PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Mais do que comoção, o caso Orelha expõe a urgência da educação em direitos dos animais

Caso que comoveu o Brasil e ganhou repercussão internacional reacende o debate sobre educação em direitos dos animais e responsabilidade do Estado.

Compartilhe
Mais do que comoção, o caso Orelha expõe a urgência da educação em direitos dos animais
Foto: GCMais

O assassinato brutal do cachorro conhecido como Orelha deixou de ser apenas mais um caso de maus-tratos contra animais. O crime, ocorrido em Santa Catarina, ganhou repercussão nacional, atravessou fronteiras e passou a ser noticiado também por veículos internacionais, com manifestações de artistas, celebridades e ativistas de diferentes países. Mais do que relatar o ocorrido, o episódio escancarou uma discussão urgente que ainda recebe pouca atenção no Brasil: a ausência da educação em direitos dos animais na formação de crianças e adolescentes.

A comoção foi imediata. Pessoas de diferentes idades, raças, religiões e posições políticas se mobilizaram nas redes sociais pedindo justiça. O caso gerou protestos, debates públicos e uma enxurrada de mensagens cobrando punição aos responsáveis. Entre essas vozes, a ativista Luísa Mell, referência nacional na causa animal, destacou que a violência contra animais não pode ser tratada como um fato isolado.

“Quando um caso como esse choca o país inteiro, é porque ele revela algo muito maior. A violência contra animais nasce da falta de empatia, da ausência de educação e de limites. Isso não começa no ato final, começa muito antes”, afirmou Luísa Mell.

PUBLICIDADE

Casos semelhantes envolvendo crianças e adolescentes também têm ganhado destaque em outros países, reforçando que a crueldade contra animais entre jovens é um problema global. Nos Estados Unidos, imagens de um menino pisoteando um pato até a morte geraram indignação nacional. No Texas, uma adolescente foi acusada de envenenar um animal de competição pertencente a outro jovem. Já no Reino Unido, dois adolescentes foram condenados após torturarem e matarem filhotes de gato, sendo proibidos pela Justiça de possuir animais no futuro. Episódios como esses têm levado especialistas a defender políticas educacionais preventivas como forma de conter a escalada da violência.

A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil de Santa Catarina. O delegado Ulisses Gabriel, que acompanha o caso, afirmou que as diligências continuam, mesmo com parte dos suspeitos fora do país.

“Dois adolescentes estão em viagem ao exterior, algo previamente programado, mas isso não impede o avanço da investigação. Estamos reunindo provas e adotando todas as medidas necessárias para o completo esclarecimento dos fatos”, disse o delegado.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Embora o caso avance no campo policial, especialistas alertam que a discussão precisa ir além da responsabilização criminal. O episódio evidencia uma lacuna profunda na formação social. Nas escolas, o tema costuma ser abordado quase exclusivamente sob o viés ambiental, quando, na prática, é necessário falar também de direitos dos animais, respeito à vida, posse responsável e convivência ética.

A educação, idealmente, começa em casa. Mas nem sempre ela vem. E quando falha, o papel da escola e do Estado se torna fundamental. Ensinar direitos dos animais não é apenas proteger cães e gatos, é formar cidadãos mais conscientes, menos violentos e mais preparados para viver em sociedade.

Para o secretário da Proteção Animal do Ceará, Erich Douglas, o poder público precisa atuar de forma preventiva. “O Estado não pode agir apenas depois do crime. Educação em direitos dos animais, posse responsável e respeito à vida precisam fazer parte das políticas públicas e do ambiente escolar. Essa é uma das formas mais eficazes de prevenir a violência”, afirmou.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A protetora Stephanie Rodrigues, fundadora da ONG Anjos da Proteção Animal – (APA), reforça esse entendimento a partir da própria experiência. Responsável por resgates que comoveram o Ceará, como o caso do cachorro Milagre, que teve as patas decepadas, e mais recentemente o do poodle Scooby, ela afirma que a violência contra animais segue um padrão preocupante.

“Na maioria das vezes, existe um histórico de negligência, de banalização da dor do outro. Quando a sociedade não educa para o respeito, a violência encontra espaço para crescer”, disse.

O impacto psicológico da violência

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Para a psicologia, a crueldade contra animais deve ser observada com atenção, especialmente quando envolve jovens. Segundo a psicóloga Kamilla Gurgel, comportamentos violentos podem estar associados à dificuldade de reconhecer o sofrimento do outro.

“Trabalhar empatia, responsabilidade e limites desde cedo é essencial. Isso ajuda a prevenir não apenas maus-tratos aos animais, mas também bullying e outras formas de violência”, explica Kamilla Gurgel.

Do ponto de vista jurídico, a advogada Mayara Rangel, lembra que animais comunitários também são protegidos pela legislação brasileira.

PUBLICIDADE

“Maus-tratos são crime, independentemente de o animal ter tutor definido. Animais comunitários têm direito à vida, à integridade física e à proteção do Estado. A responsabilização é importante, mas sem educação, os casos vão continuar se repetindo”, afirma Mayara Rangel.

Essa consciência também começa a aparecer entre as próprias crianças. Gabriel Mendes, de 10 anos, que se define como um defensor dos animais, resume de forma simples o que muitos adultos ainda têm dificuldade de entender.

“Os animais não sabem se defender sozinhos. Se a gente machuca eles, é covardia. Na escola e em casa a gente tem que aprender que proteger os animais é uma coisa boa, porque eles sentem dor igual a gente”, diz Gabriel Mendes.

PUBLICIDADE

O caso do cão Orelha deixa uma mensagem dura, mas necessária. O ideal é que a educação venha de casa. Quando isso não acontece, o Estado e as escolas precisam assumir esse papel. Ensinar direitos dos animais é, acima de tudo, ensinar humanidade. Sem isso, novos episódios de violência continuarão surgindo e a indignação, sozinha, não será suficiente para evitá-los.

 

 

 

Mais lidas da coluna
“Michael” chega aos cinemas com sessões antecipadas e clima de celebração entre fãs
Fernanda Leite
“Michael” chega aos cinemas com sessões antecipadas e clima de celebração entre fãs
16 de abr. de 2026 - 13:42
Frente Parlamentar da Causa Animal fortalece diálogo entre poder público e sociedade civil
Fernanda Leite
Frente Parlamentar da Causa Animal fortalece diálogo entre poder público e sociedade civil
11 de jun. de 2026 - 14:48
O Brasil começa a tratar a violência contra animais como crime de verdade
Fernanda Leite
O Brasil começa a tratar a violência contra animais como crime de verdade
17 de abr. de 2026 - 01:18
Feijoada beneficente mobiliza Fortaleza em apoio à causa animal
Fernanda Leite
Feijoada beneficente mobiliza Fortaleza em apoio à causa animal
15 de abr. de 2026 - 01:25
"Davi: Nasce um Rei" — a animação que me fez chorar no cinema
Fernanda Leite
"Davi: Nasce um Rei" — a animação que me fez chorar no cinema
18 de fev. de 2026 - 00:49