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É preciso assertividade para demitir

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É preciso assertividade para demitir
Foto: GCMais

Alguns dizem que a sexta-feira, depois do expediente, é o melhor momento para comunicar a demissão de um funcionário. Outros, que é na segunda, logo na primeira hora de trabalho. Usualmente, empresas que têm boas práticas de capital humano buscam conduzir esse processo da maneira mais tranquila e transparente possível. Afinal, ninguém toma a decisão de demitir da noite para o dia, salvo se houver casos de corrupção ou ética. Por isso, ser respeitoso também tem a ver com o horário que se dispensa o profissional.

Uma demissão mal conduzida pode provocar prejuízos à imagem da corporação e do líder imediato, pois é uma situação desconfortável para os dois lados, e ainda pode ser muito traumática para o colaborador. Assim, é fundamental que você saiba que a forma como ele sair da empresa pode influenciar a opinião que terá e transmitirá da organização dali em diante.

Com as constantes reestruturações que as empresas têm promovido desde o início da pandemia da Covid-19, ser demitido é uma situação que pode ocorrer com qualquer colaborador. O tema é relevante, uma vez que dispensar alguém não é fácil. “Pela minha experiência na seleção de executivos e de muitos anos no mercado, sempre sugiro que a rescisão seja feita no primeiro horário, ou seja, no momento em que o profissional chega ao local de trabalho, para que ele tenha tempo de digerir a notícia e falar com os colegas. Jamais seja contra ele se despedir dos seus pares ou mesmo liderados. Explique, com honestidade e clareza, o motivo pelo qual a pessoa está sendo demitida, mantendo a calma e tratando o colaborador com dignidade até o último minuto”, orienta o headhunter e CEO da Prime Talent Executive Search, David Braga.

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Geralmente, as demissões são decididas entre o gestor e a área de Recursos Humanos. É importante sinalizar ao colaborador a razão do desligamento – se em função de uma redução estrutural, o que tem sido muito comum hoje em dia; se a pessoa não estava entregando resultados; se apresentava alguma postura inadequada; ou até devido a

um déficit de determinada competência ou habilidade. Na visão de David Braga, se o motivo do desligamento for a performance, espera-se que o líder ou gestor tenha dado vários feedbacks ao longo da trajetória do colaborador na empresa. “Nos casos em que o desligamento é por baixo desempenho, é importante também deixar isso claro, pontuando alguns exemplos em que o colaborador foi chamado para mudar algum aspecto, mas seguiu sem agir. Isso leva a pessoa à autorreflexão”, acrescenta.

Outro aspecto relevante, de acordo com o headhunter, é o gestor e a pessoa de RH saberem que o momento da comunicação da demissão exige cautela, empatia e firmeza, uma vez que afeta não apenas o colaborador demitido, mas também as demais pessoas daquela equipe e pode influenciá-los diretamente.

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A primeira coisa a se fazer é planejar a reunião para que a demissão ocorra de forma tranquila. “É primordial que o processo de desligamento pessoalmente, em respeito à pessoa. Com a adoção do home office, mesmo que o colaborador esteja em outra cidade, jamais faça o desligamento por vídeo ou por mensagem de WhatsApp, como já vivenciei atuando como headhunter”, sugere David Braga. Após a demissão, ele lembra que é vital que o time do qual o colaborador desligado fazia parte seja comunicado formalmente. “Nesse momento, é importante ser claro e direto novamente, mas com um discurso que faça todos continuarem, com segurança, no caminho certo para alcançar os objetivos já estipulados.”

 

Quanto ao profissional demitido, ter maturidade emocional e escuta ativa é fundamental. Afinal, se você foi o escolhido para ser demitido, talvez tenha algo que ainda precise melhorar. Use essa experiência para transformar a sua carreira. Aproveite, ainda, essa situação para pensar sobre sua trajetória profissional e porque foi demitido. Seu desempenho ficou a desejar? O que poderia ter sido feito diferente? Houve falta de algum conhecimento técnico ou da fluência no idioma inglês? Use essas avaliações para redesenhar sua jornada profissional, bem como para definir o que deve ser ajustado para a retomada.

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David Braga é CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent Executive Search. É também Conselheiro de Administração pela Fundação Dom Cabral (FDC) e professor convidado pela mesma instituição. Ele é autor do livro “Contratado ou Demitido – só depende de você” e atua, ainda, como conselheiro da ONG ChildFund, da ACMinas e da Associação Brasileira de Recursos Humanos de Minas Gerais (ABRH-MG). Instagram: @davidbraga | @prime.talent.

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