As redes sociais ganharam espaço nas campanhas políticas das Eleições 2026, ampliando as possibilidades de comunicação entre candidatos e eleitores. Com conteúdos acessíveis diretamente pelo celular, as plataformas digitais passaram a dividir espaço com as atividades nas ruas e a servir de canal para a divulgação de propostas, ideias e pautas políticas.
A experiência de candidatos eleitos no Ceará mostra como a internet pode ser utilizada durante a disputa eleitoral, inclusive por campanhas com poucos recursos financeiros. Ao mesmo tempo, o alcance das publicações não garante que as mensagens convençam o público, e a circulação de informações falsas ou fora de contexto acrescenta desafios ao debate político.
Candidatos usam redes sociais para ampliar alcance das campanhas
Eleito deputado estadual em 2026, Léo Suricate relata que a estratégia de comunicação pela internet teve espaço importante em uma campanha com estrutura financeira limitada. Além das atividades presenciais, a equipe utilizou as redes sociais para divulgar propostas e conversar com eleitores, principalmente jovens que vivem nas periferias.
“Dá para ver que nós ocupamos as redes, mesmo. A gente não tinha uma campanha com muita estrutura, recebi pouco mais de R$ 100 mil de fundo partidário, talvez tenha sido o voto mais barato do estado do Ceará. Mas a gente fez muita campanha na rede, a gente se comunicou muito bem com a juventude, principalmente com a juventude da periferia.”
Outro exemplo é Gabriel Biologia, também eleito deputado estadual pelo Psol. Para ele, as redes sociais ocupam uma posição central na disputa política, tanto pela circulação de ideias quanto pela possibilidade de os eleitores avaliarem candidatos e suas posições.
“As redes sociais hoje são a principal arena política no Brasil. É lá onde a maioria dos eleitores e eleitoras vão definir em quem votar, analisar as contradições e refletir sobre o processo eleitoral.”
Alcance na internet não garante a conquista do voto
A presença digital de uma candidatura pode ser medida por indicadores como visualizações, curtidas e compartilhamentos. Esses números, porém, não permitem concluir, isoladamente, quantas pessoas foram convencidas pelas propostas apresentadas ou decidiram votar em determinado candidato.
Por isso, a comunicação política envolve mais do que publicar vídeos e buscar alcance nas plataformas. O planejamento também precisa considerar as informações que chegam ao público, a forma como são apresentadas e a capacidade de esclarecer temas de interesse dos eleitores.
A atuação da comunicação institucional também passa pela divulgação de informações sobre o funcionamento do Poder Legislativo. Viviane Sobral, gerente de Jornalismo e Publicidade do Sistema Alece, explica à TV Cidade Fortaleza que as redes sociais são utilizadas para aproximar a população das atividades da Assembleia:
“Aqui o nosso papel é oferecer ao cidadão, à população, as informações sobre a Assembleia de modo geral. Como atuam os deputados e as deputadas, o que fazem, quais os debates, as leis que estão sendo discutidas e aprovadas. Então as redes sociais cumprem um papel estratégico de alcançar a população. É um dos veículos mais acessíveis, literalmente na tela do celular.”
As plataformas digitais, como pontua ela, funcionam como canais para divulgar o trabalho parlamentar e facilitar o acesso a informações sobre debates e propostas legislativas. O conteúdo pode chegar ao público diretamente no celular, sem depender de uma busca presencial por essas informações.
Algoritmos podem dificultar o diálogo entre eleitores
Embora ampliem o acesso a conteúdos políticos, as redes sociais também apresentam desafios para a comunicação entre pessoas com opiniões diferentes. Os algoritmos podem favorecer a circulação de publicações alinhadas às preferências de cada usuário, o que dificulta o contato com perspectivas divergentes.
O cientista político João Paulo Bandeira observa que a relação entre influência digital e participação política pode ocorrer de maneiras distintas. Há casos em que a popularidade de uma pessoa nas redes contribui para sua eleição, mas também existem movimentos que utilizam as plataformas para divulgar propostas e defender pautas.
“Um movimento é aquele sujeito que é um influencer e simplesmente por sua influência ele acaba sendo eleito. Mas também está tendo um movimento contrário muito importante, que são pessoas que fazem política, que têm bandeiras, que têm pautas e utilizam as redes sociais como meio de difundir essas ideias e essas pautas.”
A diferença está entre utilizar a visibilidade pessoal como caminho para chegar ao eleitor e recorrer às plataformas para ampliar a circulação de ideias e posicionamentos políticos. Os dois movimentos podem coexistir no ambiente digital, que reúne conteúdos de diferentes origens e objetivos.
Notícias falsas e conteúdos fora de contexto exigem atenção
A quantidade de informações disponíveis nas redes também exige cuidado por parte dos eleitores. Notícias falsas, vídeos retirados de seu contexto original e conteúdos produzidos com inteligência artificial podem gerar interpretações equivocadas e interferir na maneira como o público compreende a disputa eleitoral.
Além da verificação das informações, João Paulo Bandeira aponta um problema relacionado à própria dinâmica de comunicação nas plataformas: a possibilidade de reunir pessoas sem necessariamente criar condições para que elas dialoguem sobre temas diferentes.
“As redes sociais têm seu benefício, que é aproximar as pessoas, mas essa aproximação também traz um grande problema: essa aproximação não permite que haja comunicação política. Sem comunicação política, que necessita a escuta do outro, temos esses problemas. Da mesma forma que junta, não permite que as pessoas conversem entre si sobre pautas diferenciadas.”




