anos depois do diagnóstico, ela está curada e realiza apenas consultas de acompanhamento.
Ao lembrar da experiência, Marili Nascimento fala sobre a forma como encara o período após o tratamento.
"Eu acho que estou bem. Mas me lembro muito do meu viver. Não sei o que eu ainda vou passar."
Quando a mamografia é indicada
Para mulheres sem sintomas e com risco habitual, a recomendação atual do Ministério da Saúde é a realização da mamografia de rastreamento entre 50 e 74 anos, a cada dois anos.
Fora dessa faixa etária, o exame também pode ser realizado pelo SUS por demanda, com orientação de um profissional de saúde sobre benefícios e possíveis riscos. Quando há algum sinal de alerta, a investigação não depende de uma idade específica.
O mastologista Leandro Lacerda também destaca uma mudança mencionada na orientação sobre a realização dos exames.
"O Ministério da Saúde teve um grande avanço no ano passado: em setembro de 2025 nós passamos a antecipar a realização desses exames. O que antes era preconizado a partir dos 50 anos de forma bianual passou-se a ser considerado também, conforme a Sociedade Brasileira de Mastologia, aos 40 anos de forma anual."
Pacientes relatam importância do acompanhamento
Aos 53 anos, Vanda Barroso já realizou várias mamografias ao longo da vida. Ela procurou a Associação Nossa Casa para fazer mais um exame, que não apresentou alterações.
A experiência familiar, porém, fez com que ela mantivesse atenção ao tema. A filha de Vanda apresentou um nódulo aos 30 anos e precisou passar por investigação.
"Minha filha teve um nódulo e fez biópsia. E, graças a Deus, era benigno, mas mesmo assim teve que tratar, né? Mas eu ainda me preocupo com isso."
O acompanhamento e a investigação de alterações são apontados como partes importantes do cuidado com a saúde das mamas. A campanha Outubro Rosa também busca ampliar a circulação de informações sobre prevenção e diagnóstico.
Para Leandro Lacerda, o movimento pode servir como oportunidade para aproximar as mulheres dos serviços de saúde.
"O Outubro Rosa é aquele movimento em que a gente carrega o laço rosa, o laço com o objetivo de compartilhar informações, carregar conhecimento, conscientizar as mulheres, saber se naquele período ela já fez os exames, se não fez, puxá-las, conectá-las ao médico para que de fato elas voltem ao seu especialista para realizar seus exames."
Associação oferece mamografias gratuitas em Fortaleza
Além da realização dos exames indicados, a atenção às mudanças no próprio corpo também integra o processo de cuidado. A orientação é de que as mulheres observem as mamas no dia a dia e procurem atendimento diante de alterações que não sejam normais para elas.
Em Fortaleza, a Associação Nossa Casa realiza uma ação durante o Outubro Rosa para ampliar o acesso à mamografia. São oferecidos 500 exames gratuitos para mulheres a partir dos 40 anos que estejam em situação de vulnerabilidade social.
Camila Almeida, enfermeira do setor de mamografia da Associação Nossa Casa, explica o objetivo da iniciativa.
"O mês do Outubro Rosa vem para relembrar a todas as mulheres a importância da prevenção e da detecção precoce do câncer de mama. Nós, como Associação Nossa Casa, estamos realizando uma ação para ofertar 500 exames de mamografia para as mulheres que têm situação de vulnerabilidade social."
Investigação continua após a mamografia
O acesso à mamografia pelo SUS também pode ocorrer pela rede de saúde dos municípios, com encaminhamento e regulação de acordo com a necessidade de cada paciente.
Entre 2020 e 2025, mais de 5 mil casos de câncer de mama foram registrados em Fortaleza, segundo o Painel Oncologia do Ministério da Saúde, com dados informados pela Prefeitura.
A investigação não termina na realização da mamografia. Quando são identificadas alterações, podem ser necessários exames complementares, diagnóstico e, nos casos confirmados, tratamento.
Camila Almeida explica como funciona a continuidade do atendimento para pacientes que apresentam alterações nos exames realizados pela associação.
"Além da oferta da mamografia, essas pacientes que tiverem com os exames alterados terão a continuidade do diagnóstico garantida, com os exames de ultrassom e as biópsias até o diagnóstico da doença. Isso é muito importante, em virtude de a gente ver um elevado número de pacientes com câncer de mama, uma doença muito prevalente na população feminina."




