*Débora Bonetto, diretora de People LATAM da NotCo
A pandemia de covid-19 foi um período de reflexão e as pessoas ainda estão tentando entender como estão hoje após essa fase. Porém, há uma conclusão certa que podemos tirar dessa época: ela marcou um antes e um depois. Não à toa, ouvimos todos os dias quando saímos de casa, ou ligamos nossos computadores em escritórios remotos, que há o “pré e o pós-pandemia”.
A grande questão é que essa divisão tem um sentido tão amplo quanto parece, afinal, estamos falando de um período que criou uma folha em branco gigantesca para repensarmos tudo na vida, seja no âmbito pessoal, familiar e profissional. Nesse sentido, outra afirmação que pode ser feita hoje sem sombra de dúvida é que o formato híbrido está aqui para ficar. E adivinhe? Errado é aquele que fala que a modalidade não funciona. É hora de parar de ver escritório versus trabalho remoto em termos binários. Não é um ou outro - precisamos de ambos.
“Ah, mas flexibilidade não é tudo”. O fato do modelo ser mais flexível é apenas a ponta do seu iceberg de vantagens. Ele praticamente esclareceu que há novas formas de estarmos conectados que não seja apenas em uma sala cheia de pessoas. Isso sem falar que, quando falamos de novos conceitos para o ambiente de trabalho, é possível entender que esse sistema favorece um cenário com um novo sentido de fazer negócios e estabelecer a cultura da empresa.
Na NotCo, por exemplo, os colaboradores têm a flexibilidade, autonomia e responsabilidade de coordenar atividades presenciais ligadas a encontros sociais, sinergias e colaboração, enquanto no formato remoto podem focar em tarefas de análise e foco da maneira que acharem adequada. Além disso, a marca criou um kit de ação de melhoria da liderança para construir espaços que chamaram "encontros irresistíveis" que facilitem conversas eficientes, próximas e agradáveis, cuidando da participação de todas as pessoas em um entorno que seja psicologicamente seguro.
As primeiras impressões dessa nova estrutura do dia a dia não poderia ter sido melhor para os colaboradores. Para 89% dos colaboradores, o modelo híbrido representa um símbolo de cultura; já 69% sentem que a sua saúde física, mental e emocional está sendo cuidada; e ainda 93% acreditam que os seus líderes oferecem autonomia e flexibilidade para tomarem decisões no modelo híbrido.
Os números mostram que um quadro híbrido é, acima de tudo, adaptável e não possui apenas um jeito de olhar o todo. Essa é uma maneira de assegurar a cultura da companhia e garantir eficácia e colaboração por meio de novas experiências, formas de trabalho, ferramentas e equipes. Ou seja, o aprendizado por trás da modalidade é que a busca pela evolução constante é o caminho a ser seguido. Temos que nos permitir explorar, interagir, errar e aprender com esta nova experiência, e ouvir o negócio da empresa e as equipes para identificar se o caminho faz sentido.
E não se engane, pois isso está longe de ser um processo cego de tentativa e erro. Obviamente, falhas podem acontecer no meio do caminho para serem corrigidas no futuro, mas todo o procedimento é feito ouvindo as vozes dos integrantes do nosso time. Assim, é possível confirmar qual rumo a empresa deve tomar, sem o disparo de tiros no escuro.
Ao mesmo tempo, esse aspecto menos unidimensional da modalidade híbrida é um convite para soluções inovadoras. O motivo é simples: há o encorajamento do famoso lema de “pensar fora da caixa”. Mais uma vez, é importante ressaltar que a frase não se enquadra no velho clichê que sai da boca de uma chefia que desconhece sua equipe e apenas distribui ordens. É uma alternativa para uma mente corporativa mais aberta e que abraça todos os cargos de uma instituição.
Ora, se o modelo garante o melhor aproveitamento do que aprendemos na nossa vida pessoal e profissional e encoraja a experimentação de novos mecanismos, por que não reiniciar a nossa forma de trabalhar? Evitar esse tipo de mudança significa não dar espaço para um crescimento saudável no mercado e que, de fato, o faça avançar no sentido técnico e humano.
Portanto, se trabalharmos para implantar o sistema híbrido com maestria, não há dúvidas de que o mundo corporativo vai conseguir alcançar uma evolução constante e plena. Com a produção de ações estratégicas de capacitação de lideranças, que podem criar bons relacionamentos e garantir que todos estejam engajados, a tendência será a das empresas implementarem no seu DNA o incentivo para a inovação e soluções diferenciadas nos desafios que surgirem.
*Débora Bonetto é diretora de People LATAM da NotCo, unicórnio global de alimentos que produz alternativas à base de plantas para produtos alimentícios de origem animal.






