O secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, Roberto Sá, afirmou nesta sexta-feira (2) que a redução dos crimes contra a vida no Estado já pode ser considerada uma tendência. Em entrevista ao Balanço Geral, ele destacou que o Ceará acumula queda de 46,7% nos Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs) entre janeiro e setembro de 2026 e citou avanços nos indicadores nacionais de violência.
“Já é uma tendência”, declarou Roberto Sá ao ser questionado sobre a manutenção dos resultados positivos registrados ao longo do ano.
Segundo dados da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), o Ceará contabilizou 1.193 CVLIs nos nove primeiros meses de 2026, contra 2.239 no mesmo período do ano passado. A diferença representa redução de 46,7%.
Roberto Sá afirma que redução já é uma tendência
Durante a entrevista, o secretário ressaltou que o resultado de setembro, quando os crimes contra a vida caíram 58% na comparação com o mesmo mês de 2025, não deve ser analisado de forma isolada.
“Como setembro reduziu 58% no Estado, a nossa média dos nove meses desse ano é de 46,7%”, explicou.
Roberto Sá afirmou que a redução vem se mantendo ao longo de 2026 e destacou que, na avaliação dele, o Estado conseguiu estabelecer um novo patamar nos indicadores.
“Está mantendo uma casa acima de dois dígitos e acima de 40% essa redução desde o início do ano”, disse.
O acumulado de janeiro a setembro mostra que a queda de 46,7% veio depois de uma redução de 45,2% registrada até agosto.
Ceará avançou em indicador nacional de violência
Outro ponto destacado pelo secretário foi a posição do Ceará em indicadores nacionais de violência. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentados pela área de segurança, o levantamento de janeiro a agosto de 2026 mostra redução de 45,18% nos CVLIs do Estado em relação ao mesmo período de 2025.
Nesse recorte, o Ceará passou da primeira posição em taxa de CVLI por 100 mil habitantes registrada em 2025 para a 13ª posição em 2026. Ou seja, 12 estados apresentavam taxas superiores à cearense no período analisado.
Ao comentar os números, Roberto Sá afirmou que o resultado representa uma mudança significativa no cenário da segurança pública.
“Isso nos coloca como protagonistas do combate ao crime, da redução da letalidade no Brasil”, declarou.
O secretário também afirmou que a divulgação dos indicadores é importante para aproximar a população dos resultados das forças de segurança.
“É conseguir um dado que eu acho muito relevante, compartilhar com a população para que ela entenda, acredite no trabalho dos seus policiais”, disse.
Na sequência, porém, Roberto Sá reconheceu que ainda existem problemas a serem enfrentados.
“Embora a gente saiba que ainda tem muitos desafios pela frente, mas o que mostra que estamos no caminho certo”, afirmou.
Fortaleza passa da 4ª para a 20ª posição
Roberto Sá também citou a situação de Fortaleza. De acordo com os dados do MJSP referentes a janeiro a agosto, a capital cearense apresentou redução de 63,17% nos CVLIs e passou da 4ª para a 20ª posição entre as capitais brasileiras na comparação da taxa por 100 mil habitantes.
O secretário comparou o cenário atual com o registrado no ano passado.
“Este ano, com dados baseados no Ministério da Justiça, se o ano terminasse agora, nós seríamos o 13º maior”, afirmou, ao se referir à taxa estadual.
Sobre Fortaleza, ele acrescentou:
“E a nossa capital, seguindo essa tendência, que no ano passado tinha sido a 4ª maior letalidade entre as capitais, hoje é a 20ª.”
Os números estaduais também mostram uma redução expressiva no acumulado de 2026. Entre janeiro e setembro, Fortaleza passou de 589 para 220 CVLIs, queda de 62,6%. Na Região Metropolitana de Fortaleza, foram 193 ocorrências no período, contra 624 no ano anterior, redução de 69,1%.
Secretário cita redução nos crimes contra o patrimônio
Além dos crimes contra a vida, Roberto Sá afirmou que a estratégia de segurança também tem produzido resultados nos crimes contra o patrimônio.
“Então isso mostra que realmente o Ceará encontrou uma estratégia que vem dando certo na redução dos crimes contra a vida, na redução dos crimes contra o patrimônio”, declarou.
Os dados divulgados pela SSPDS apontam que os Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs) caíram 56,3% no Ceará em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, a redução chegou a 52,9%.
Roberto Sá reconhece desafios na segurança
Apesar dos indicadores apresentados, o secretário ressaltou que a redução dos índices não significa o fim dos problemas relacionados à violência no Estado.
“Há desafios a serem enfrentados”, afirmou.
Roberto Sá citou especificamente os casos de feminicídio e disse que o governo continua monitorando o território para identificar áreas que ainda precisam de reforço.
“O feminicídio, por exemplo, é a menor taxa do Brasil. Mas estamos preocupados com os que estão acontecendo ainda”, afirmou.
Dados divulgados anteriormente com base no Ministério da Justiça apontaram o Ceará com a menor taxa de feminicídio do país nos sete primeiros meses de 2026.
Segundo o secretário, o trabalho envolve identificar regiões onde ainda existem demandas que precisam ser atendidas.
“Estamos mapeando o nosso território para verificar onde temos instrumentos, onde ainda tem demanda reprimida, que a gente precisa avançar para cobrir essa região”, explicou.
Criminosos presos também fora do Ceará
Roberto Sá afirmou ainda que a atuação das forças de segurança não está restrita ao território cearense. Segundo ele, criminosos procurados ou ligados a ocorrências no Estado também têm sido localizados em outras unidades da Federação.
“Os criminosos estão sendo presos, muitos sendo acuados e até fugindo do Ceará”, declarou.
O secretário citou operações que resultaram em prisões de suspeitos no Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso e Bahia.
“Nós temos prendido criminosos no Rio de Janeiro e em São Paulo. Mato Grosso, Bahia”, afirmou.
Para Roberto Sá, a divulgação desses resultados também tem uma função de transparência com a população.
“É muito importante que vocês mostrem, porque a população precisa saber quando acontece o problema, mas também quando a máquina estatal consegue evitar ou entregar o criminoso à Justiça”, disse.
A avaliação do secretário ocorre após um mês de setembro em que o Ceará registrou 113 CVLIs, contra 269 no mesmo mês de 2025, uma redução de 58%. O resultado foi acompanhado por quedas de 58,5% em Fortaleza e 78,5% na Região Metropolitana de Fortaleza.




