O descarte correto dos resíduos e a comunicação de problemas aos serviços públicos são atitudes necessárias para manter as ruas de Fortaleza limpas. No bairro Cocó, moradores relatam dificuldades com o acúmulo de lixo deixado em vias públicas e afirmam que precisam recorrer a serviços particulares para reduzir a sujeira. A situação mostra como o comportamento de quem utiliza os espaços urbanos interfere na conservação das ruas, mesmo quando há equipes de limpeza em atuação na cidade.
Na Rua Magistral Pompeu, a presença de resíduos preocupa quem mora na região. A autônoma Francileide Botelho conta à TV Cidade Fortaleza que pessoas de outros bairros levam lixo para o local e fazem o descarte em ruas com pouca vigilância.
“As pessoas não têm educação, elas trazem lixo dos arredores aqui do Cocó e jogam aqui nas imediações porque são ruas tranquilas, não têm vigilância.”
Para tentar conter o acúmulo de resíduos, os próprios moradores se organizam e pagam pela limpeza da rua. O serviço é realizado por Vanderley Silva, que trabalha como servente e afirma que a frequência das intervenções não impede que o problema volte a ocorrer.
“Quatro vezes por semana”, relata Vanderley ao informar quantas vezes precisa limpar o local. Mesmo com o trabalho recorrente, ele diz que a sujeira continua sendo deixada na rua: “mas não dá conta, o pessoal fica botando.”
Moradores podem solicitar serviços de limpeza pelo canal 156
Além de descartar os resíduos nos locais adequados, a população pode comunicar à Prefeitura quando identifica pontos com lixo acumulado, vegetação alta ou outras necessidades de zeladoria. As solicitações podem ser registradas pelo canal 156 e nas Centrais de Acolhimento das Secretarias Regionais.
Francisco Queiroz, aposentado, afirma que já procurou o poder público diversas vezes para pedir providências na rua onde mora. “Fiz várias solicitações, acho que mais de 30 solicitações.”
As demandas registradas ajudam a orientar o planejamento das equipes de limpeza. A definição dos locais atendidos considera tanto os pedidos feitos pelos moradores quanto a movimentação nas principais vias da cidade.
A comunicação dos problemas permite que a administração municipal tenha conhecimento das condições de cada região e avalie a necessidade de serviços. O canal de atendimento, porém, não substitui a responsabilidade individual pelo descarte adequado: jogar resíduos em vias públicas pode comprometer o trabalho de limpeza e exigir novas intervenções.
Operação mobiliza 230 garis em diferentes regiões de Fortaleza
A Prefeitura de Fortaleza ampliou a Operação Capital Limpa e Ordenada, coordenada pela Coordenadoria Especial de Apoio à Governança das Regionais (Cegor), em conjunto com as 12 Secretarias Regionais. A força-tarefa foi organizada para realizar serviços de capinação e varrição de meio-fio em mais de 250 vias da Capital.
Nesta primeira etapa, nove frentes de trabalho reúnem 230 garis. As equipes atuam diariamente em diferentes áreas, com previsão de percorrer aproximadamente 27 quilômetros de vias por dia durante dois meses. O planejamento contempla 1.770 quilômetros de capinação e varrição de meio-fio.
A estimativa é recolher até 135 toneladas de resíduos por dia, com previsão de ultrapassar 8 mil toneladas retiradas das vias ao longo da operação. Para apoiar o serviço, nove veículos do tipo caçamba foram destinados exclusivamente à força-tarefa.
A ação busca controlar o crescimento da vegetação espontânea e remover resíduos acumulados, especialmente durante o período chuvoso. As equipes atuam simultaneamente em diferentes regionais, com serviços em bairros como Conjunto Ceará, José Walter, Passaré, Vila União, Joaquim Távora, Montese, Centro, Cajazeiras, João XXIII, Vila Velha e Barra do Ceará, entre outras áreas da cidade.
As vias atendidas foram definidas a partir de dados sobre a movimentação urbana fornecidos pela Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), além das solicitações registradas pelo canal 156 e dos pedidos formalizados nas Centrais de Acolhimento das Secretarias Regionais.
Ecopontos e coleta domiciliar ajudam a evitar o descarte irregular
O destino dos resíduos também faz parte dos cuidados necessários para manter a cidade limpa. A população deve acompanhar os dias e horários da coleta domiciliar em seu bairro e encaminhar materiais volumosos aos Ecopontos, evitando deixá-los em calçadas, terrenos ou avenidas.
O titular da Cegor, Júlio Brasil, orienta os moradores a utilizar os serviços disponíveis e a buscar atendimento quando houver necessidade de recolhimento específico.
“A gente chama essa atenção. Orienta para ficar atento à coleta do lixo domiciliar no seu bairro, na sua rua, e fazer o descarte dos lixos volumosos nos Ecopontos, ou então ligar através do número 566 solicitando o caminhão do Limpezinha.”
A orientação inclui verificar a programação da coleta regular e procurar os canais adequados para materiais que não devem ser colocados junto ao lixo doméstico comum. A destinação correta evita que objetos e resíduos ocupem calçadas e vias públicas, dificultando a circulação e exigindo a atuação das equipes de limpeza.
Descarte irregular pode resultar em punição
A Prefeitura também utiliza câmeras de monitoramento distribuídas pela cidade para auxiliar na fiscalização. Pessoas flagradas descartando resíduos irregularmente podem ser punidas.
Além das ações de fiscalização, a manutenção dos espaços públicos depende da colaboração cotidiana dos moradores, comerciantes e demais pessoas que circulam por Fortaleza. O trabalho das equipes remove o material acumulado e controla a vegetação, mas a conservação dos locais atendidos também depende de evitar novos descartes inadequados.
Júlio Brasil afirma que a preservação das áreas públicas precisa ser compartilhada entre a gestão municipal e a população.
“A gente também chama a população para esse zelo do que é de todos, atentar que não é só responsabilidade da Prefeitura, mas também diz respeito a essa questão do descarte incorreto do lixo nas avenidas. Isso é algo que tem tomado muito esforço da gestão, fazer esse trabalho de conscientização.”




