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ECONOMIA

Lula diz que plano econômico de Flávio Bolsonaro corta programas sociais e tira "do sangue do povo"

Presidente destaca que a redução de gastos proposta deve afetar Pé-de-Meia, Farmácia Popular, Minha Casa, Minha Vida e reajustes de aposentadorias

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Flávio Bolsonaro avalia cortar até R$ 250 bilhões em gastos públicos com saúde, educação e aposentados
Lula reagiu nas redes às propostas apresentadas pela campanha de Flávio Bolsonaro a integrantes do mercado financeiro. Foto: Ricardo Stuckert / PR, Ton Molina / Agência Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, criticou nesta quinta-feira (8) as propostas de ajuste fiscal discutidas pela equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL), adversário no segundo turno das eleições. Em vídeos publicados nas redes sociais, Lula destaca que uma redução de aproximadamente R$ 200 bilhões no Orçamento poderia atingir programas sociais e benefícios destinados à população.

Entre as iniciativas citadas pelo presidente estão o Pé-de-Meia, o Farmácia Popular, o Minha Casa, Minha Vida, a merenda escolar e o Gás do Povo. Lula também afirmou que o plano econômico em questão limitaria o reajuste do salário mínimo e das aposentadorias à inflação.

Leia também: Adriana Esteves declara voto em Lula no segundo turno das Eleições 2026

As declarações foram feitas após a divulgação de informações sobre um pacote fiscal em estudo pela equipe de Flávio, em articulação com integrantes do mercado financeiro. A proposta discutida por membros da campanha do PL prevê um ajuste inicial de cerca de R$ 250 bilhões, equivalente a aproximadamente 2% do Produto Interno Bruto (PIB), com foco nas despesas obrigatórias da União.

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Entre as medidas em análise estão alterações na regra de reajuste da Previdência e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), além da mudança nos pisos constitucionais destinados à saúde e à educação. A discussão inclui a possibilidade de desvincular os benefícios previdenciários dos ganhos reais do salário mínimo e corrigir determinadas despesas apenas pela inflação.

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Campanha fala em “tesouraço” e prepara medidas fiscais

A discussão sobre redução de despesas não é nova dentro da campanha. No início do ano, Flávio afirmou que pretendia fazer um “tesouraço” para equilibrar as contas públicas.

O coordenador de campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), também declarou que o modelo econômico estaria “estourando” e defendeu mudanças. Entre as possibilidades mencionadas estavam uma revisão das reformas da Previdência, aprovada em 2019, e trabalhista, de 2017.

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A campanha, entretanto, passou a adotar um discurso mais cuidadoso sobre cortes de gastos durante o período eleitoral. O plano de governo oficial apresenta poucas linhas sobre o ajuste fiscal e não inclui as medidas de desvinculação de aposentadorias, BPC, saúde e educação relatadas pela Folha.

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Uma das estratégias discutidas seria apresentar ao Congresso uma proposta chamada informalmente de “Super PEC da Transição” logo depois da eleição, ainda no intervalo entre o resultado das urnas e a posse de um eventual novo governo.

A ideia teria sido apresentada pelo assessor econômico Luiz Felipe Trevisan a integrantes do Eurasia Group no início de setembro. O texto reuniria cerca de dez medidas, permitindo negociação com os parlamentares sobre a composição final do pacote, mas mantendo a meta de ajuste equivalente a até 2% do PIB.

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Flávio nega redução de benefícios para aposentados

A campanha de Flávio Bolsonaro contesta a interpretação de que o ajuste fiscal significaria redução de benefícios sociais. Nesta quinta-feira, o candidato afirmou que pretende garantir reajustes das aposentadorias acima da inflação e declarou que não fará economia sobre a população mais vulnerável.

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O candidato também afirmou que existem outras fontes para a redução de despesas e citou medidas como combate a desperdícios e revisão de gastos públicos. As propostas atribuídas à equipe econômica foram discutidas com empresários e agentes do mercado, conforme compilou a Folha de S.Paulo, mas a campanha ressalta que elas não constam da mesma forma no plano de governo oficial.

Lula também fala sobre o Dia do Nordestino

Além das críticas ao adversário, Lula publicou um vídeo nesta quinta-feira para marcar o Dia do Nordestino, celebrado em 8 de outubro. Nascido em Caetés, em Pernambuco, o presidente afirmou ter orgulho da origem e agradeceu aos eleitores da região.

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Na gravação, Lula destacou características que atribui aos nordestinos, como consciência política, generosidade e amor pelo país. O presidente também mencionou a relação com a região e sua intenção de ampliar ações voltadas ao Nordeste.

A manifestação ocorreu poucos dias depois do primeiro turno, no qual Lula terminou à frente de Flávio Bolsonaro no Nordeste. No resultado nacional, porém, Flávio ficou na primeira colocação, com mais de 56 milhões de votos, enquanto Lula recebeu mais de 53 milhões e avançou para a segunda etapa da eleição.

A votação do segundo turno está marcada para 25 de outubro.

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Segurança pública também entra na campanha

Em outro vídeo divulgado nesta semana, Lula voltou a defender a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O texto amplia a participação da União na área, atualmente concentrada principalmente na atuação dos estados.

O presidente também cobrou uma posição de Flávio Bolsonaro e da bancada do PL no Senado sobre a proposta. A discussão faz parte da estratégia de Lula de apresentar diferenças entre os dois candidatos em temas que ganharam espaço na campanha do segundo turno.

A comunicação da campanha petista passou por mudanças depois do primeiro turno. Lula começou a publicar vídeos gravados em formato selfie, feitos pelo próprio presidente com o celular e com pouca edição. A nova estratégia busca uma comunicação mais direta nas plataformas digitais.

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