Segundo levantamento de 2022 organizado pela Sociedade para Gestão de Recursos Humanos (SHRM), o índice de relacionamentos dentro do ambiente de trabalho subiu nos Estados Unidos desde o início da pandemia. Um terço dos contemplados pela pesquisa afirmou que se relacionou afetivamente com um colega de trabalho no período da COVID-19, 6% a mais em relação a 2019. Dos entrevistados, 75% afirmaram estar confortáveis com a possibilidade de namorar alguém da mesma empresa.
Já no Brasil, o estudo intitulado “Romance no Escritório” publicado em 2022 pelo site Zetty, especializado em conteúdos sobre carreira profissional, indica que 78% das pessoas consideram um romance no trabalho e 58% já saciaram tal vontade. A pesquisa ainda mostra que a maior tendência de namoro entre colegas está presente nas pequenas empresas: 40% daquelas que possuem de 11 a 50 colaboradores são favoráveis à ideia.
O que diz a lei - Constitucionalmente, “é proibido proibir”. Afinal, o 5º artigo da Constituição Federal resguarda a intimidade e vida privada de todo e qualquer indivíduo. Ou seja, é contra a lei demitir funcionários por causa de relacionamentos amorosos no ambiente de trabalho. Entretanto, o artigo 482 afirma que cabe à empresa estabelecer suas regras através de um código de ética.
O que dizem os gestores - Segundo Tábata Silva, gerente do portal de recrutamento Empregos.com.br, em organizações em que relacionamentos amorosos são consentidos, os funcionários envolvidos devem evitar troca de carinhos e discussões de assuntos pessoais durante o expediente, a fim de preservar o clima entre os demais colegas e manter a produtividade do casal.
“O bom funcionamento das atividades de uma empresa depende intrinsecamente da noção do que é naturalmente público e do que precisa permanecer na intimidade”, explica Tábata. Para a especialista, a transparência é fundamental. “Nesses casos, é indicado que os dois informem seus superiores logo no início da relação. A atitude passa credibilidade, além de garantir que sejam oficialmente reconhecidos em união”.
Quando o casal não se adapta a vida profissional, possíveis prejuízos podem vir à tona. Alex Araujo, gestor e CEO da 4Life Prime Saúde Ocupacional - líder no segmento de saúde e segurança do trabalho - explica que a perda na produtividade, o aumento de atos de indisciplina ou insubordinação, seja pessoalmente ou online, podem se tornar comuns no ambiente de trabalho, gerando distração e desconforto entre os colegas.
“Em casos de irrompimento de desentendimentos pessoais, os atritos também podem se tornar um problema e atrapalhar a harmonia do time. É natural que seja cobrado de maneira mais firme uma postura formal daqueles que namoram. Hoje, passamos mais tempo no trabalho do que em casa, e, dependendo do contato tido com o colega, é comum que burburinhos e fofocas prejudiquem a imagem e o cargo dos envolvidos”, diz Araujo.
Outro possível empecilho que apontado é o favoritismo. “É provável que o risco seja real, principalmente quando uma das partes é subordinada à outra e pode ser favorecida pelo supervisor injustamente por conta de uma ligação romântica. O desafio aqui é manter a responsabilidade e o profissionalismo mesmo diante da emoção”, frisa Tabata Silva.






