A morte de Marília Mendonça completa cinco anos nesta quinta-feira (5). A cantora morreu aos 26 anos, em 5 de novembro de 2021, quando o avião em que viajava atingiu um cabo de uma linha de transmissão de energia elétrica durante a aproximação para pouso em Piedade de Caratinga, no interior de Minas Gerais. Outras quatro pessoas que estavam na aeronave também morreram.
Marília havia embarcado em Goiânia com destino à região de Caratinga, onde faria um show naquela noite. A queda aconteceu por volta das 15h30, em uma área de difícil acesso próxima a um curso d'água.
A tragédia interrompeu a trajetória de uma das principais artistas da música sertaneja brasileira. Conhecida como Rainha da Sofrência, a cantora construiu uma carreira marcada por composições sobre relacionamentos e pela ampliação do espaço feminino no gênero.
Como aconteceu o acidente que matou Marília Mendonça?
A aeronave de pequeno porte decolou do Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, às 13h05 do dia 5 de novembro de 2021. Durante a aproximação para o pouso, o avião atingiu um cabo para-raios de uma linha de transmissão de energia elétrica de 69 quilovolts (kV), administrada pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).
O impacto provocou danos estruturais e esforços de tração que arrancaram o motor esquerdo de sua fixação ainda durante o voo. Com a perda de controle, a aeronave atingiu o terreno rochoso, às margens de uma cachoeira, conforme o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
Além de Marília, morreram o tio e assessor da cantora, Abicieli Silveira Dias Filho; o produtor Henrique Ribeiro; o piloto Geraldo Martins de Medeiros Júnior; e o copiloto Tarciso Pessoa Viana. Não houve sobreviventes.
O avião era um bimotor Beechcraft King Air C90A, de prefixo PT-ONJ, operado pela empresa PEC Táxi Aéreo. Equipes do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas para atender à ocorrência.
O que apontaram as investigações sobre a queda do avião?
As circunstâncias do acidente foram analisadas pelo Cenipa e pela Polícia Civil de Minas Gerais. As duas investigações tiveram objetivos diferentes: a apuração aeronáutica buscou identificar fatores que contribuíram para a queda, enquanto a investigação policial examinou possíveis responsabilidades criminais.
Em maio de 2023, o Cenipa divulgou o relatório final. O documento apontou que a aproximação foi iniciada a uma distância consideravelmente maior do que a esperada para uma aeronave daquela categoria, com pouca separação em relação ao solo.
Os investigadores também observaram que o cabo para-raios apresentava baixo contraste em relação à vegetação ao fundo, o que dificultava sua identificação visual. O relatório registrou ainda que a linha de transmissão estava fora da zona de proteção do aeródromo e não se enquadrava nos critérios que tornariam obrigatória sua sinalização como obstáculo aeronáutico.
Em outubro de 2023, a Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito e atribuiu a queda à negligência e à imprudência dos pilotos. Segundo a corporação, a tripulação deveria ter avaliado previamente a presença de obstáculos na região. Como os dois profissionais morreram no acidente, o inquérito foi arquivado.
O Cenipa, por sua vez, esclareceu que sua investigação tem caráter preventivo e não estabelece culpa ou responsabilidade criminal.
Marília Mendonça era símbolo da música sertaneja
Nascida em 22 de julho de 1995, em Cristianópolis, no interior de Goiás, Marília Dias Mendonça começou a se destacar na música como compositora. Antes de alcançar projeção nacional como cantora, escreveu canções que passaram a fazer parte do repertório de artistas conhecidos do sertanejo, como Henrique & Juliano, Jorge & Mateus e Cristiano Araújo.
A carreira como intérprete ganhou força em 2015, com o lançamento de seu primeiro EP. No ano seguinte, o álbum Marília Mendonça ampliou sua popularidade, impulsionado pelo sucesso de músicas como Infiel e Eu Sei de Cor.
A cantora se tornou uma das principais representantes do feminejo, movimento que ampliou o espaço das mulheres na música sertaneja. Suas composições frequentemente apresentavam a perspectiva feminina em histórias de relacionamentos, traições, separações e recomeços.
Projeto Todos os Cantos marcou a trajetória da cantora
Um dos trabalhos de maior destaque da carreira de Marília foi Todos os Cantos, projeto que ganhou projeção nacional com apresentações gratuitas e surpresa em diferentes capitais brasileiras. As gravações foram reunidas em um trabalho audiovisual lançado em 2019.
A proposta permitiu que a cantora se aproximasse de públicos de diferentes regiões do país e consolidou sua presença no cenário musical. O álbum também rendeu o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Sertaneja em 2019.
Marília também participou do projeto Patroas, ao lado de Maiara e Maraisa, fortalecendo a parceria entre as três artistas. Durante a pandemia de Covid-19, alcançou grande audiência com apresentações transmitidas pela internet.
Uma live realizada em 8 de abril de 2020 chegou a aproximadamente 3,3 milhões de espectadores simultâneos no YouTube, estabelecendo um recorde de audiência para transmissões musicais na plataforma naquele período.
Lançamentos póstumos mantêm a obra de Marília Mendonça em circulação
A morte da cantora não encerrou a circulação de sua obra. Gravações deixadas por Marília passaram a integrar projetos póstumos, permitindo que o público conhecesse interpretações e composições que ainda não haviam sido lançadas oficialmente.
Em 22 de abril de 2026, a gravadora Som Livre lançou o EP Manuscritos, Capítulo I, com seis músicas compostas pela artista no início da carreira. O trabalho reuniu versões de canções como Cuida Bem Dela, Até Você Voltar, Quem Ama Sempre Entende, Deixa Ela Saber, Foi por Conveniência e Flor e o Beija-Flor.
Marília deixou um filho, Léo, nascido em dezembro de 2019, fruto de seu relacionamento com o cantor Murilo Huff. A obra da artista continua presente nas plataformas digitais, com lançamentos póstumos que ampliam o acesso do público a composições e gravações de diferentes momentos de sua carreira.




