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SAÚDE

Felca revela diagnóstico de fobia social e relata bullying sofrido durante oito anos

Após sete meses afastado das redes sociais, youtuber de 27 anos publicou vídeo com relatos de agressões na escola, dificuldades em situações sociais e consumo de álcool para enfrentar compromissos profissionais

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Felca revela diagnóstico de fobia social e relata bullying sofrido durante oito anos
Após sete meses afastado das redes sociais, Felca publicou vídeo sobre o diagnóstico de fobia social e as dificuldades que enfrenta desde a adolescência. (Foto: Reprodução)


O youtuber Felca, de 27 anos, voltou às redes sociais após sete meses afastado e revelou ter recebido diagnóstico de fobia social. Em um vídeo publicado na madrugada desta terça-feira (20), o influenciador apresentou seu laudo médico e relatou como oito anos de bullying durante a adolescência afetaram sua saúde mental e continuam interferindo em sua vida adulta.

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Na gravação, ele descreveu agressões físicas, humilhações e situações de exclusão vividas na escola. Também contou que, mesmo depois de construir uma carreira na internet, passou a enfrentar dificuldades para participar de eventos, entrevistas e outras atividades que exigem contato com o público.

Ao explicar a decisão de compartilhar o relato, Felca demonstrou hesitação e falou sobre a dificuldade de expor experiências pessoais. “Eu tenho fobia social. Esse é o meu laudo. Esse é o vídeo mais sincero e mais difícil que eu já fiz. Eu não sei se eu vou postar ainda, mas, se você está vendo, eu postei”, declarou.

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Felca relata agressões físicas durante a adolescência

Segundo o influenciador, o bullying começou quando ele tinha 12 anos. As ofensas verbais evoluíram para agressões físicas, e o ambiente escolar passou a ser uma fonte constante de medo. Um dos episódios mais marcantes aconteceu no banheiro da escola, onde cinco estudantes maiores e mais fortes do que ele o agrediram. Felca contou que a violência continuou até que os próprios agressores parassem.

“Eu lembro de um dia, por mais que meus agressores provavelmente não lembrem, que eu estava no banheiro e cinco meninos maiores e mais fortes do que eu me bateram. Não me bateram só até eu cansar, mas até eles cansarem”, relatou.

Depois das agressões, ele permaneceu trancado em uma cabine do banheiro, chorando. Ao recordar o período entre os 14 e os 18 anos, descreveu aqueles anos como uma fase em que concentrava esforços apenas em continuar vivendo.

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“Dos 14 aos 18, eu sobrevivi. Eu me mantive vivo, e isso foi tudo”, afirmou. As experiências também influenciaram suas escolhas após a conclusão do ensino médio. Felca contou que disse aos pais que não conseguiria frequentar uma faculdade porque tinha medo de voltar a conviver diariamente em uma sala de aula.

“Quando eu terminei o colégio, eu tinha apanhado tanto, por tanto tempo, foram oito anos, que eu disse para os meus pais: 'Eu vou fazer vídeo, o que seja, mas eu não vou conseguir enfrentar uma faculdade. Eu não consigo enfrentar mais uma sala de aula'”, relatou.

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Humilhações na escola continuaram presentes na memória

Além das agressões físicas, Felca relembrou episódios de exclusão que afetaram sua autoestima. Um deles envolveu uma colega por quem era apaixonado. Segundo o influenciador, quando outra estudante tentou ajudá-lo a pegar um estojo que havia caído no chão, a menina impediu a ajuda e o chamou de “nojento”.

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Em outra ocasião, ele acreditou que uma colega demonstrava carinho por ele durante uma aula. Mais tarde, descobriu que ela e outras estudantes haviam colocado adesivos em suas costas para ridicularizá-lo. O influenciador contou que sentia vergonha e medo e não conseguia se afastar das pessoas que o cercavam. Depois, voltou ao banheiro e passou parte do período escolar retirando os adesivos da roupa.

Ao recordar essas experiências, Felca falou sobre a percepção de que não havia reciprocidade nas relações que tentava construir com os colegas. “O que mais me doía era o meu pensamento de que devia existir algum tipo de respeito, ou consideração, ou carinho dessas pessoas, mas nunca existiu. Eu estou sozinho, e é isso”, desabafou.

Ele também contou que demorou a reconhecer que era vítima de bullying. Durante muito tempo, tentou minimizar as agressões e chegou a acreditar que poderia estar exagerando. A percepção mudou quando um colega mostrou uma lista feita por estudantes com os nomes das pessoas mais ridicularizadas da escola. Felca aparecia na primeira posição.

