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SAÚDE MENTAL

O que é fobia social? Entenda o transtorno revelado por Felca após sofrer bullying

Após relatar agressões e humilhações vividas na adolescência, o influenciador compartilhou o diagnóstico de transtorno de ansiedade social. Especialista explica os sintomas, os impactos do bullying e as possibilidades de tratamento

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O que é fobia social? Entenda o transtorno revelado por Felca após sofrer bullying
Medo de interagir e de ser julgado: entenda a fobia social relatada por Felca. Foto: Reprodução

O influenciador Felca revelou ter diagnóstico de fobia social em um vídeo publicado nesta terça-feira (20), no qual relatou agressões físicas, humilhações e episódios de bullying sofridos durante a adolescência. Após passar meses afastado das redes sociais e enfrentar dificuldades para participar de eventos e interagir com outras pessoas, ele compartilhou sua experiência e chamou atenção para os impactos da violência psicológica na saúde mental.

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Conhecido pelo conteúdo humorístico na internet, Felca contou que as agressões começaram quando tinha 12 anos e se prolongaram durante a vida escolar. Segundo o influenciador, as experiências contribuíram para o medo de situações sociais, o isolamento e a dificuldade de lidar com ambientes nos quais poderia ser observado ou julgado.

No vídeo, ele também relatou que recorria ao álcool para conseguir participar de gravações, entrevistas e compromissos públicos. Ao falar sobre o assunto, o influenciador anunciou um desafio pessoal de três meses para retomar atividades sociais e afirmou que pretende realizar palestras gratuitas sobre bullying em escolas.

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O relato foi publicado no Dia Mundial sem Bullying, celebrado em 20 de outubro, e reacendeu o debate sobre as consequências das agressões repetidas para vítimas de diferentes idades.

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O que é fobia social?

A fobia social, também conhecida como Transtorno de Ansiedade Social (TAS), é uma condição caracterizada pelo medo intenso de situações em que a pessoa acredita que poderá ser observada, julgada, criticada ou humilhada.

Esse receio pode aparecer em situações comuns, como conhecer pessoas, conversar com desconhecidos, falar em público, participar de reuniões ou realizar atividades diante de outras pessoas. O medo pode ser tão intenso que leva o indivíduo a evitar compromissos e oportunidades importantes.

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A psicóloga Adriely Lemes, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), explica, em entrevista ao O POVO, que a fobia social se diferencia da timidez pela intensidade do medo e pelos prejuízos provocados na rotina.

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Uma pessoa tímida pode sentir desconforto em determinadas interações, mas ainda conseguir participar delas. No transtorno de ansiedade social, o receio de receber avaliações negativas pode gerar sofrimento significativo e dificultar atividades profissionais, acadêmicas e pessoais.

O diagnóstico não deve ser feito apenas com base em sintomas isolados ou relatos publicados nas redes sociais. A avaliação precisa considerar a duração, a intensidade e os efeitos do quadro na vida da pessoa.

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Quais são os sintomas da fobia social?

Os sintomas podem variar de acordo com cada indivíduo e com a situação enfrentada. Além do medo persistente de ser julgado, o transtorno pode provocar reações físicas e emocionais antes, durante e depois de interações sociais.

Entre os sinais mais comuns estão:

  1. Taquicardia: aumento dos batimentos cardíacos em situações de exposição.
  2. Tremores e sudorese: reações físicas associadas à ansiedade.
  3. Rubor: vermelhidão no rosto diante de situações desconfortáveis.
  4. Dificuldade para falar: sensação de bloqueio ao conversar ou se apresentar diante de outras pessoas.
  5. Ansiedade antecipatória: preocupação intensa antes de um encontro, evento ou compromisso.
  6. Medo de críticas: receio persistente de cometer erros, passar vergonha ou ser rejeitado.
  7. Evitação social: desistência de atividades para escapar do desconforto.

Depois de uma interação, algumas pessoas também passam muito tempo revendo mentalmente o que disseram ou fizeram, preocupadas com a possibilidade de terem sido julgadas negativamente.

