A mãe de um menino de 9 anos acionou a Justiça após descobrir que o filho havia participado, com o pai, de um ato político em Parnamirim, na região metropolitana de Natal (RN), onde foi filmado segurando uma arma. A mulher procurou o Conselho Tutelar depois que os vídeos passaram a circular nas redes sociais e decidiu buscar a regularização judicial da guarda da criança.
O menino estava com o pai durante a manifestação relacionada à votação de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das Eleições 2026. Segundo as informações apresentadas ao Conselho Tutelar, os objetos mostrados nas imagens eram simulacros ou armas de brinquedo.
A situação passou a ser acompanhada pelos órgãos de proteção à criança e também pela Polícia Civil, que apura as circunstâncias do episódio sob segredo de Justiça.
Mãe busca regularizar guarda do filho na Justiça
Segundo o relato apresentado pela mulher ao Conselho Tutelar, ela não sabia que o filho estava na manifestação com o pai. Os dois são separados há cerca de oito anos e mantinham um acordo informal sobre os cuidados com o menino.
A criança ficava com a mãe durante a semana e com o pai nos fins de semana, mas a guarda não havia sido formalizada judicialmente. Depois de receber os vídeos e perceber a exposição do filho, a mulher decidiu procurar a Justiça para regularizar a situação.
Ela também pediu que o pai não saísse novamente com a criança enquanto não houvesse uma definição judicial sobre a guarda.
Depois de tomar conhecimento do episódio, a mãe entrou em contato com o ex-companheiro, que levou o menino de volta para a casa dela.
Conselho Tutelar passou a acompanhar o caso
Após ser procurado pela mãe, o Conselho Tutelar passou a acompanhar a situação. O órgão também comunicou a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) para que fossem verificadas as circunstâncias envolvendo a exposição do menino.
O Ministério Público foi comunicado sobre o caso. A Polícia Civil informou que os pais foram identificados e que a investigação está em andamento sob segredo de Justiça.
A conselheira tutelar Amanda Melo afirmou que a atuação do órgão está relacionada à proteção da criança, independentemente da posição política dos adultos envolvidos.
Menino recebe acompanhamento após exposição nas redes sociais
A repercussão das imagens também teve impacto sobre o menino. Segundo o Conselho Tutelar, a criança ficou triste e chorou depois de perceber a circulação dos vídeos e ter contato com comentários publicados nas redes sociais.
A mãe relatou que o filho ficou constrangido com a exposição. O Conselho informou que ele foi encaminhado para acompanhamento psicológico enquanto permanece sob os cuidados dela.
Posteriormente, conforme relato da conselheira, o menino apresentou melhora e retomou a rotina escolar.
Pai afirmou que arma mostrada no vídeo era de brinquedo
Segundo o relato apresentado ao Conselho Tutelar, o pai afirmou que o objeto segurado pelo menino era uma arma de brinquedo. A mãe também teve acesso a uma fotografia enviada pelo ex-companheiro que indicaria que se tratava de um simulacro.
A mulher afirmou ainda que já havia manifestado ao pai sua oposição ao uso desse tipo de brinquedo pelo filho.
O Conselho Tutelar destacou que, mesmo quando o objeto não é uma arma real, um simulacro pode representar uma situação de risco se for confundido à distância com uma arma de fogo.
Caso ocorreu após vídeo do menino em ato político
As imagens que deram origem à atuação do Conselho Tutelar mostram o menino sobre um veículo durante uma manifestação em Parnamirim. Em um dos registros, ele aparece segurando um objeto semelhante a uma pistola.
O ato ocorreu após o primeiro turno das Eleições 2026 e estava relacionado à comemoração da votação de Flávio Bolsonaro. A circulação dos vídeos levou a mãe a procurar o Conselho Tutelar e posteriormente a Justiça.
A apuração sobre as circunstâncias da exposição da criança permanece sob responsabilidade das autoridades competentes.




