Marcelo Paz deixou o cargo de executivo de futebol do Corinthians nesta terça-feira (20), após uma reunião com o presidente do clube, Osmar Stabile. O encerramento do vínculo foi anunciado depois do empate por 1 a 1 com o Vitória, resultado que ampliou para nove partidas a sequência do time sem vencer no Campeonato Brasileiro. A saída ocorre em meio à pressão de torcedores sobre a diretoria e a um cenário de insegurança provocado por ameaças nas redes sociais contra o dirigente e sua esposa, Jade Romero, vice-governadora do Ceará.
Em comunicado oficial, o Corinthians informou que o desligamento foi definido em comum acordo entre as partes. A nota agradeceu pelos serviços prestados por Paz e desejou sucesso ao profissional na continuidade da carreira. O anúncio formal, porém, ocorreu em um momento de forte desgaste esportivo e de cobranças sobre a condução do departamento de futebol.
A passagem de Marcelo Paz pelo clube paulista durou pouco menos de dez meses. Ele chegou ao Corinthians em dezembro de 2025, depois de deixar o Fortaleza, onde exercia a função de CEO. No clube cearense, sua saída ocorreu após o rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro.
Marcelo Paz deixa o Corinthians em meio à crise de resultados
O empate com o Vitória foi um dos acontecimentos mais recentes de uma sequência que aumentou a pressão sobre a gestão do futebol corintiano. Sem conseguir vencer há nove jogos no Brasileirão, a equipe enfrenta cobranças dentro e fora de campo em uma temporada marcada por dificuldades esportivas.
O resultado contra o time baiano manteve o Corinthians em situação delicada na tabela. Conforme os dados divulgados após a partida, o clube ocupava a 16ª colocação, com 33 pontos, apenas um a mais que o Internacional, primeiro time dentro da zona de rebaixamento naquele momento. A proximidade da parte inferior da classificação amplia o peso de cada rodada na luta pela permanência na Série A.
A pressão não ficou restrita às arquibancadas. A Gaviões da Fiel, uma das principais torcidas organizadas do Corinthians, cobrou a saída de Marcelo Paz, e representantes do grupo levaram a insatisfação à presidência do clube. A cobrança refletiu o descontentamento com a sequência negativa e com as decisões tomadas durante a temporada.
A saída do executivo, contudo, não resolve automaticamente os problemas do time. O desempenho em campo depende de uma série de fatores, incluindo o trabalho da comissão técnica, a resposta dos jogadores, o planejamento do elenco e a capacidade da diretoria de administrar a crise. A mudança no comando do departamento de futebol abre uma nova etapa justamente quando a equipe precisa somar pontos para se afastar da zona de rebaixamento.
Ameaças nas redes sociais também marcaram o ambiente no clube
Além dos resultados, o clima de tensão em torno do Corinthians envolveu ameaças dirigidas a Marcelo Paz e à esposa dele, Jade Romero. As intimidações nas redes sociais contribuíram para um ambiente de insegurança em meio às cobranças relacionadas à campanha do time.
O caso evidencia uma dimensão preocupante da pressão no futebol: críticas a dirigentes e profissionais fazem parte do debate esportivo, mas ameaças ultrapassam o limite da cobrança e podem colocar em risco a segurança das pessoas envolvidas. A insatisfação de torcedores com resultados não justifica intimidação ou violência.
A combinação entre desempenho ruim, manifestações públicas de torcedores e ameaças tornou o ambiente ainda mais delicado para o executivo. Embora o comunicado oficial tenha apresentado a saída como uma decisão de comum acordo, a mudança foi anunciada no contexto dessa pressão crescente.
O episódio também repercute no Ceará por causa da trajetória de Paz no Fortaleza e da atuação pública de Jade Romero. A passagem do dirigente pelo clube cearense havia terminado em dezembro de 2025, após o rebaixamento do Leão, antes de ele assumir o desafio de comandar o departamento de futebol do Corinthians.
Qual foi o balanço de Marcelo Paz no Corinthians?
Os números da temporada ajudam a dimensionar o cenário esportivo no momento da saída. De acordo com o balanço informado, o Corinthians disputou 56 partidas em 2026, com 20 vitórias, 16 empates e 20 derrotas. O único título conquistado no período foi a Supercopa Rei.
O retrospecto mostra uma campanha marcada por resultados irregulares. Embora o número de vitórias tenha sido igual ao de derrotas, a sequência recente sem triunfos no Campeonato Brasileiro aumentou a preocupação com a classificação. Em uma disputa de pontos corridos, períodos prolongados sem vencer podem comprometer a posição de uma equipe, sobretudo quando ela está próxima da zona de rebaixamento.
É importante distinguir, porém, os resultados coletivos da responsabilidade individual de um executivo. A gestão do futebol envolve contratações, planejamento, relacionamento com a comissão técnica e decisões administrativas, enquanto o desempenho de cada partida também depende da atuação dos atletas e das escolhas táticas. O balanço de vitórias, empates e derrotas, isoladamente, não explica todas as causas da crise.
A mudança na direção do futebol deixa para o Corinthians o desafio imediato de reorganizar a área e dar suporte à equipe na reta final do campeonato. Até que o clube anuncie os próximos passos, não há definição a acrescentar sobre quem assumirá a função de Marcelo Paz.
Saída encerra ciclo iniciado após a passagem pelo Fortaleza
A trajetória recente de Marcelo Paz conecta dois momentos difíceis de clubes tradicionais do futebol brasileiro. Depois de atuar como CEO do Fortaleza, ele foi anunciado pelo Corinthians em dezembro de 2025 para assumir o departamento de futebol. Menos de um ano depois, deixa o clube paulista em meio a uma crise esportiva e a cobranças por mudanças.
No Fortaleza, sua saída ocorreu após o rebaixamento da equipe. No Corinthians, o desligamento foi anunciado depois de uma sequência de nove partidas sem vitória no Brasileirão e de manifestações de torcedores contra sua permanência.
Os contextos são diferentes, mas os dois episódios colocam o dirigente no centro de períodos de pressão por resultados. A partir de agora, o Corinthians terá de lidar com a reorganização do departamento de futebol e, principalmente, buscar uma reação dentro de campo para evitar que a situação na tabela se agrave.