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“Nunca foi brincadeira. Nunca foi amizade ou frescura. Eu sou a pessoa que mais sofre bullying no colégio”, recordou. Ao falar sobre o impacto dessas experiências, o youtuber lamentou as oportunidades e vivências que acredita ter perdido durante a adolescência. “Por muito tempo, eu senti que isso foi roubado de mim e eu fui cúmplice do roubo. Eu nem sei se tenho a quem culpar. E agora não tem mais volta. Eu desperdicei a minha adolescência”, declarou.

Diagnóstico de fobia social e dificuldades na rotina profissional

No vídeo, Felca explicou que o sucesso profissional não eliminou o desconforto que sente em situações sociais. Mesmo diante das câmeras e em ambientes de trabalho, ele relatou sintomas físicos intensos, incluindo aceleração dos batimentos cardíacos.

Para mostrar o que vivenciava, o influenciador incluiu imagens dos bastidores de uma gravação e registros de sua frequência cardíaca. Segundo ele, os batimentos chegavam a aproximadamente 138, 140 ou 150 por minuto em determinadas situações, mesmo quando estava parado.

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“Todas as gravações, todas as vezes que eu saio em público, é mais ou menos assim que eu fico”, afirmou. As dificuldades também apareciam em atividades cotidianas, como ir a um shopping ou passar pela portaria de um prédio. O relato mostra que o desconforto não se restringia a grandes eventos ou compromissos profissionais.

Uma situação envolvendo o irmão mais velho também marcou o influenciador. Em uma ocasião, o familiar precisou de atendimento hospitalar e pediu que Felca o levasse de carro. Ele conseguiu ajudá-lo, mas passou mal no hospital e também precisou de atendimento.

Depois da experiência, o youtuber refletiu sobre o medo de não conseguir estar presente quando pessoas próximas precisassem dele. “Eu tive medo, mas dessa vez um medo maior do que pessoas. Eu tive medo, se algo acontecer com a minha mãe, se algo acontecer com o meu pai. E se, quando eu tiver uma esposa, algo acontecer com a minha esposa? Se, quando eu tiver um filho, algo acontecer com o meu filho?”, questionou.

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Ele afirmou que a situação mudou a maneira como enxergava as próprias dificuldades. “Ali eu falei: essa é a última vez. Quem eu amo não vai poder contar comigo”, disse.

Felca relata consumo de álcool para enfrentar compromissos

Outro ponto abordado pelo influenciador foi o uso de álcool como tentativa de enfrentar situações sociais. Ele contou que costumava beber antes de compromissos profissionais e levava um cantil com vodca para continuar consumindo a bebida durante eventos.

“Eu bebia só para enfrentar pessoas. Quando eu passei a ir a programa toda semana, evento, web, parceria, eu me vi alcoólatra”, relatou. Felca explicou que não gostava do sabor nem da sensação provocada pela bebida. Segundo ele, o consumo estava ligado à tentativa de reduzir o desconforto que sentia ao interagir com outras pessoas.

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Com o aumento dos compromissos profissionais, o álcool passou a fazer parte da preparação para gravações e encontros públicos. Um dos exemplos citados aconteceu durante a produção de um vídeo em que testava um body splash de Virginia Fonseca.

A proposta envolvia entrevistar pessoas em um shopping, mas o influenciador disse que não conseguia reunir coragem para abordar os frequentadores. Depois de várias tentativas, decidiu beber antes de começar o trabalho. De acordo com seu relato, ele consumiu aproximadamente meia garrafa de vodca e continuou bebendo durante a gravação. Ao chegar ao shopping, permaneceu cerca de duas horas dentro do carro, tentando encontrar coragem para sair e realizar as entrevistas.

Retorno às redes sociais após sete meses afastado

A publicação marcou o retorno de Felca às redes sociais depois de sete meses longe da internet. No vídeo, ele também mostrou bastidores de uma palestra para aproximadamente duas mil pessoas e falou sobre o nervosismo que sentia antes de subir ao palco.

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O influenciador relatou que, apesar da ansiedade anterior aos compromissos, costumava se sentir melhor depois de participar das atividades. Por isso, vinha tentando aceitar mais convites, sem deixar de buscar momentos de descanso.

Felca também mencionou sua participação no programa Roda Viva e contou que passou dois dias sem dormir antes da gravação por causa do nervosismo. Os relatos publicados pelo youtuber abordam as consequências que as experiências vividas na adolescência tiveram sobre sua rotina, suas relações pessoais e sua carreira. Mesmo com a exposição pública e o reconhecimento profissional, ele descreveu dificuldades que continuaram presentes em diferentes situações da vida adulta.

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