A Polícia Federal (PF) realizou, nesta quinta-feira (29), uma operação para aprofundar as investigações sobre suspeitas de fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Ceará. A ação ocorreu em Maracanaú, Pacatuba, Itaitinga e Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, e resultou na apreensão de celulares, computadores, mídias de armazenamento, comprovantes de transações financeiras e anotações.
Batizada de Operação Ubiquidade 2, a ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão e um mandado de busca pessoal, expedidos pela 34ª Vara Federal, na Subseção Judiciária de Maracanaú. A operação foi realizada em conjunto com a Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social, vinculada ao Ministério da Previdência Social.
O objetivo é reunir provas sobre a atuação de um grupo suspeito de liberar indevidamente benefícios previdenciários nos sistemas do INSS para viabilizar a contratação de empréstimos consignados. Segundo a Polícia Federal, as parcelas desses empréstimos eram posteriormente descontadas dos pagamentos recebidos pelos beneficiários.
Como funcionaria o esquema investigado pela PF
A investigação apura a liberação de benefícios sem o conhecimento e a autorização dos titulares. Na prática, a suspeita é de que os dados e os benefícios previdenciários fossem utilizados para viabilizar operações de crédito consignado sem o consentimento dos beneficiários.
A apuração busca esclarecer como as liberações eram realizadas, quem participava do esquema e de que forma os empréstimos eram contratados. A Polícia Federal não divulgou, na nota consultada, o número total de beneficiários que podem ter sido prejudicados nem o valor financeiro envolvido nas suspeitas.
O material recolhido durante a nova fase da operação será analisado pelos investigadores para auxiliar na identificação de outros possíveis integrantes do grupo e no esclarecimento das circunstâncias dos fatos.
Operação dá continuidade a investigação iniciada em 2024
A Operação Ubiquidade 2 é um desdobramento de uma ação realizada pela Polícia Federal em 12 de setembro de 2024. Na primeira fase, a investigação identificou a atuação suspeita de duas funcionárias da Agência da Previdência Social de Maracanaú, que teriam liberado benefícios sem o conhecimento e a autorização dos respectivos titulares.
De acordo com a PF, a análise dos materiais apreendidos naquela ocasião e os depoimentos colhidos durante a investigação permitiram identificar novos possíveis integrantes do grupo. Um dos mandados cumpridos nesta quinta-feira foi realizado no local de trabalho de um dos investigados.
A nova etapa busca aprofundar as apurações e reunir elementos que ajudem a esclarecer a participação dos suspeitos. A corporação não informou, na nota oficial, se haverá novas medidas após a análise do material apreendido.
Quais crimes são investigados?
Segundo a Polícia Federal, as condutas investigadas podem configurar, em tese, crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário e invasão de dispositivo informático, entre outras possíveis infrações.
A corporação ressaltou que as investigações continuam. Os equipamentos e documentos recolhidos serão examinados para contribuir com o avanço do inquérito e a identificação de outros possíveis envolvidos.
Até a divulgação das informações consultadas, a PF não havia anunciado prisões relacionadas à operação. Os fatos seguem sob investigação, e eventuais responsabilidades criminais deverão ser apuradas pelas autoridades competentes.




