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INVESTIGAÇÃO

João Munhoz é indiciado por violência psicológica e obstrução de Justiça no caso Isabelle Caracristi

Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte da estudante de 22 anos; investigação não indiciou João por induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio

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Caso Isabelle Caracristi: veja a cronologia da morte e os principais desdobramentos
Isabelle foi encontrada morta em um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza. A polícia investiga a atuação de João Munhoz Neto, que era namorado dela. Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Ceará (PCCE) indiciou João Munhoz Neto pelos crimes de violência psicológica e obstrução de Justiça no inquérito que investiga a morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos. A conclusão ocorreu quase três semanas após a jovem ser encontrada morta em um condomínio na Aldeota, em Fortaleza.

O indiciamento não responsabilizou João por induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio. A perícia havia apontado que Isabelle morreu após uma precipitação voluntária do terraço do edifício onde morava.

Leia também: Mulher de 26 anos morre após ser baleada no interior do Ceará

João, de 34 anos, havia sido preso preventivamente em 22 de setembro. Na última quinta-feira (1º), a Justiça do Ceará determinou a revogação da prisão após pedido da defesa e manifestação favorável do Ministério Público do Ceará (MPCE). Com a decisão, ele passou a cumprir medidas cautelares.

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Entre as determinações estão o distanciamento dos familiares de Isabelle, o uso de monitoramento eletrônico e a proibição de deixar a comarca. A decisão foi tomada pela 5ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza.

O GCMAIS entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS) e a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) para se pronunciar sobre o ocorrido, não tendo tido retorno até a publicação desta matéria. O texto será atualizado após o recebimento da resposta.

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João Munhoz é indiciado por violência psicológica e obstrução de Justiça

O inquérito reuniu depoimentos, imagens, análises de aparelhos eletrônicos e exames periciais. A investigação foi conduzida pelo Grupo Especial de Investigação (GEI), formado por equipes da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ao todo, 20 peritos e auxiliares de perícia participaram dos trabalhos relacionados ao caso.

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Entre as pessoas ouvidas estão uma diarista que prestava serviços na residência de João, a síndica do condomínio onde o casal morava e a ex-mulher do bacharel em Direito. Os depoimentos dessas testemunhas ocorreram durante o último fim de semana.

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A ex-mulher de João prestou depoimento em 26 de setembro. Legalmente, os dois ainda são casados.

A diarista também compareceu ao 2º Distrito Policial no sábado (26) para prestar esclarecimentos sobre o período em que trabalhava na residência.

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Relatos sobre o relacionamento entre Isabelle e João

Durante a investigação, a polícia apurou os relatos sobre a relação entre Isabelle e João, que começaram a namorar aproximadamente dois meses antes da morte da estudante.

No dia 13 de setembro, Isabelle teria contado a um familiar que vivia uma relação abusiva e que se sentia constantemente vigiada pelo namorado. Também teria relatado comportamentos que considerava agressivos e possessivos.

Rudá Bezerra de Carvalho, proprietário do escritório de advocacia onde João e Isabelle trabalhavam, também prestou depoimento à Polícia Civil. De acordo com informações repassadas pelo advogado de Rudá, Leandro Vasques, o empresário relatou ter ouvido da estudante reclamações sobre a conduta de João no ambiente profissional.

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Segundo esse relato, Isabelle teria dito que o namorado, que também ocupava posição de chefia no escritório, dificultava que ela desempenhasse atividades profissionais sem acompanhamento.

Isabelle havia ingressado no escritório como estagiária e, posteriormente, passou a manter relacionamento com João. Ela deixou a casa da mãe e passou a morar com o namorado, o irmão e a mãe dele.

Documentos relacionados à investigação também registraram relatos sobre a participação de João em diferentes áreas da vida de Isabelle, além de cobranças relacionadas à localização e à rotina da estudante. Esses elementos foram considerados pela investigação no contexto da suspeita de violência psicológica.

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Áudio foi enviado por Isabelle antes da morte

Uma das informações analisadas pela investigação é um áudio enviado por Isabelle a um familiar no dia 13 de setembro, cerca de uma hora antes da morte. Por volta das 19h40, a estudante pediu que o familiar não apagasse o conteúdo e respondesse à mensagem. Aproximadamente uma hora depois, às 20h40, foi registrado o impacto da queda no solo.

Nas conversas pelo WhatsApp, Isabelle também teria afirmado que o áudio deveria servir como prova caso algo acontecesse com ela e feito acusações contra João.

A morte ocorreu em um condomínio no bairro Aldeota. Isabelle foi encontrada na área externa do residencial depois de cair do 23º andar.

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A perícia apontou a chamada precipitação voluntária. João não estava no imóvel no momento da queda, segundo os elementos periciais e investigativos divulgados ao longo do caso.

Prisão e posterior soltura

João Munhoz foi preso preventivamente em 22 de setembro, nove dias depois da morte de Isabelle. Na ocasião, a investigação considerava, além da violência psicológica, a possibilidade de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio e de obstrução da Justiça.

Após a prisão, João prestou depoimento e negou ter cometido crimes. A defesa também contestou a responsabilização dele pela morte da estudante e afirmou que ele não teve participação no ocorrido.

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A Justiça manteve inicialmente a prisão preventiva, mas posteriormente revogou a medida. João deixou a prisão no dia 1º de outubro e passou a cumprir as cautelares determinadas judicialmente.


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