O Fortaleza tem duas punições ativas da Fifa relacionadas a dívidas que somam cerca de R$ 836 mil. Os casos envolvem o meio-campista colombiano Yeison Guzmán, contratado junto ao Torpedo, da Rússia, e o zagueiro Brayan Ceballos, que cobra um repasse referente à venda para o New England Revolution, dos Estados Unidos.
Segundo apuração publicada pelo jornal O Povo nesta quinta-feira (29), as sanções foram aplicadas no início de outubro e impedem o clube de registrar novos jogadores por três janelas de transferências, caso as pendências não sejam resolvidas. O Fortaleza pode derrubar as punições mediante pagamento dos valores ou formalização de acordos.
As duas cobranças têm origens diferentes: uma está relacionada à aquisição de Guzmán, enquanto a outra envolve um valor que Ceballos afirma ter direito a receber pela negociação de seus direitos econômicos.
Por que o Fortaleza foi punido pela Fifa?
O primeiro transfer ban deste mês foi aplicado em 8 de outubro, por causa de uma dívida com o Torpedo, da Rússia, referente à contratação de Yeison Guzmán. No dia seguinte, a Fifa aplicou outra punição ao clube, dessa vez pela pendência financeira com Brayan Ceballos.
As duas sanções se somam a um histórico recente de dificuldades financeiras envolvendo negociações de atletas. Em julho, o Fortaleza também havia sido punido por uma dívida relacionada à contratação do lateral-direito Eros Mancuso, junto ao Estudiantes, da Argentina. Naquele caso, os clubes chegaram a um acordo para reorganizar o pagamento, e a punição foi derrubada.
O transfer ban impede o registro de novos jogadores enquanto a sanção estiver em vigor. A medida não significa, por si só, que o clube esteja impedido de disputar partidas com os atletas que já estão registrados.
Qual é a dívida do Fortaleza com Brayan Ceballos?
O zagueiro colombiano Brayan Ceballos cobra US$ 54 mil, valor equivalente a aproximadamente R$ 289 mil na cotação utilizada na apuração. A cobrança se refere a uma parcela que o jogador afirma ter direito a receber pela venda ao New England Revolution, dos Estados Unidos, em 2024.
A negociação foi concretizada por US$ 1,8 milhão. De acordo com o relato apresentado à Fifa, Ceballos tinha direito a 10% do valor da venda, o equivalente a US$ 180 mil, divididos em duas parcelas vinculadas aos pagamentos realizados pelo clube norte-americano ao Fortaleza.
O defensor afirma ter recebido a primeira parte do repasse, mas não a segunda, de US$ 54 mil, prevista para janeiro de 2026. A falta de pagamento motivou a reclamação à entidade que administra o futebol mundial e resultou na punição ao clube cearense.
Ceballos defendeu o Fortaleza entre 2022 e 2023. Atualmente, o jogador atua pelo Montreal, do Canadá.
Quanto o Fortaleza deve pela contratação de Yeison Guzmán?
A segunda dívida envolve o Torpedo, da Rússia, clube com o qual o Fortaleza negociou a contratação de Yeison Guzmán em setembro de 2025. O acordo pela aquisição do meio-campista colombiano foi fechado por US$ 1,1 milhão.
A primeira parcela, de US$ 100 mil, tinha vencimento previsto para 25 de outubro de 2025, mas não foi quitada. Diante da pendência, o clube russo acionou a Fifa.
A entidade estabeleceu uma obrigação de pagamento de US$ 97,5 mil, descontado o percentual referente ao mecanismo de solidariedade. Com a incidência de juros de 5% ao ano, o montante chegou a cerca de US$ 103 mil, equivalente a aproximadamente R$ 547,7 mil na cotação informada pela reportagem.
Guzmán está emprestado ao América de Cali, da Colômbia. Segundo a apuração de O Povo, o jogador atingiu as metas contratuais que acionariam a obrigação de compra, mas o clube colombiano ainda não teria transferido ao Fortaleza cerca de R$ 6,5 milhões. A pendência pode levar o Tricolor a buscar uma cobrança na Fifa.
Como o Fortaleza pode derrubar os transfer bans?
O caminho para retirar as punições é resolver as pendências que deram origem aos processos. Isso pode ocorrer por meio do pagamento dos valores devidos ou da formalização de acordos com os credores.
Até a publicação da reportagem de O Povo, o Fortaleza tinha duas sanções ativas relacionadas aos casos de Guzmán e Ceballos. A situação exige que o clube negocie com os envolvidos para evitar que as restrições permaneçam durante as próximas janelas de transferências.
O episódio envolvendo Mancuso mostra que um acordo pode permitir a retirada de uma punição. Na ocasião, o Fortaleza e o Estudiantes reorganizaram as condições de pagamento da dívida relacionada ao lateral-direito.
As pendências também se inserem em um cenário de pressão financeira sobre o clube. O Fortaleza disputa a Série B do Campeonato Brasileiro em 2026 e precisa administrar os compromissos com credores enquanto busca manter a competitividade esportiva.
A soma de aproximadamente R$ 836 mil corresponde aos valores associados às duas punições recentes por Guzmán e Ceballos, não ao total das dívidas do Fortaleza. A regularização desses débitos é o caminho para buscar a retirada dos transfer bans e recuperar a possibilidade de registrar novos jogadores.




