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A nova realidade da força de trabalho no Brasil

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A nova realidade da força de trabalho no Brasil
Foto: GCMais

O modelo de trabalho das empresas vem passando por uma profunda transformação nos últimos dois anos. A consolidação de formas experimentadas nesse período, como o home office integral e formas laborais híbridas, já é uma realidade em diferentes segmentos no Brasil. Contudo, novos movimentos que surgiram em mercados com ampla e diversa força de trabalho, como o dos Estados Unidos, já chamam a atenção de gestores de RH para as novas mudanças que o cenário pós-pandemia pode trazer.

Nos EUA, no movimento denominado ‘A Grande Resignação’, milhares de trabalhadores estão se demitindo por não aceitar um trabalho sem propósito e com condições precárias e muitas vezes de baixa remuneração.

O levantamento mais recente da Pesquisa de Vagas em Aberto e Rotatividade de Trabalho do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos (Relatório Jolts, na sigla em inglês) mostra, por exemplo, que o número de americanos que voluntariamente deixaram os empregos subiu para um recorde de 4,5 milhões somente em novembro.

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A vice-presidente de Recursos Humanos da ADP na América Latina, Mariane Guerra, destaca que o movimento que está ocorrendo nos Estados Unidos possui características diferentes em relação ao mercado do Brasil e da América Latina.

“A legislação trabalhista americana e, também, a forma de remuneração das pessoas, que na maioria das vezes recebe por hora, faz que a realidade de um trabalhador nos EUA tenha características que não são vivenciadas pela maioria dos empregados latino-americanos”, analisa.

Além disso, complementa a executiva, o mercado de trabalho dos EUA, pela característica da economia do país, que é um das maiores do mundo, também vive um cenário positivo, onde as pessoas têm mais segurança para deixar seus empregos.

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Os últimos dados divulgados pela ADP, que é a maior processadora de folha de pagamentos de empresas privadas dos Estados Unidos, mostram, por exemplo, que as empresas criaram 534 mil postos de trabalho em novembro e 807 mil em dezembro.

Mudanças no mercado de trabalho do Brasil

Mariane comenta que, apesar de os trabalhadores brasileiros vivenciarem situações distintas das de pessoas de outras regiões, é inegável que os últimos anos transformaram a forma com a qual se relacionam com a atividade laboral e, até mesmo, o período que estão dispostas a dedicar ao trabalho. “Esse é um ponto que precisa ser considerado pelos gestores no estabelecimento de políticas que levem em consideração também o interesse dos funcionários”, ressalta.

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Uma pesquisa recente, realizada pela ADP Research Institute com trabalhadores de 17 países, incluindo o Brasil, mostrou que, na América Latina, mais de seis em cada dez (63%) pessoas afirmam que a pandemia as forçou a fazer escolhas ou concessões entre vida pessoal e profissional. No Brasil, na Argentina e no Chile, equilibrar o trabalho e as necessidades da família foi o maior desafio no período pandêmico (22% afirmaram isso), mais do que manter a saúde (18%).

“Ao evidenciar esse ponto na pesquisa, os trabalhadores latino-americanos mostram que a qualidade de vida é um ponto central para eles. Ou seja, ter um tempo maior para dedicar-se a atividades mais prazerosas e à família ganhou ainda mais relevância. Assim, as empresas que desejam reter seus talentos – ou até mesmo atrair novos – terão que mostrar de forma clara como suas políticas estão estruturadas para buscar esse objetivo”, explica Mariane.

A vice-presidente de RH da ADP observa que, hoje, muitos gestores estão focando seus esforços apenas em combater problemas como a síndrome de burnout. Segundo a executiva, eles estão corretos em apoiar o trabalhador para suportar esse problema, que é muito sério. No entanto, o que muitos gestores não entendem é que é preciso olhar a questão de forma mais ampla, identificando que fatores levaram o empregado a desenvolver o burnout, por exemplo.

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“Atualmente, não há mais espaço para a realização de gestão vertical, na qual o chefe constrói as políticas de trabalho e apenas informa aos empregados. Isso precisa ser construído de forma coletiva, considerando a realidade do negócio e de seus funcionários”, finaliza Mariane.

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