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PRESIDENCIÁVEL

Flávio Bolsonaro exclui posts que atacavam Bolsa Família e chamavam benefício de “bolsa-farelo”

Postagens criticavam a transferência de renda e defendiam limite de dois anos para benefício estadual; campanha agora propõe período de transição para famílias que recebem o auxílio

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Flávio Bolsonaro diz que votará pelo fim da escala 6x1, mas segue defendendo pagamento por horas trabalhadas
Flávio Bolsonaro vem sendo alvo de críticas nas redes após ressurgirem publicações contra o Bolsa Família. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Publicações antigas de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, nas quais ele criticava o Bolsa Família e outros programas de transferência de renda, deixaram de estar disponíveis em sua conta no X, antigo Twitter. A exclusão foi identificada pelo jornal Estadão, que preservou um arquivo com as postagens do senador e comparou os registros com o conteúdo acessível atualmente na plataforma.

As mensagens, publicadas entre 2010 e 2014, pontuavam que o benefício promovia dependência econômica e que a medida existia para atender a interesses eleitorais do PT. Em diferentes ocasiões, Flávio acusou o partido de manter famílias na pobreza para garantir apoio nas urnas e usou a expressão “bolsa-farelo” para se referir a benefícios sociais.

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A retirada das publicações ocorreu em meio à discussão sobre uma proposta da campanha do senador sobre o período de manutenção do Bolsa Família para famílias que consigam emprego formal ou abram um negócio.

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Mensagens relacionavam auxílio à disputa eleitoral

Uma das publicações mais antigas citadas foi feita em 5 de abril de 2010. Na ocasião, Flávio relacionou o Bolsa Família e a distribuição de cestas básicas à compra de votos. “Enquanto se trocar voto por cesta básica, bolsa-família e esmola o Brasil não vai para frente”, escreveu.

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Em 25 de agosto de 2011, o então deputado estadual criticou um reajuste de benefício social e classificou a medida como uma forma de financiamento público da campanha do PT. No mesmo ano, voltou suas críticas ao Renda Melhor, programa do governo do Rio de Janeiro destinado a complementar a renda de famílias em situação de pobreza e extrema pobreza que já recebiam o Bolsa Família.

Em 23 de novembro de 2011, Flávio foi o único deputado estadual a votar contra a proposta do Renda Melhor na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O projeto foi aprovado por 54 votos a um. A iniciativa previa um complemento de até R$ 300 para as famílias atendidas, com o objetivo de combater a extrema pobreza.

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O parlamentar chamou o programa de “bolsa-farelo estadual” e questionou a ausência de um prazo máximo para o pagamento. Em publicações feitas no dia seguinte à votação, afirmou que havia apresentado emendas para restringir a duração do benefício a dois anos. As propostas, segundo os registros citados pelo Estadão, foram rejeitadas.

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Em 24 de junho de 2013, Flávio voltou a acusar o PT de usar a transferência de renda para preservar apoio político. Na mensagem, afirmou que o partido “perpetua a pobreza com o bolsa-farelo, mantendo as pessoas nessa dependência para não perder seus votos”.

Outras postagens de 2014 também atacavam os programas sociais. Em uma delas, o senador relacionou o recebimento do Bolsa Família e do auxílio-desemprego à falta de procura por trabalho. Em outra, fez uma publicação com a hashtag #ComissãoDaVerdadeDescobre e ironizou a ideia de que pessoas beneficiadas não precisariam trabalhar para manter quem recebia o auxílio.

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Como a exclusão das postagens foi identificada

O Estadão conseguiu comparar o conteúdo antigo com o que permanecia disponível no X porque havia baixado, em junho, o conjunto de publicações de Flávio Bolsonaro. O arquivo preservado reunia textos, datas, horários e links originais, permitindo verificar quais mensagens mencionadas em uma reportagem anterior deixaram de estar acessíveis.

Na ocasião da primeira reportagem, o senador negou ter mudado de posição sobre o Bolsa Família. As publicações voltaram ao debate público após a divulgação das propostas econômicas de sua campanha. O pedido de esclarecimento enviado novamente à equipe do candidato não havia sido respondido até a publicação das notícias citadas.

A identificação das postagens removidas, portanto, foi possível graças ao material arquivado pelo jornal. Os registros preservados permitem consultar o conteúdo das mensagens, mesmo quando os links originais já não funcionam.

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Daniella Marques apresenta regra de transição de dois anos

Nesta segunda-feira (19), Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, defendeu uma regra de transição para beneficiários do Bolsa Família que consigam emprego com carteira assinada ou decidam abrir um negócio.

Em entrevista à CBN Bahia e, posteriormente, ao programa Pânico, da Jovem Pan, Daniella afirmou que a proposta busca permitir que as famílias aumentem a renda sem perder imediatamente a proteção financeira. Ela também defendeu a criação de um Ministério da Prosperidade e descreveu a dependência de programas sociais como uma “prisão assistencialista”.

“Libertar o Brasil dessa prisão assistencialista”, declarou ao apresentar a proposta de criação do ministério. Em outra fala, afirmou que o benefício deve funcionar como proteção durante uma etapa da vida, e não impedir a busca por novas oportunidades.

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A coordenadora disse que a campanha não pretende promover cortes nos programas sociais. Entre as medidas que defende estão qualificação profissional, acesso ao crédito e estímulo ao empreendedorismo. Pela proposta apresentada, famílias que aumentarem a renda por meio do trabalho formal ou de um negócio poderiam continuar recebendo o benefício durante dois anos. Se perdessem a renda ou não conseguissem se manter, teriam direito ao retorno automático ao programa.

Proposta atual difere da defendida por Flávio em 2011

Após a entrevista, perfis ligados ao PT e apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a afirmar nas redes sociais que a proposta de Flávio previa retirar beneficiários do Bolsa Família depois de dois anos. Daniella publicou um vídeo para contestar essa interpretação, enquanto o candidato acusou a esquerda de divulgar informações falsas.

Ao comparar as propostas, a coordenadora afirmou que, segundo sua descrição das regras atuais, famílias que aumentam a renda ou aceitam emprego formal podem manter o Bolsa Família por um ano e retornar ao programa em até 36 meses, caso voltem a precisar do auxílio. Para um eventual governo Flávio, ela defendeu a manutenção do benefício por dois anos durante a transição e o retorno automático.

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A proposta atual não é idêntica à posição adotada por Flávio em 2011. Naquele período, ele defendia limitar a dois anos o recebimento do Renda Melhor, programa estadual do Rio de Janeiro. Agora, a campanha propõe um prazo de transição para famílias que ampliem a renda, com possibilidade de retorno ao Bolsa Família caso não consigam se manter financeiramente.

Na segunda-feira (19), Flávio também publicou um vídeo no Instagram no qual afirmou que os beneficiários poderiam ficar tranquilos porque o benefício estaria garantido.


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