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CONSCIENTIZAÇÃO

Outubro Rosa: Ceará tem maior proporção de diagnósticos tardios de câncer de mama no Nordeste

Estado tem cobertura mamográfica de 12%; histórias de pacientes mostram os impactos da descoberta tardia e do acompanhamento médico

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Outubro Rosa: Ceará tem maior proporção de diagnósticos tardios de câncer de mama no Nordeste
A campanha Outubro Rosa busca ampliar a circulação de informações sobre prevenção e diagnóstico precoce da doença. Foto: Reprodução / TV Cidade Fortaleza

O Ceará tem a maior proporção de diagnósticos tardios de câncer de mama entre os estados do Nordeste, segundo dados do Panorama do Câncer de Mama no SUS. A cobertura mamográfica no estado é de 12%.

A descoberta em estágios mais avançados pode tornar a trajetória de tratamento mais complexa. Uma dessas histórias é a de Marili Nascimento, diagnosticada aos 70 anos, depois que um nódulo na mama chegou a um tamanho significativo.

Leia também: Fortaleza terá mutirão de saúde com 10 mil procedimentos e 700 cirurgias neste sábado (26)

Geane Nascimento, filha de Marili, acompanhou a mãe durante o período de investigação e tratamento.

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"Ela já tinha um caroço na mama bastante visível e grande. Uns oito centímetros, não lembro direitinho, mas eu procurei o posto para ter o encaminhamento para fazer a ultrassom e depois a mamografia. Fui fazendo tudo particular, mas pelo encaminhamento do posto eu vim para cá, para o ICC."

Marili passou por duas cirurgias, quimioterapia e radioterapia, além de receber suporte psicológico durante o tratamento. Seis anos depois do diagnóstico, ela está curada e realiza apenas consultas de acompanhamento.

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Ao lembrar da experiência, Marili Nascimento fala sobre a forma como encara o período após o tratamento.

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"Eu acho que estou bem. Mas me lembro muito do meu viver. Não sei o que eu ainda vou passar."
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Quando a mamografia é indicada

Para mulheres sem sintomas e com risco habitual, a recomendação atual do Ministério da Saúde é a realização da mamografia de rastreamento entre 50 e 74 anos, a cada dois anos.

Fora dessa faixa etária, o exame também pode ser realizado pelo SUS por demanda, com orientação de um profissional de saúde sobre benefícios e possíveis riscos. Quando há algum sinal de alerta, a investigação não depende de uma idade específica.

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O mastologista Leandro Lacerda também destaca uma mudança mencionada na orientação sobre a realização dos exames.

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"O Ministério da Saúde teve um grande avanço no ano passado: em setembro de 2025 nós passamos a antecipar a realização desses exames. O que antes era preconizado a partir dos 50 anos de forma bianual passou-se a ser considerado também, conforme a Sociedade Brasileira de Mastologia, aos 40 anos de forma anual."

Pacientes relatam importância do acompanhamento

Aos 53 anos, Vanda Barroso já realizou várias mamografias ao longo da vida. Ela procurou a Associação Nossa Casa para fazer mais um exame, que não apresentou alterações.

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A experiência familiar, porém, fez com que ela mantivesse atenção ao tema. A filha de Vanda apresentou um nódulo aos 30 anos e precisou passar por investigação.

"Minha filha teve um nódulo e fez biópsia. E, graças a Deus, era benigno, mas mesmo assim teve que tratar, né? Mas eu ainda me preocupo com isso."

O acompanhamento e a investigação de alterações são apontados como partes importantes do cuidado com a saúde das mamas. A campanha Outubro Rosa também busca ampliar a circulação de informações sobre prevenção e diagnóstico.

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Para Leandro Lacerda, o movimento pode servir como oportunidade para aproximar as mulheres dos serviços de saúde.

"O Outubro Rosa é aquele movimento em que a gente carrega o laço rosa, o laço com o objetivo de compartilhar informações, carregar conhecimento, conscientizar as mulheres, saber se naquele período ela já fez os exames, se não fez, puxá-las, conectá-las ao médico para que de fato elas voltem ao seu especialista para realizar seus exames."

Associação oferece mamografias gratuitas em Fortaleza

Além da realização dos exames indicados, a atenção às mudanças no próprio corpo também integra o processo de cuidado. A orientação é de que as mulheres observem as mamas no dia a dia e procurem atendimento diante de alterações que não sejam normais para elas.

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Em Fortaleza, a Associação Nossa Casa realiza uma ação durante o Outubro Rosa para ampliar o acesso à mamografia. São oferecidos 500 exames gratuitos para mulheres a partir dos 40 anos que estejam em situação de vulnerabilidade social.

Camila Almeida, enfermeira do setor de mamografia da Associação Nossa Casa, explica o objetivo da iniciativa.

"O mês do Outubro Rosa vem para relembrar a todas as mulheres a importância da prevenção e da detecção precoce do câncer de mama. Nós, como Associação Nossa Casa, estamos realizando uma ação para ofertar 500 exames de mamografia para as mulheres que têm situação de vulnerabilidade social."
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Investigação continua após a mamografia

O acesso à mamografia pelo SUS também pode ocorrer pela rede de saúde dos municípios, com encaminhamento e regulação de acordo com a necessidade de cada paciente.

Entre 2020 e 2025, mais de 5 mil casos de câncer de mama foram registrados em Fortaleza, segundo o Painel Oncologia do Ministério da Saúde, com dados informados pela Prefeitura.

A investigação não termina na realização da mamografia. Quando são identificadas alterações, podem ser necessários exames complementares, diagnóstico e, nos casos confirmados, tratamento.

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Camila Almeida explica como funciona a continuidade do atendimento para pacientes que apresentam alterações nos exames realizados pela associação.

"Além da oferta da mamografia, essas pacientes que tiverem com os exames alterados terão a continuidade do diagnóstico garantida, com os exames de ultrassom e as biópsias até o diagnóstico da doença. Isso é muito importante, em virtude de a gente ver um elevado número de pacientes com câncer de mama, uma doença muito prevalente na população feminina."


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