O atacante Richarlison voltou a falar neste domingo (11) sobre a disputa judicial por uma mansão em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, e publicou um vídeo no qual comenta a perda do imóvel. A manifestação ocorreu após o jogador compartilhar, nos Stories do Instagram, uma gravação de Renan Santos sobre o caso. Em uma publicação direcionada ao senador Flávio Bolsonaro (PL), Santos escreveu: “Devolve a casa do Richarlison”.
Depois de compartilhar o vídeo, o jogador do Tottenham publicou outras gravações, nas quais falou sobre o imóvel e as críticas que recebeu nas redes sociais em decorrência do caso.
A disputa envolve uma mansão de luxo na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, avaliada em cerca de R$ 10 milhões, e o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro. A Justiça reconheceu os direitos de posse da empresa ligada a Tomaz, e o caso foi encerrado em 2025.
Richarlison fala sobre doações e críticas nas redes
No vídeo publicado neste domingo, Richarlison afirmou que recebeu críticas de pessoas que questionaram sua manifestação sobre o imóvel enquanto ele vive na Europa. O atacante respondeu que adquiriu a propriedade com recursos obtidos por meio do trabalho e declarou que não prejudicou outras pessoas para conquistar o patrimônio.
O jogador também afirmou que destina dinheiro a iniciativas de assistência no Brasil. Segundo ele, são cerca de R$ 3 milhões por ano em doações para crianças que precisam passar por cirurgias e para outras ações. Richarlison citou ainda o Hospital de Amor, em Barretos, no interior de São Paulo, e disse que utiliza recursos próprios para ajudar a instituição.
O atacante reclamou que essas iniciativas não recebem a mesma atenção que suas declarações sobre a disputa judicial. Ele afirmou que sua cobrança diz respeito a um bem que lhe pertence e à recuperação do dinheiro investido.
O jogador também mencionou Renato Velasco, seu antigo empresário, que participou da negociação do imóvel. Na gravação, Richarlison relatou que a esposa de Velasco, que estava grávida na época, teria sido retirada da residência durante o cumprimento de uma ordem judicial. Segundo o atacante, pessoas armadas participaram da ação.
Jogador afirma que não quer se envolver em política
No mesmo desabafo, Richarlison afirmou que não deseja participar de discussões partidárias. Ele disse que as ações de ajuda social que realiza são motivadas por sua própria vontade e que pretende continuar fazendo o que considera correto, independentemente das cobranças recebidas nas redes sociais.
O atacante também comentou que algumas pessoas deixaram de segui-lo depois de suas manifestações. Ao encerrar a gravação, afirmou que está concentrado em lutar pelo que considera seu.
A repercussão envolve Flávio Bolsonaro por causa de sua relação pessoal com Willer Tomaz e de sua participação como testemunha em um dos processos. O senador visitou o imóvel antes de a negociação com a empresa ligada a Richarlison ser concluída e, posteriormente, retornou ao local acompanhado do advogado.
Flávio já declarou que não tem vínculo com a mansão e que foi incluído no processo apenas como testemunha. A disputa judicial, por sua vez, envolveu empresas ligadas ao jogador, a Velasco e a Tomaz, com discussões sobre direitos de propriedade e de posse do imóvel.
Entenda a disputa pela mansão em Angra dos Reis
A negociação começou em 2020, quando a Sport 70 Intermediação de Negócios, empresa ligada a Richarlison e a Renato Velasco, adquiriu a mansão. O imóvel tem 11 suítes, praia privativa, cachoeira, heliponto, piscina e quadra de tênis.
A controvérsia surgiu porque uma empresa ligada a Willer Tomaz reivindicou direitos de posse anteriores à compra feita pelo grupo do jogador. A discussão passou a envolver a diferença entre propriedade, que diz respeito ao direito formal sobre um bem, e posse, relacionada à ocupação e ao uso do imóvel.
A empresa ligada a Tomaz sustentou que os direitos possessórios tinham origem em registros anteriores à negociação de 2020. Já o grupo ligado a Richarlison argumentou que havia adquirido o imóvel regularmente. O caso passou por diferentes instâncias judiciais e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em 2025, o STJ manteve a decisão favorável à empresa ligada ao advogado. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, relator do recurso, entendeu que a análise do pedido exigiria uma nova avaliação das provas e dos contratos, procedimento que não cabe nesse tipo de recurso especial.
Posteriormente, em agosto de 2025, a Sport 70 e Renato Velasco apresentaram desistência do processo e reconheceram a decisão favorável à WT Administração de Imóveis e Bens S.A., conforme os documentos citados em reportagens sobre o caso. A ação transitou em julgado e foi arquivada.
Vídeo de advogada também repercutiu o caso
A disputa voltou a circular nas redes sociais no fim de setembro, depois que a advogada especializada em direito imobiliário Ana Paula Zantut publicou um vídeo explicando a diferença entre posse e propriedade. Ao comentar a gravação, Richarlison afirmou ter investido cerca de R$ 10 milhões e disse que perdeu o imóvel sem receber o dinheiro de volta.
Após a repercussão, Ana Paula retirou o conteúdo do ar e publicou uma retratação. A advogada informou que, depois de analisar documentos adicionais do processo, identificou imprecisões nas informações divulgadas inicialmente. Também afirmou que a correção não deveria ser usada para alimentar disputas políticas ou ataques pessoais.