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A presença de um ou mais desses sinais não confirma, por si só, a existência do transtorno. O alerta surge quando o medo é persistente, provoca sofrimento e começa a limitar a rotina, os relacionamentos e a participação em atividades importantes.

Como o bullying pode afetar a saúde mental?

O bullying envolve agressões físicas ou psicológicas intencionais e repetidas, como humilhações, ameaças, apelidos ofensivos, exclusão e intimidação. Essas situações podem afetar a autoestima, a sensação de segurança e a maneira como a vítima passa a se relacionar com outras pessoas.

Na infância e na adolescência, experiências recorrentes de violência podem contribuir para o medo de rejeição e para a expectativa de que novas interações terminem em constrangimento. Em alguns casos, a vítima começa a evitar ambientes que associa às agressões, mesmo quando já não está exposta às mesmas pessoas.

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O relato de Felca exemplifica como as consequências de experiências vividas na escola podem continuar presentes na vida adulta. O influenciador descreveu dificuldades para sair de casa e participar de compromissos públicos, além de reações físicas intensas em situações de interação.

Isso não significa, entretanto, que toda pessoa que sofre bullying desenvolverá fobia social. A resposta às agressões varia de acordo com diferentes fatores individuais e contextuais. Por isso, é importante observar sinais de sofrimento emocional e oferecer acolhimento, sem minimizar a violência ou responsabilizar a vítima.

O assédio também pode ocorrer no ambiente digital. Comentários ofensivos, ameaças, exposição pública e ataques virtuais podem ampliar o medo de julgamento e levar ao afastamento de redes sociais e de atividades presenciais.

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Fobia social tem tratamento?

Sim. O transtorno de ansiedade social pode ser tratado, e a busca por acompanhamento profissional ajuda a identificar as necessidades de cada pessoa.

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens utilizadas no tratamento. O trabalho terapêutico pode ajudar o paciente a reconhecer padrões de pensamento associados ao medo de avaliação negativa, desenvolver estratégias para lidar com a ansiedade e enfrentar situações temidas de maneira gradual e planejada.

A necessidade de avaliação psiquiátrica e de eventual uso de medicamentos deve ser definida por um profissional habilitado, de acordo com o quadro e as necessidades do paciente.

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O tratamento não deve ser confundido com a obrigação de enfrentar situações difíceis de uma só vez. A exposição a situações sociais precisa respeitar as condições de cada pessoa e, quando indicada, ser conduzida de maneira gradual e com orientação profissional.

Quando procurar ajuda profissional?

É importante buscar atendimento quando o medo de interagir com outras pessoas se torna frequente, provoca sofrimento intenso ou leva ao abandono de atividades cotidianas.

Dificuldades persistentes para frequentar a escola, trabalhar, participar de encontros ou manter relacionamentos merecem atenção, principalmente quando acompanhadas de isolamento e ansiedade intensa.

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Acolher quem enfrenta essas dificuldades também faz diferença. Familiares, amigos e educadores podem ouvir sem julgamentos, evitar minimizar o sofrimento e incentivar a procura por ajuda, sem pressionar a pessoa a participar de situações para as quais ainda não se sente preparada.

No caso de crianças e adolescentes que sofrem bullying, é fundamental que responsáveis e instituições de ensino levem os relatos a sério, interrompam as agressões e ofereçam apoio. A responsabilização de quem pratica a violência e a criação de ambientes seguros são medidas importantes para prevenir novos episódios.

No Sistema Único de Saúde (SUS), a Unidade Básica de Saúde (UBS) pode ser a porta de entrada para a avaliação e o encaminhamento aos serviços de saúde mental, conforme a necessidade de cada paciente.

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O relato de Felca reforça a importância de discutir o bullying e suas possíveis consequências sem estigmatizar quem enfrenta dificuldades emocionais. Reconhecer os sinais, oferecer acolhimento e buscar acompanhamento adequado são passos importantes para que o sofrimento não impeça a pessoa de estudar, trabalhar, construir relacionamentos e participar da vida social.


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