A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) defendeu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como forma de preservar o fim da escala de trabalho 6x1 e outras conquistas trabalhistas. Em Fortaleza, nesta segunda-feira (19), a parlamentar afirmou que o resultado das eleições presidenciais poderá influenciar os próximos passos da pauta e alertou para o risco de mudanças nas regras da jornada de trabalho caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a disputa.
A declaração foi feita durante entrevista à imprensa, antes da participação da deputada em um ato de apoio a Lula no bairro Parangaba. Ao comentar a aprovação do fim da escala 6x1, Erika destacou a resistência enfrentada durante a tramitação da proposta e criticou a atuação de setores contrários à mudança.
Para a parlamentar, a conquista representa um avanço para os trabalhadores brasileiros, mas a manutenção de seus efeitos dependerá dos próximos movimentos políticos. Ela afirmou que a prioridade, neste momento, é garantir a continuidade do projeto defendido pelo atual presidente.
“Por isso que nesse momento a nossa prioridade é reeleger o presidente Lula, para que os trabalhadores continuem de voz, para que os direitos dos trabalhadores não sejam revogados”, declarou.
Erika também direcionou críticas a Flávio Bolsonaro, adversário de Lula no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Na avaliação da deputada, uma eventual vitória do senador poderia abrir caminho para mudanças na legislação trabalhista e comprometer a implementação da jornada com dois dias de descanso semanal.
Erika Hilton critica resistência ao fim da escala 6x1
Durante a entrevista, Erika afirmou que a aprovação do fim da escala 6x1 ocorreu apesar da pressão contrária à proposta. A deputada mencionou a atuação de representantes do setor patronal e questionou projeções econômicas divulgadas durante o debate sobre a redução da jornada.
“Esse foi um desafio que muita gente desacreditou que nós iríamos conseguir”, afirmou.
A parlamentar também contestou estimativas que apontavam possíveis perdas econômicas caso a mudança fosse aprovada. Segundo ela, parte dos argumentos apresentados durante a discussão teria contribuído para criar temor sobre os efeitos da medida.
A escala 6x1 é o modelo em que o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias consecutivos e tem um dia de descanso. A discussão sobre sua substituição ganhou força nacional com mobilizações de trabalhadores e iniciativas apresentadas no Congresso Nacional.
A mudança foi defendida por Erika Hilton, autora da PEC 8/2025, elaborada em articulação com o Movimento Vida Além do Trabalho. A proposta original previa uma jornada semanal de 36 horas, distribuída em quatro dias de trabalho e três de descanso.
O texto aprovado pelo Congresso, contudo, resultou da tramitação de propostas e negociações legislativas. A emenda promulgada em outubro de 2026 prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial, conforme informações publicadas pela imprensa nacional.
Deputada alerta para divergências com Flávio Bolsonaro
Um dos principais pontos da entrevista foi a crítica de Erika Hilton à posição de Flávio Bolsonaro sobre as mudanças na jornada de trabalho.
A deputada afirmou que o senador e seus aliados defenderam alternativas que, segundo sua interpretação, poderiam enfraquecer a proteção garantida pela legislação trabalhista. Ela citou a chamada PEC das Horas Trabalhadas e argumentou que o modelo poderia permitir remunerações inferiores ao salário mínimo mensal, dependendo das condições de contratação.
“Então essa é a nossa prioridade para que os trabalhadores possam continuar a ter direito, dignidade e a gente possa continuar a debater um futuro mais próspero e de esperança para a classe trabalhadora brasileira”, declarou.
A crítica ocorre em meio à disputa eleitoral. Flávio Bolsonaro votou a favor da proposta do fim da escala 6x1 no Senado, mas também manifestou apoio a mudanças nas regras de contratação e à discussão de alternativas para a organização da jornada. A posição do senador e de aliados sobre a flexibilização do trabalho tem sido um dos pontos de divergência entre as campanhas.
Em declarações anteriores, Erika já havia afirmado que uma eventual vitória de Flávio poderia levar à reversão da mudança. A avaliação é da parlamentar e está relacionada às diferenças entre os modelos de jornada defendidos pelos grupos políticos.
A PEC das Horas Trabalhadas, mencionada por Erika, integra o debate sobre a possibilidade de flexibilizar a relação entre jornada e remuneração. Para a deputada, esse tipo de alternativa pode representar um risco aos direitos conquistados. A discussão envolve, portanto, não apenas a quantidade de dias trabalhados, mas também as garantias de remuneração e as condições de negociação entre empregados e empregadores.
Ato pró-Lula reúne lideranças políticas em Fortaleza
A passagem de Erika Hilton pelo Ceará integra a mobilização de apoiadores de Lula na reta final do segundo turno presidencial. A programação do ato em Fortaleza prevê a participação de autoridades, representantes partidários e integrantes de movimentos estudantis.
Entre os nomes convidados estão o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT); o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT); o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), Romeu Aldigueri (PSB); a deputada federal e senadora eleita Luizianne Lins (PT); a deputada federal eleita Luísa Cela; e Léo Suricate (PSOL-CE).
A programação também prevê manifestações de representantes do movimento estudantil, incluindo o grupo Fogo no Pavio. A participação de autoridades e convidados está sujeita a confirmação.
Antes do ato, Erika foi fotografada ao lado de Elmano de Freitas, da vice-governadora Jade Romero, de Romeu Aldigueri e de outras lideranças políticas.
A mobilização ocorre em um momento em que a jornada de trabalho se tornou um dos temas presentes no debate presidencial. Para os apoiadores de Lula, o fim da escala 6x1 representa uma conquista a ser preservada. Já as propostas de flexibilização defendidas por Flávio Bolsonaro e aliados são alvo de críticas de setores que consideram necessário manter as garantias previstas na legislação trabalhista.
Quem é Erika Hilton
Erika Hilton é deputada federal pelo PSOL de São Paulo e ganhou projeção nacional pela atuação em pautas relacionadas aos direitos das mulheres, à população LGBTQIA+ e aos trabalhadores.
Ela iniciou sua trajetória política institucional na Câmara Municipal de São Paulo e chegou à Câmara dos Deputados em 2023, após ser eleita em 2022. Naquele pleito, tornou-se uma das duas primeiras mulheres trans eleitas para a Câmara Federal, ao lado de Duda Salabert (PSOL-MG).
A parlamentar também se destacou pela mobilização em torno do fim da escala 6x1. Sua proposta original previa a redução da jornada semanal para 36 horas, com quatro dias de trabalho e três de descanso. A iniciativa foi incorporada ao debate legislativo que resultou na aprovação de um novo modelo de jornada.
Em Fortaleza, a defesa da medida voltou ao centro de seu discurso. Ao relacionar o futuro dos direitos trabalhistas ao resultado eleitoral, Erika afirmou que a disputa presidencial terá consequências para as prioridades políticas e para a continuidade das mudanças na jornada de trabalho.
O segundo turno das eleições presidenciais está marcado para 25 de outubro. Até lá, o tema deve continuar presente nas manifestações e nos discursos das campanhas, em meio à discussão sobre os efeitos da nova legislação para trabalhadores e empregadores.




