Nas últimas semanas, a quantidade de testes positivos para Covid-19 aumentou consideravelmente. Levantamento do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) mostra que a porcentagem passou de 3% para 17% em um mês - um salto de 566%. As duas subvariantes da Ômicron, BQ.1 E XBB, causam preocupação na Europa, China, Estados Unidos e Brasil. A nova onda veio de encontro com a alta contaminação desencadeada pela Influenza A, com 20% de positividade em testes feitos pela rede privada.
O reflexo desse aumento já foi notado nos laboratórios de diagnósticos: a positividade saltou de 3,7% no começo de outubro para 23% na primeira semana de novembro, segundo a Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica). Nas farmácias, os testes positivos cresceram 15% entre 17 e 23 de outubro, último dado coletado pela Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias).
Embora os sintomas da Covid sejam similares aos da gripe e do resfriado comum, como coriza, febre, tosse, dor de cabeça, dor de garganta e cansaço. Um novo sinal de alerta se acende para as empresas. Seria premeditado tomar medidas restritivas e distanciamento social? Quais os procedimentos que devem ser tomados nesta possível onda da pandemia?
Para Alex Araujo, CEO da 4Life Prime Saúde Ocupacional, o aumento de casos pode ser explicado pelo fim das medidas restritivas, como a utilização de máscaras em locais fechados, distanciamento social e a liberação de aglomerações, muito vistas em shows e eventos culturais, proibidos durante o auge da pandemia. “Com a quarta dose de reforço, as pessoas voltam à rotina pré-pandemia, com trabalhos presenciais, maior utilização de transportes públicos, saídas e menos higienização das mãos e utilização do álcool etílico 70%, o que mostra uma menor preocupação de contaminação e um aumento nas chances de contágio”.
“Os cuidados devem ser redobrados nesta nova onda, já que os sintomas são facilmente confundidos com os de uma gripe. Para preservar a saúde de seus colaboradores, as empresas estão fazendo a testagem do Covid-19. Só nas últimas horas recebemos mais de 1800 solicitações de propostas de testes em empresas de todo o Brasil para garantir que não haja proliferação do vírus no ambiente de trabalho”, comenta Alex.
Em 2021, a 4Life Prime saiu na frente e implantou um programa de testes para Covid-19, importando dezenas de contêineres com material para testagem. Com isso, a empresa realizou testes em milhares de colaboradores, divididos entre as 3000 contas que a empresa atende. No auge da pandemia, conseguiu importar 18 contêineres para atender a demanda. “Tivemos que aumentar o número de profissionais para realizar milhares de testes, no auge da pandemia foi necessário dobrar turnos e chegamos a recolher testagens de noite, por conta do volume. O importante para as empresas era identificar o mais rápido possível quem estava positivo”, explica Alex.
As empresas podem colaborar e monitorar de forma eficaz seus colaboradores para que não seja necessário um novo home office integral. “Os gestores de recursos humanos e marketing das empresas devem trabalhar juntos, comunicando todos os colaboradores da nova onda da pandemia, incentivando o reforço das doses extras de vacinação, recolocando o uso e a importância do álcool em gel no ambiente de trabalho e o uso de máscaras dentro de ambientes fechados e com grande circulação de pessoas”, afirma Tábata Silva, gerente de marketing do portal de vagas Empregos.com.br.
Quase 80% da população brasileira recebeu duas doses da vacina contra a covid-19, mas menos de 50% foram imunizados com uma ou duas doses de reforço, segundo dados das secretarias estaduais de Saúde. “A vacinação é a melhor forma de impedir uma nova onda. As empresas têm um importante papel de orientar colaboradores e estimular campanhas internas para engajar a sociedade como um todo, evitando assim uma proliferação em massa”, explica Tabata.
Em ambientes menores como escritórios, agências, serviços administrativos é mais fácil o controle , já em grandes empresas multinacionais, indústrias e comércios de rua onde milhares de colaboradores dividem o mesmo espaço, este controle se torna infinitamente maior. “A saída é mesmo aplicar o RT-PCR nos trabalhadores que precisam voltar ao trabalho presencial. Essa testagem deve ser organizada a fim de evitar que grupos já testados, mas para os quais ainda não há resultado negativo, entrem em contato com funcionários não testados”, finaliza o empresário Alex Araújo.





