Felipe Mikael Vasques Monteiro, presidente da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte e deputado estadual eleito pelo PSDB, foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (5). A ação ocorreu um dia depois da eleição para a Assembleia Legislativa do Ceará, na qual Vasques recebeu 48.104 votos. A investigação apura suspeitas de crimes eleitorais e peculato.
Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pela Justiça Eleitoral e cumpridos pela PF com apoio do Ministério Público do Ceará (MPCE). Durante as diligências, os investigadores recolheram aparelhos celulares, um notebook e documentos.
A apuração é conduzida pela Promotoria Eleitoral da 119ª Zona Eleitoral e tem entre os pontos investigados o possível uso da estrutura da Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal para favorecer a imagem de Vasques durante a campanha eleitoral de 2026. Segundo o MPCE, a investigação busca esclarecer se recursos e serviços públicos foram utilizados em benefício do então candidato.
O que a investigação apura
Uma das suspeitas analisadas pelo MPCE é a utilização da estrutura de comunicação do Legislativo municipal para promover a imagem de Felipe Vasques. Caso o uso indevido de recursos ou serviços públicos seja comprovado, a conduta poderá ser enquadrada como peculato, segundo a Promotoria Eleitoral.
O procedimento também investiga uma denúncia sobre a interrupção de serviços da Câmara após a Operação Aletheia, deflagrada pelo Ministério Público do Ceará em setembro. As informações encaminhadas à Promotoria Eleitoral apontam que servidores comissionados da Casa teriam participado de um evento de apoio ao presidente durante o horário de expediente.
A suspeita é de que a participação dos funcionários no evento tenha contribuído para a paralisação de serviços públicos prestados pela Câmara. Esse episódio também está sendo analisado dentro da apuração sobre o possível uso da estrutura do Legislativo para beneficiar politicamente Vasques.
Operação Aletheia também teve Felipe Vasques entre os alvos
A investigação eleitoral ocorre semanas depois de Felipe Vasques ter sido alvo da Operação Aletheia, deflagrada pelo MPCE em 2 de setembro. A operação foi conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), com apoio do Núcleo de Apoio Técnico à Investigação (Nati/MPCE) e da Polícia Civil do Ceará.
Na ocasião, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em Juazeiro do Norte e Barbalha. Vasques, que exercia a presidência da Câmara e estava licenciado do cargo naquele período, esteve entre os investigados. A Justiça também havia determinado medidas cautelares relacionadas ao exercício da função pública.
A Aletheia apura suspeitas de direcionamento de licitações, fraudes em contratações públicas e desvio de recursos em contratos de obras e serviços de engenharia firmados com o Município de Juazeiro do Norte. O procedimento investiga, em tese, possíveis crimes de fraude em licitações e contratações, peculato e corrupção ativa e passiva.
As duas apurações são distintas. A operação realizada nesta segunda-feira está vinculada à investigação eleitoral sobre possível uso da estrutura da Câmara durante a campanha de 2026, enquanto a Aletheia trata de suspeitas envolvendo contratos públicos e obras e serviços de engenharia.
Felipe Vasques foi o vereador mais votado de Juazeiro do Norte em 2024
Antes de conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa, Felipe Vasques foi eleito vereador de Juazeiro do Norte em 2024. Ele recebeu 6.670 votos e terminou aquela disputa na primeira colocação entre os candidatos à Câmara Municipal.
A votação fez de Vasques o vereador mais votado da história política do município, de acordo com as informações que acompanham sua trajetória eleitoral. Na eleição deste ano, ele deixou a disputa municipal para concorrer a uma vaga de deputado estadual pelo PSDB e acabou eleito com 48.104 votos.
O político tem 34 anos, nasceu em Juazeiro do Norte, é casado, possui ensino superior completo e declarou ocupação de vereador no registro de candidatura de 2026.
Entenda o que é peculato
Peculato é o crime atribuído a funcionário público que se apropria ou desvia, em benefício próprio ou de outra pessoa, dinheiro, valor ou bem móvel que esteja sob sua posse em razão do cargo.
A legislação prevê pena de dois a 12 anos de prisão, além de multa, para o crime de peculato.
A investigação contra Felipe Vasques, no entanto, ainda está em andamento. A apuração deverá verificar se houve efetivamente utilização irregular de recursos, serviços, equipamentos ou servidores públicos para favorecer a candidatura.
O que são os mandados de busca e apreensão
A busca e apreensão é uma medida judicial que permite aos investigadores procurar e recolher objetos, documentos, equipamentos ou outros elementos que possam contribuir para uma investigação.
No caso desta segunda-feira, as ordens foram expedidas pela Justiça Eleitoral e executadas pela Polícia Federal. Entre os materiais recolhidos estão celulares, notebook e documentos, que poderão ser analisados para auxiliar na apuração das suspeitas.




