A mãe de Isabelle Caracristi, Isorlanda Caracristi, afirmou nesta sexta-feira (2) estar triste e decepcionada com a soltura de João Munhoz Neto, namorado da jovem e investigado no caso que apura as circunstâncias da morte da universitária.
João Munhoz Neto deixou o presídio em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, na tarde de quinta-feira (1º), depois que a Justiça revogou a prisão preventiva. A decisão foi tomada pelo juiz da 5ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza, após pedido apresentado pela defesa e manifestação do Ministério Público.
A liberdade foi concedida com a imposição de medidas cautelares. Entre elas estão o monitoramento eletrônico, a proibição de deixar a comarca e a determinação de manter distância dos familiares de Isabelle.
A decisão judicial não teve os motivos para a revogação da prisão divulgados no material informado à reportagem.
João Munhoz Neto deixa presídio com medidas cautelares
João Munhoz Neto estava preso desde 22 de setembro. Ele deixou a unidade prisional acompanhado da advogada e não concedeu entrevista aos jornalistas no momento da saída.
A prisão havia ocorrido no curso da investigação sobre a morte de Isabelle Caracristi. Na ocasião, a Polícia Civil do Ceará informou que o bacharel em Direito teria atrapalhado as investigações. Ele passou dez dias detido antes da decisão que revogou a prisão preventiva.
Mesmo em liberdade, João Munhoz Neto continua sendo investigado. As medidas determinadas pela Justiça estabelecem restrições para o período em que o caso permanece sob apuração.
Entre as condições está o distanciamento dos familiares da vítima. O monitoramento eletrônico também foi determinado, assim como a obrigação de permanecer na comarca, salvo eventual autorização judicial.
A defesa sustenta que João é inocente das acusações. Antes da soltura, a advogada Lígia Peixe afirmou que a liberdade seria uma etapa para a defesa buscar demonstrar a inocência do cliente. “Ele nunca fez nada do que está sendo acusado”, declarou.
Mãe de Isabelle diz que advogadas analisam próximos passos
Após a revogação da prisão preventiva, Isorlanda Caracristi afirmou que as advogadas que representam a família estão avaliando as medidas jurídicas que podem ser adotadas.
“As nossas advogadas estão vendo isso. Elas são técnicas e estão tentando ver essas possibilidades, nesse sentido”, disse a mãe de Isabelle ao comentar a possibilidade de questionamento da decisão que colocou João Munhoz em liberdade.
A família ainda acompanha o andamento da investigação sobre a morte da universitária. A soltura, portanto, ocorre enquanto diligências policiais continuam sendo realizadas para esclarecer o que aconteceu e reconstruir os acontecimentos que antecederam a morte.
Investigação sobre Isabelle Caracristi continua
A investigação conduzida pela Polícia Civil do Ceará segue com diferentes frentes de apuração. Até a última segunda-feira (28), 28 pessoas haviam sido ouvidas pela corporação, enquanto a Perícia Forense havia concluído 13 análises periciais.
Segundo as informações divulgadas pela Polícia Civil, 20 peritos e auxiliares de perícia atuam no caso. O trabalho é realizado pelo Grupo Especial de Investigação (GEI), formado por equipes da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Entre os materiais analisados estão celulares, dispositivos eletrônicos e imagens de câmeras de segurança. A Polícia Civil também mantém outras diligências para esclarecer as circunstâncias da morte e estabelecer a cronologia dos acontecimentos que antecederam o episódio.
O conjunto dessas informações ainda está sendo reunido pela investigação. Por isso, as circunstâncias da morte de Isabelle permanecem sob apuração.
Ex-mulher e diarista de João Munhoz prestaram depoimento
Entre as pessoas ouvidas pela Polícia Civil estão uma diarista que trabalhava na residência de João Munhoz, a síndica do prédio onde o casal morava e a ex-mulher do bacharel em Direito.
A ex-mulher prestou depoimento no sábado (26). Legalmente, os dois ainda são casados, embora a defesa de João Munhoz sustente que eles estavam em processo de separação quando ele conheceu Isabelle.
Imagens de câmeras de segurança divulgadas durante a semana também passaram a integrar a apuração. Os registros mostram a ex-mulher acompanhando João em diferentes momentos da noite em que Isabelle morreu.
Nas imagens citadas no material, os dois aparecem juntos quando João estava em uma missa no bairro de Fátima e, posteriormente, quando ele foi até a Rodoviária de Fortaleza. Depois disso, os registros mostram João retornando sozinho ao prédio onde morava com Isabelle.
A sequência das imagens é analisada pela investigação dentro da reconstrução dos acontecimentos daquela noite.
Outra pessoa ouvida foi a diarista que prestava serviços na residência de João Munhoz. De acordo com a advogada Lídia Aguiar, que representa a testemunha, ela trabalhava no imóvel duas vezes por semana e tinha contato com Isabelle.
A advogada afirmou que a cliente nunca presenciou discussões entre o casal. Segundo a representante, havia câmeras de segurança na residência.
A Polícia Civil continua analisando os depoimentos, imagens e demais elementos reunidos durante a investigação.




