O Complexo da Parangaba avançou para uma etapa decisiva antes do início previsto das obras em 2027. A Prefeitura de Fortaleza já lançou a licitação para contratar os serviços de engenharia e a execução da intervenção, enquanto o processo de desapropriação dos imóveis atingidos pelo projeto também segue em andamento.
O empreendimento será implantado em uma área que reúne grande circulação de veículos, ônibus, pedestres e ciclistas. O cruzamento da Avenida Dedé Brasil com a Avenida Germano Frank e a Rua Eduardo Perdigão fica próximo ao Terminal da Parangaba, à estação do VLT e a equipamentos comerciais da região.
A proposta é distribuir os deslocamentos em diferentes níveis para reduzir os conflitos existentes no cruzamento. O projeto prevê três estruturas elevadas, um trecho em semi-túnel, alças de acesso e conexões entre as vias, com investimento estimado em R$ 54,6 milhões.
A contratação foi registrada como CE 89/2026 no Portal de Compras de Fortaleza. O edital foi divulgado em 1º de outubro, a entrega das propostas começou em 2 de outubro e a abertura está marcada para 30 de dezembro de 2026.
A intervenção acontece enquanto a circulação na região continua marcada pela concentração de diferentes fluxos. Para Luiz Paulo, motorista de aplicativo que trabalha no entorno, a reorganização pode facilitar os deslocamentos.
“O shopping aí, essa saída do estacionamento não é muito favorável para nós que somos Uber. Acho que seria melhor se fosse na lateral aqui. Esse viaduto vai melhorar bastante”, afirma.
Como os viadutos e o semi-túnel devem reorganizar o trânsito
A solução projetada pela Prefeitura de Fortaleza prevê a separação dos principais fluxos que atualmente se encontram no mesmo nível. A ideia é utilizar as estruturas elevadas e o trecho rebaixado para permitir que determinados deslocamentos atravessem a área sem depender dos mesmos cruzamentos semaforizados.
Os três elevados serão acompanhados por alças e ramos direcionais. Já o semi-túnel será utilizado como parte da reorganização do tráfego, enquanto os movimentos locais e acessos às vias do entorno continuarão no nível da superfície.
O estudo que integra a licitação aponta que a região concentra diferentes movimentos de conversão, travessias e acessos. A proximidade com o terminal de ônibus, o VLT, comércio, instituições de ensino e unidades de saúde aumenta a quantidade de deslocamentos ao longo do dia.
O secretário da Infraestrutura de Fortaleza, André Daher, classifica a área como um dos principais pontos de retenção do tráfego da Capital.
“Nós estamos agora iniciando as ações, propriamente ditas, de licitação e obra de seis complexos de viadutos e túneis na cidade. O complexo da Parangaba talvez seja o principal gargalo urbano, porque ali está concentrado o Shopping Center, Terminal da Parangaba e acesso a diversos bairros da cidade”, destaca.
A intervenção faz parte de um conjunto maior de obras viárias planejadas pela Prefeitura para diferentes pontos de Fortaleza. No caso da Parangaba, a estimativa de investimento é de R$ 54,6 milhões.
Desapropriações avançam antes do início das obras
A contratação da empresa é apenas uma das etapas necessárias para que o Complexo da Parangaba saia do papel. Antes da execução, o município também precisa concluir os procedimentos envolvendo os imóveis atingidos pelo projeto.
Segundo André Daher, as tratativas para desapropriações e indenizações começaram antes do anúncio do pacote de intervenções e avançaram paralelamente à preparação da licitação.
“Nós já estamos em situação evoluída das desapropriações e indenizações e essas tratativas começaram há pelo menos um ano atrás e nós estamos com a licitação já lançada e até o final do ano deveremos ter a empresa vencedora para a execução dessa intervenção”, pontua.
A previsão apresentada pela Prefeitura é iniciar as obras em 2027. A definição da empresa responsável dependerá da conclusão da concorrência e das demais etapas administrativas necessárias para a execução do contrato.
O processo licitatório prevê a contratação integrada para a elaboração dos projetos básicos e executivos e para a execução das obras do complexo.
Projeto prevê mudanças para pedestres e ciclistas
A intervenção não foi planejada apenas para ampliar a capacidade de circulação dos automóveis. O projeto também contempla alterações na infraestrutura utilizada por pedestres e ciclistas, além de serviços de urbanização.
Entre as medidas previstas estão passeios acessíveis, espaços destinados à circulação de bicicletas, pavimentação, sinalização e urbanização. A intenção é acompanhar a mudança na geometria das vias com melhorias no entorno.
A presença do Terminal da Parangaba e da estação do VLT torna essa integração especialmente relevante. Parte significativa das pessoas que atravessam a área diariamente não utiliza automóvel, e a reorganização dos fluxos precisa preservar os acessos aos equipamentos de transporte.
O projeto também prevê infraestrutura cicloviária na área da intervenção.
Para o especialista em mobilidade urbana Ademar Gondim, intervenções dessa dimensão precisam considerar os efeitos sobre quem utiliza a região durante e depois da construção.
“É importante que numa intervenção dessa natureza, que tem por objetivo melhorar a fluidez e a segurança do trânsito em determinada área, Primeiro que o projetista converse com as pessoas que vão ser impactadas, tanto no período da execução da obra, quanto após a obra concluída. Nós temos como exemplo, aqui na própria entrada do campus da universidade, quando o projeto original desse mergulho foi apresentado, nós demos uma sugestão de um retorno que foi acatado pela equipe, que facilitou muito o acesso”, explica.
Obra também deverá alterar a circulação durante a execução
A mudança definitiva no trânsito só ocorrerá depois da conclusão da intervenção, mas a circulação da Parangaba também deverá ser afetada durante o período de obras.
A construção de elevados, acessos e do trecho em semi-túnel exigirá organização das etapas de serviço para que os deslocamentos continuem funcionando na região. O próprio planejamento do projeto considera a necessidade de executar a intervenção sem provocar uma interrupção generalizada do tráfego.
Esse planejamento será especialmente importante porque o cruzamento reúne diferentes tipos de deslocamento. Além dos carros particulares, passam pelo entorno ônibus, veículos de aplicativo, bicicletas e pedestres que utilizam o terminal, o VLT e os estabelecimentos próximos.
Os detalhes sobre eventuais desvios e alterações temporárias deverão ser definidos conforme a execução da obra avance. Neste momento, a principal etapa em curso é a contratação da empresa que ficará responsável pelo projeto e pela implantação do complexo.
Parangaba faz parte de pacote de seis intervenções
O Complexo da Parangaba integra um pacote de intervenções viárias planejadas pela Prefeitura de Fortaleza para diferentes pontos da Capital e da área de conexão com Caucaia.
Entre os processos de contratação em andamento estão o viaduto da Avenida Antônio Sales com a Rua Monsenhor Catão, o viaduto de ligação entre o Conjunto Ceará e o Parque Guadalajara, em Caucaia, e o túnel da Avenida Silas Munguba com a Avenida Bernardo Manuel.
Também há uma concorrência para o viaduto da Avenida Fernandes Távora com a Avenida Augusto dos Anjos. As licitações integram o conjunto de intervenções cuja execução está prevista para começar em 2027.
No caso da Parangaba, a próxima marca do cronograma será a sessão da concorrência CE 89/2026, marcada para 30 de dezembro. Até lá, o projeto seguirá entre a fase de contratação, as desapropriações e a preparação para uma obra que deverá modificar a circulação em um dos principais pontos de conexão viária da região.




