A capacidade de ser resiliente é uma das mais valorizadas no mundo corporativo. Afinal de contas, conseguir se recuperar rapidamente em situações adversas é essencial em um ambiente onde é preciso lidar de forma constante com acomplexidade e imprevisibilidade. Contudo, a resiliência precisa estar ancorada na realidade, sob pena do profissional se acostumar com cargas excessivas de trabalho, o que mais à frente pode somatizar estresse e o desenvolvimento de distúrbios emocionais como a Síndrome do Esgotamento Profissional (Burnout).
A consultora organizacional, coach executiva e autora do livro “O Poder dos Times AAA”, Caroline Marcon, afirma que a resiliência não é resposta para tudo. “É uma capacidade importante, mas que prevê uma real recuperacao do indivíduo submetido à pressão – e parece que as pessoas estão esquecendo desta parte!”. De acordo com Caroline, um dos sinais de que a resiliência passou dos limites é quando não se consegue mais ter discernimento para saber se as metas são realmente alcançáveis ou não.
Nesse sentido, a consultora organizacional cita algumas recomendações para o profissional aprender a escolher suas “batalhas”, distinguindo resiliência de teimosia, para tomar decisões acertadas. Assim, quanto estiver pressionado, com mais tarefas do que consegue aguentar, Caroline sugere que antes de aceitar o que vier pela frente, o profissional pergunte a si próprio:
1 – Sendo completamente honesto, eu acredito que tenho o que é necessário para sair vitorioso dessa situação?
2- De que terei que abrir mão para conseguir entregar esta demanda?
3 – Qual é o impacto desta escolha para mim e para todos os envolvidos?
Se as cargas profissionais que a pessoa estiver assumindo, começarem a afastá-la do que tem muito valor a ela própria (amigos, família, filhos, relacionamentos amorosos.), desgastando sua saúde e vida pessoal, Caroline sugere que ela reflita a respeito da necessidade de ser tão tolerante a desafios “Se o seu tempo e energia não estiverem focados nos seus objetivos de vida, repense com mais consciência”, diz.
Para a coach executiva, o que leva as pessoas a cumprirem tarefas excessivas no piloto automático é o sentimento de querer provar paras outros e para si mesmas que tem capacidade de realizá-las. “É uma mistura de medos: de ficar para trás, de desagradar os outros etc. Tudo isso comandado por um egoinseguro, que faz com que as pessoas não tenham clareza do que realmente importam para elas”, explica.
Assim, mais uma vez, Caroline, recomenda ao profissional que reflita.“Neste momento, é preciso ter coragem para parar e dizer não, praticando a autogestão e sabendo estalecer limites”, afirma.
Dirigindo-se a quem “torce o nariz” para a autocompaixão, a coach executiva afirma que praticá-la não é se fazer de coitado, nem ser negligente com sua performance, mas tratar-se com gentiliza e compreensão, sabendo que é preciso respeitar as próprias limitações, sem perder o foco no que realmente importa.





